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<< EDITORIAL As inversões que ganham espaço

Publicada em 27/08/2016 às 05:20
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As notícias não deixam dúvidas de que as coisas vão de mal a pior no Brasil no que diz respeito à moral, à ética, ao relacionamento entre as pessoas, à falta de segurança, à corrupção, ao desrespeito ao ser humano, à impunidade e às desigualdades sociais. Histórias sinistras ilustram diariamente as manchetes dos jornais evidenciando a degradação dos costumes. Elas envolvem crianças se drogando cada vez mais, mulher que contrabandeava remédios falsificados para aborto, rapaz que tentou esganar a própria mãe depois de lhe desferir uma facada, bandidos que se elegem para cargos públicos mesmo estando atrás das grades, crianças que foram ao Conselho Tutelar com medo de serem mortas pelo padrasto, corrupção por todo o País e muito mais. A impunidade está por todos os lados e as injustiças sociais ganham cada vez mais espaço no País. 
 
A sociedade vem sofrendo constantemente com o desenfreado aumento da violência, submetendo-se a atos inadmissíveis. A crise da família apresenta dramáticas consequências antissociais. A ruptura que se constata, inevitavelmente, acaba produzindo um desajuste afetivo que desemboca no convívio social. Todos os estudos mostram que crianças que crescem em lares onde a harmonia não prevalece, dificilmente concluem o ensino elementar e são facilmente empurradas para o uso de drogas, da delinquência juvenil e do desrespeito à sociedade. 
 
Não há como negar que o alicerce a se construir contra tudo isso é de fundamental importância. É necessária uma estrutura de extrema resistência e que abranja todos os pontos, seja eles de caráter familiar, social, político ou econômico. Investir milhões em recursos para se recuperar o terreno perdido e exterminar as causas de toda degradação nada mais é do que uma tentativa  inútil, onde o desperdício é que prevalece. É preciso muito mais. É preciso a educação começar do berço. 
 
Não é de hoje que a sensibilidade e o respeito perderam e continuam perdendo espaço para a correria dos inúmeros compromissos do cotidiano, como emprego, casa, família, estudo e outras obrigações. Mas não seria isso, depois de toda a evolução do mundo, uma inversão de valores? Como é que alguém pode viver bem se não olha nem para a pessoa ao lado? Ainda que seja uma pessoa estranha - e na maioria das vezes não é - não se pode ignorar que ela faz parte do mesmo mundo onde todos vivemos. Tudo isso está a merecer uma reflexão muito especial por parte dos estudiosos do comportamento humano e da sociedade brasileira em geral.       
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