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<< EDITORIAL O fim da agonia

Publicada em 30/08/2016 às 07:07
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Durante todo o dia de ontem (29), na penúltima etapa do processo de impeachment, a presidente afastada Dilma Rousseff esteve no Senado Federal fazendo a defesa de seu mandato perante os senadores, que ainda nesta terça ou quarta-feiras deverão votar a favor ou contra a sua permanência na presidência da República. Como era esperado, ela falou que tudo fez para cumprir as leis e respeitar os direitos e a vontade do povo, não tendo praticado nenhuma irregularidade, enfatizando a deslealdade e a covardia de muitos políticos. Lembrou dos tempos de terror a que foi submetida durante a ditadura militar, mas que nunca deixou de lutar por um Brasil soberano. "Fui intransigente na defesa da causa pública, luto pela democracia e pelo bem do povo." 
 
Em várias ocasiões, disse não ter cometido qualquer crime de responsabilidade, criticou a conduta da imprensa e de todos aqueles que se insurgiram contra sua pessoa. Destacou o golpe que de todas as maneiras foi tramado contra ela e criticou as elites conservadoras que perderam as eleições. Dilma Rousseff, no entanto, nada falou sobre o desmonte da Petrobras, dos muitos casos de corrupção que tomaram conta do Brasil, da trama sinistra de se perpetuar no poder a qualquer preço - um preço alto demais para os brasileiros e que tanta falta faz à saúde, à educação, à dinamização da economia e à contenção do desemprego, que vai assolando o País. Ela também preferiu não falar das elites formadas pelas massas populares que foram às ruas contra o seu governo e das principais lideranças de seu partido que foram condenadas por corrupção e hoje cumprem pena pelos crimes que cometeram.
 
Na verdade, se algum golpe existe contra ela, golpe muito maior foi praticado contra toda a Nação pela ânsia incontida da permanência no poder a todo custo. Está por todos os lados a inconsequência no trato do dinheiro público. Enquanto citou algumas das situações que foram criadas para comprometê-la, ela não falou nada sobre as situações criadas ostensivamente para levar o Brasil à bancarrota e ao caos. Apesar de todas as manifestações contrárias, Dilma disse que foi em benefício das demandas da população que editou decretos suplementares sem a autorização do Congresso Nacional.
 
O fato é que, depois de tudo aquilo que foi provado até agora pela "Lava-Jato" contra as elites que se uniram para saquear o Brasil de todas as formas, com a omissão do Palácio do Planalto, como é que a presidente afastada pode dizer que durante o seu governo nenhum prejuízo foi causado ao povo brasileiro? Também não se pode ignorar que a defesa de Dilma foi ampla e irrestrita, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com o ex-presidente Collor de Mello, que, pressionado por todos, principalmente pelo PT, praticamente foi cassado de forma sumária. Aliás, é preciso enfatizar que Collor foi tirado do poder por muito pouco diante de tudo aquilo que os governos de Lula e Dilma fizeram contra o País.     
 
Resumindo, tudo indica que a agonia vai chegando ao fim e que Dilma Rousseff será tirada da presidência de forma definitiva, não apenas por causa das fraudes fiscais e decretos suplementares, mas também por todas as deficiências administrativas do governo. Ela deve cair por ser uma das beneficiárias do grande esquema de corrupção que foi engendrado para que as lideranças petistas pudessem se eternizar no poder.    
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