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<< SAÚDE Semana de Prevenção de Zoonoses orienta população sobre a raiva Eventos educativos começam nesta sexta-feira

Publicada em 05/08/2016 às 06:51
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Para orientar os munícipes sobre doenças transmitidas por animais, bem como os métodos de prevenção, certamente também em vista do gancho folclórico de que agosto é `mês de cachorro louco´, a Divisão de Zoonoses da Secretaria da Saúde da Prefeitura, juntamente com a Secretaria de Planejamento e Gestão, promovem a Semana Municipal de Prevenção de Zoonoses. As ações ocorrerão nas seis Casas do Cidadão, entre esta sexta-feira (5) e o dia 18, das 9 às 16 horas. Um dos assuntos que serão abordados com os munícipes e funcionários das unidades é a raiva. Haverá ainda exposição com material didático e ilustrativo. O público também será abordado por meio da distribuição de folhetos educativos sobre a Leishmaniose Visceral Canina e posse responsável, visando à prevenção de zoonoses, incluindo a raiva.
 
Conforme informou ontem a médica veterinária Thais Buti, da Divisão de Zoonoses, a raiva é uma encefalite viral grave (inflamação do cérebro). Segundo ela, a doença é transmitida dos animais aos homens pela introdução do vírus presente na saliva e secreções do animal infectado ao tecido humano, principalmente por meio de mordidas. “Apenas os mamíferos transmitem e adoecem pelo vírus da raiva”, ressalta. 
 
Segundo ela, o morcego é a espécie de alto risco de transmissão, que ocorre por contato em humanos e em animais. Apesar disso, Thais frisa que, na literatura, existe o relato de dois casos de transmissão inter-humana na Etiópia, ocasionados por mordida e contato com saliva infectada em mucosa. “Há ainda descrições de casos de contágio por meio de transplante de órgãos infectados”, complementa.
 
Ainda conforme a médica veterinária, o vírus da raiva tem atração pelas células nervosas, por isso sua ação no sistema nervoso central ocasiona inflamação no cérebro. “A doença apresenta letalidade de aproximadamente 100%. Poucos pacientes sobrevivem à doença, a maioria com sequelas graves”.
 
SINTOMAS - Depois da introdução do vírus, há um período de incubação de 20 a 90 dias. A partir daí, se iniciam sintomas inespecíficos, como febre, dor de cabeça, tontura, coceira e formigamento no local da agressão (mordida, por exemplo). De acordo com a profissional, pode haver ainda dor de garganta, dificuldade para engolir, salivação, diarreia, dor abdominal e outras alterações do trato digestivo. “A pessoa começa a ficar desorientada, com alterações de visão e audição”, explica a médica veterinária.
 
Em alguns dias, as alterações neurológicas se intensificam, segundo Thais, e há hipersensibilidade a qualquer estímulo visual, auditivo, olfatório ou tátil. “Frequentemente, o paciente reage a esses estímulos com espasmos e convulsões. Começam alterações de comportamento como agitação, falta de coordenação, delírios e alucinações”, conta, acrescentando que a doença segue com intensa agitação psicomotora e crises convulsivas alternadas com torpor. “O torpor vai aumentando com o tempo e o paciente entra em coma. O óbito ocorre por parada cardíaca e morte cerebral”.
 
Em animais, Thais explica que os sintomas variam conforme a espécie. “Quando a doença acomete animais carnívoros, com maior frequência eles se tornam agressivos (raiva furiosa) e, quando ocorre em animais herbívoros, sua manifestação é a de uma paralisia (raiva paralítica)”, diz, lembrando, no entanto, que em todos animais costumam ocorrer os seguintes sintomas: dificuldade para engolir, salivação abundante, mudança brusca de comportamento e de hábitos e paralisia das patas traseiras. “Os morcegos, com a mudança de hábito, podem ser encontrados durante o dia, em hora e locais não habituais”, exemplifica.
 
Não existe tratamento específico para a doença. Após o início dos sintomas, ele se limita em diminuir o sofrimento do paciente humano. “Em casos de contato com animais suspeitos, realiza-se um protocolo profilático com aplicações de sor/vacina para evitar a replicação do vírus e o aparecimento dos sintomas”, acrescenta Thais.
 
PREVENÇÃO - Os maiores cuidados devem ser tomados ao ter contato com um morcego. Thais orienta que, em caso de manipulação do animal, é indispensável o uso de equipamentos de proteção. “O ideal é cobri-lo com um balde ou caixa e ligar para a Divisão de Zoonoses fazer o recolhimento do animal e encaminhamento para exame de raiva”. Após o contato, orienta ainda que a pessoa procure imediatamente um serviço de assistência à saúde para iniciar o tratamento preventivo da raiva. 
 
No caso de mordidas de cães ou gatos, a instrução é lavar imediatamente o local com água corrente abundante e sabão ou detergente para diminuir o risco de infecção. Depois disso, é importante procurar uma unidade de saúde para orientações. O animal agressor deve ficar em observação por 10 dias quanto aos sinais da doença. Além disso, cães e gatos devem ser vacinados contra a raiva todos os anos. Em casos de animais suspeitos da doença, a recomendação é levá-lo a um médico veterinário. “Este é o único profissional capacitado para realizar a suspeita diagnóstica, pois existem outras enfermidades que acometem o sistema nervoso em animais”, alerta. Em caso de suspeita confirmada, o veterinário deverá entrar em contato com a Divisão de Zoonoses, para notificar o caso.
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