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<< POLÍCIA Juiz manda soltar detidos e diz que são 'dias tristes para nossa democracia'

Publicada em 07/09/2016 às 05:25
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A Justiça mandou soltar tarde da noite de segunda-feira 18 dos 27 manifestantes detidos na noite de domingo pela Polícia Militar no protesto contra o presidente da República, Michel Temer, na Capital paulista. A decisão deu-se em audiência de custódia no Fórum Criminal da Barra Funda, zona oeste de São Paulo. Todos os manifestantes soltos são maiores. No momento em que deixaram o Fórum, eles foram saudados por um grupo de cerca de 30 pessoas, que, junto com os jovens soltos, gritaram: “fora, Temer!”, e “não tem arrego”.
 
“O Poder Judiciário entendeu que essa decisão foi ilegal. O juiz relaxou a prisão ao entender que não houve cometimento de crime nenhum por parte das pessoas que estavam detidas hoje”, disse o advogado ativista Marcelo Feller. De acordo com ele, a partir da decisão, os jovens não responderão mais ao processo criminal, mas poderão continuar a ser investigados. “Nas palavras do juiz, ele disse que vivemos, independentemente de entendimentos políticos de todos, dias tristes para nossa democracia, e disse textualmente: triste do povo em que seus cidadãos têm que aguentar as coisas de boca fechada”, disse Feller, que acompanhou a audiência de custódia.
 
O motivo só foi divulgado cerca de vinte horas depois da prisão. Segundo as autoridades policiais, o grupo era suspeito de “associação criminosa” e, no caso de quem tinha mais de 18 anos, de “corrupção de menores”. Na nota oficial, a Secretaria de Segurança Pública do Estado informou que eles carregavam “máscaras, pedras, um celular roubado e diversos objetos utilizados em atos de vandalismo”.
 
"Foi tudo um grande abuso de poder, todo mundo falando que eram ordens superiores. Forjaram provas e ainda puseram armas [brancas] falando que tínhamos que dizer que eram nossas.” De acordo com uma moça, no momento em que foram presas, as mulheres detidas foram obrigadas a se dirigir ao banheiro da estação de Metrô Vergueiro e a ficar nuas para ser revistadas por policiais femininas.
 
“Durante o enquadro, um policial começou a me revistar e me disse: 'você eu conheço'; e me deu um soco na minha costela e, na sequência, ele pegou uma barra de ferro azul entortada, e disse: 'ela é sua'. E no boletim consta como se a barra fosse minha; diz que estava na minha mochila. E eu nem tinha mochila”, disse um dos detidos que se identificou como Gabriel. Em coletiva de imprensa, o comandante do Policiamento da Capital, Dimitrios Fyskatoris, defendeu a atuação da PM e disse não reconhecer nenhum excesso da tropa.
 
 
 
Protesto do fim de semana foi maior
desde impeachment de Dilma Rousseff
 
Milhares de pessoas foram às ruas da Capital paulista na noite de domingo em protesto contra o governo Michel Temer. Foi a maior manifestação desde a retomada dos atos que pediam o impeachment de Dilma Rousseff. Os organizadores falaram em 100 mil pessoas; a PM não divulgou estimativa de público. O protesto começou a andar no sentido da Rua Consolação por volta das 17h30 e seguiu pela Avenida Rebouças até o Largo da Batata, em Pinheiros, zona oeste. Com faixas de “fora Temer” e placas de “diretas já”, os manifestantes ocuparam as duas faixas da via em frente ao Masp. O ato foi chamado pelas frentes "Povo sem Medo" e "Brasil Popular", compostas por movimentos sociais como o MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Teto) e CMP (Central de Movimentos Populares).
 
Com o protesto já encerrado, a PM lançou bombas de gás e usou jatos d’água para dispersar manifestantes mascarados que começaram a se infiltrar em atos de vandalismo. A corporação afirmou que foi uma reação “moderada” à atuação de vândalos em uma estação de metrô. A pauta também incluía a antecipação da eleição presidencial e o combate a medidas de cortes de gastos anunciadas pelo governo.
 
SUPLICY FURTADO - O candidato a vereador Eduardo Suplicy (PT) teve a carteira roubada durante o protesto. Em sua página no Facebook, o petista anunciou o furto e pediu para ser avisado por email caso a carteira seja encontrada por algum seguidor. "Infelizmente minha carteira foi furtada logo após a manifestação. Se alguém encontrá-la, por favor me informe pelo e-mail."
 
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