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Diário de Sorocaba

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<< SAÚDE Em protesto, funcionários da saúde pedem mais segurança

Publicada em 12/07/2016 às 06:09
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(Fernando Rezende)
Um grupo com 30 pessoas, entre trabalhadores ligados à área da saúde e cidadãos, protestou nesta segunda-feira (11) em solidariedade ao homicídio do enfermeiro Antônio Carlos de Mattos, morto na última quarta-feira (6) enquanto prestava atendimento a um paciente mental. Segundo o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Sorocaba e Região (SinSaude), Milton Sanches, a categoria também pede mais segurança no trabalho. 
 
Segundo Sanches, faltam trabalhadores para que o atendimento seja seguro para os profissionais. “As residências terapêuticas precisam de mais trabalhadores, não descartando os cuidadores, mas que tenha um profissional de enfermagem 24 horas para fazer o atendimento”, explica o sindicalista, afirmando não ser contra a desinstitucionalização dos hospitais psiquiátricos, mas que deve ser feita de forma mais organizada e pensando na segurança dos profissionais que atendem aos pacientes. “Só queremos que o sistema dê estrutura para que os trabalhadores possam ajudar nessa desinstitucionalização, mas não dessa forma, colocando os trabalhadores em risco.”
 
A concentração iniciou-se por volta das 17 horas em frente ao prédio do SinSaúde, na Rua Coronel José Prestes, no Centro, e os manifestantes seguiram para a Praça Dr. Arthur Fajardo, o Largo do Canhão, pouco depois das 18 horas, onde encerraram o protesto. Durante a passeata, o transito na região ficou prejudicado, principalmente na Rua Dr. Nogueira Martins, onde o protesto irritou alguns motoristas que passavam pelo local.
 
Participando do ato, a dona de casa Célia Nunes, 53 anos, contou que, apesar de não ter conhecido a vítima, solidarizou-se com a causa dos profissionais. “Achei um caso absurdo e abominável”, afirmou a dona de casa, que é mãe de um jovem esquizofrênico em tratamento no Hospital Vera Cruz. Ela disse, também, temer por sua vida caso o filho volte para casa. “Ele não tem condição, porque fala que, se sair de lá, ele me mata e se mata também”, conta Célia, que se diz horrorizada.
 
O auxiliar de enfermagem Francisco Beraldo Rosa, 58 anos, afirmou que falta até mesmo estrutura para os profissionais que trabalham com esses pacientes. “Eles contratam cuidadores, mas eles não podem pegar nos pacientes nem dar medicação”, relata o auxiliar de enfermagem que trabalha há mais de 20 anos em hospitais psiquiátricos e que chegou a conhecer a vítima. “Ele (Antônio Carlos Mattos) era um excelente profissional, é uma perda inestimável”, comenta.   
 
Na semana passada, a Secretaria de Saúde de Sorocaba esclareceu que o paciente envolvido na ocorrência não fazia parte do processo de desinstitucionalização colocado em prática em Sorocaba, cujas medidas têm sido adotadas em cumprimento ao Termo de Ajustamento de Conduta assinado em dezembro de 2012 com os Ministérios Públicos Estadual e Federal, do qual o Município, exclusivamente, tem feito a sua parte.
 
NA CÂMARA - Um novo protesto, agora na Câmara de Sorocaba, está marcado para esta terça-feira (12), quando os trabalhadores pretendem repassar aos vereadores a situação da categoria na cidade. Eles devem novamente reunir-se em frente ao prédio do sindicato, às 9 horas, e depois seguir em carreata para o Paço. 
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