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<< EDITORIAL Omissões, desculpas e desfaçatez na saúde

Publicada em 16/07/2016 às 07:00
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Tendo em vista as ações que não param de ser ajuizadas, as despesas do Ministério da Saúde cresceram de maneira expressiva nos últimos anos, conforme levantamento feito pela Interfarma, representante das farmacêuticas multinacionais. Em três anos, o valor pago na chamada "judicialização da saúde" chegou a quase R$ 1 bilhão, com aumento de 132%. Via de regra, as ações são motivadas pela falta de acesso a tratamentos no SUS, seja por falta de disponibilidade dos medicamentos ou pelo fato de não terem sido incorporados pela rede pública. 
 
Na verdade, seja por esta ou aquela razão, o crescimento da judicialização mostra que os governantes, os políticos e a própria sociedade brasileira precisam ampliar as discussões em torno deste problema. Cada vez mais, o mesmo Brasil que oferece tratamento para as doenças básicas tem dificuldade para proporcionar como se deve o atendimento às doenças crônicas e complexas. A exemplo do que ocorre nas capitais e nos grandes centros urbanos do País, Sorocaba também não foge à regra. Em todos eles, clientes insatisfeitos de  planos de saúde reclamam atendimentos os mais diversos, principalmente acesso a tratamentos e medicamentos caros, nacionais ou importados, não oferecidos pela rede de saúde pública.                         
 
Por mais que se fale a respeito, o fato é que a saúde brasileira, infelizmente, continua em estado crônico. Apesar disso, não existe uma política efetiva que possa reverter o mau atendimento prestado. Ninguém se preocupa com aquilo de pior que a população é obrigada a enfrentar. Além de ser muito ruim, a situação dos problemas de desabastecimento em hospitais, atendimento falho e muitas dívidas vão se acentuando cada vez mais pela rede combalida de todos os Estados. 
 
O fato é que já passou da hora de a rede de saúde nacional ser tratada como um direito constitucional, como realmente o é, e de ser garantida para todos com qualidade, sem tanta conversa fiada. É preciso evitar a todo custo que a corrupção e o desvio de dinheiro de maneira criminosa, como a polícia de Sorocaba vem investigando na Santa Casa local, continuem a tornar tudo muito mais difícil para para todos. As omissões, as desculpas oficiais, a desfaçatez de tantos gestores e a ganância de tantos outros não podem continuar se eternizando no tempo e no espaço. Os contribuintes brasileiros não podem e não merecem levar sempre a pior, como se não tivessem direito a nada. As omissões e as desculpas precisam ter um fim.                   
 
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