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<< ECONOMIA Inadimplência tem queda de 1,6% na Cidade e consumidores compram menos A tendência é de que o índice de devedores no município tenha possível melhora, adianta economista

Publicada em 03/09/2016 às 23:23
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(Fernando Rezende)
A inadimplência do consumidor em Sorocaba caiu 1,6% no acumulado do ano, segundo a Boa Vista SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito). Na comparação entre julho deste ano e o mesmo período de 2015, houve elevação de 3,9%; na avaliação mensal, entre junho e julho deste ano, registrou-se queda de 1,8%. Para o economista Yan Nonato Cattani, há quatro anos, já havia perspectiva de elevação da inadimplência em Sorocaba.
 
Contudo Cattani diz que o quadro está mudando. “Pelo que estou vendo, está melhorando. Sorocaba vem crescendo 3,9% em longo prazo e está mais alto que a média do Estado; a tendência é de uma possível melhora.” Os dados de avanço na atividade econômica ainda não estão na forma com que os economistas esperavam, como afirma Cattani. “Observamos uma desaceleração do índice de desemprego, de rendimentos”, enfatiza.
 
Segundo ele, trabalha-se com uma perspectiva de fechar o ano com mudanças, já que a economia caminha para índices “menos piores”. Ele ressalta que o indicador de demanda por crédito está há tempo negativo, mas as pessoas estão cautelosas. “Elas já são experientes com os créditos, um cenário que, antigamente, era impensável; então, a gente pode dizer que o consumidor está acostumando com dívidas”, explica. 
 
Em meio à recessão econômica que se instalou no País e, por consequência, no município, sorocabanos estão optando por gastar menos e manter as principais contas em dia. O policial militar, Saulo Brandolin, conta estar conseguindo planejar o orçamento da família. “Está dando para organizar as contas do dia a dia, embora haja o desemprego, mas, como sou funcionário público, tenho certa estabilidade e posso ir levando." 
 
Brandolin destaca não ter sido pego de surpresa em relação à situação financeira. “Graças a Deus, não passei por essa dificuldade ainda; caso aconteça, vou pagar as contas que realmente precisam, que são de água e luz, para sobrevivência, e comida também.” Já para a diarista Marilene Adelaide Alves, suas finanças estão complicadas e, segundo ela, a principal razão é a crise econômica. 
 
“Sou eu e minha mãe em casa. Ajudo-a com metade e ela também faz o mesmo, mas está bastante difícil por causa da crise”, comenta Marilene, afirmando que, caso necessite priorizar alguma conta dentro de seu orçamento, a preferência ficará com a água e luz. “Deixo outra conta de lado, porque água e luz é mais importante”, reforça a diarista, ressaltando que a situação não está fácil. 
 
Planejamento é que o aposentado Francisco Carlos Pavia faz, já que é ele quem coordenada as finanças em casa. “Tem de zerar o mês redondinho, porque está difícil; mas, graças a Deus, estamos dando conta e conseguindo fechar o mês. Contudo a situação está bem complicada!” Em caso de surpresa no orçamento, o aposentado afirma que a alternativa é utilizar o crédito do banco.
 
“A gente prefere não usar, mas, em caso de surpresa, temos de recorrer ao crédito. Se não tiver planejamento, a gente estoura todo mês”, explica Pavia. “Se você ganha R$ 10, não pode gastar R$ 9, porque no outro mês pode complicar-se. Mas o crédito é extremamente em último caso, porque, se recorrer a ele e a financiamento, cai em uma bola de neve; pois os juros são exorbitantes.” 
 
O indicador de recuperação de crédito do consumidor no município, obtido a partir da quantidade de exclusões dos registros de inadimplência, caiu 6,4% no acumulado do ano. Já na comparação interanual, entre julho deste ano e o mesmo mês de 2015, foi observada uma queda de 11%, e na avaliação mensal entre junho e julho deste ano, o decréscimo foi de 4,4%.
 
De acordo com a Boa Vista SCPC, o indicador de inadimplência é elaborado com o número de novos registros de dívidas vencidas e não pagas; já o indicador de recuperação de crédito é feito a partir de exclusões de registros informadas à empresa pelas credoras. O índice é calculado pela média móvel do último ano do mês de referência, tendo como ano-base a média desses valores em 2011, que é 100. 
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