Quarta-Feira, 15 de Julho de 2020

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< BRASIL Planalto age para emplacar 'perfil confiável' na Câmara A avaliação é que Temer não pode "correr riscos" neste processo

Publicada em 09/07/2016 às 22:46
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Agência Brasil)
Apesar do discurso oficial de que não vai se envolver na disputa pelo comando da Câmara, o governo Michel Temer age para emplacar um nome da confiança da gestão interina. A avaliação no Planalto é que Temer não pode "correr riscos" neste processo, pois um parlamentar hostil ao Executivo no cargo pode comprometer a aprovação de projetos fundamentais para a recuperação da economia. A eleição do deputado que assumirá um mandato-tampão na presidência da Câmara - até fevereiro de 2017 - deve ocorrer nesta semana.
 
O Palácio do Planalto avalia ter precisão de um "perfil confiável" no cargo porque depende de estabilidade política para aprovar projetos como o teto para aumento de gastos públicos. O novo presidente da Câmara terá, também, a responsabilidade de analisar pedidos de “impeachment” contra Temer, já protocolados na Casa, e será o primeiro na linha de sucessão da Presidência da República caso Dilma Rousseff seja afastada definitivamente pelo Senado.
 
Temer está empenhado em unificar a base aliada em busca de um nome de consenso para suceder ao deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que renunciou na quinta-feira.
 
‘EFEITO SEVERINO’ - O receio também é de repetir o "efeito Severino". Em 2005, a desarticulação da base do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva levou à eleição do deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), que acabou sendo obrigado a renunciar ao cargo e mandato após denúncias de corrupção. 
 
O Planalto também não quer ver repetido o ambiente que Dilma enfrentou com Cunha no comando da Câmara. Além de manobrar contra o governo em votações, Cunha autorizou o processo de "impeachment" da petista. Nos últimos dias, Temer recebeu pelo menos cinco dos 15 postulantes na tentativa de conseguir viabilizar um nome de consenso para a sucessão de Cunha. O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, também participou das articulações, designado por Temer.
 
Geddel procurou os candidatos pedindo acordo. "Se não houver a unificação de uma candidatura da base, corremos o risco da eleição de um novo Severino", disse o ministro. O presidente em exercício já conversou pessoalmente com Fernando Giacobo (PR-PR), Osmar Serraglio (PMDB-PR), Rogério Rosso (PSD-DF), Beto Mansur (PRB-SP) e Heráclito Fortes (PSB-PI).
 
Na quinta-feira, Temer encontrou-se com o presidente interino da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), que foi pedir apoio para ficar no cargo até fevereiro de 2017. Maranhão ofereceu apoio ao governo para votar as propostas de interesse do Planalto. Segundo um interlocutor de Temer, a conversa não prosperou.
 
Temer tem dito que não importa o nome do presidente da Câmara, mas que a base tenha 2/3 de votos, o suficiente para aprovar medidas consideradas fundamentais, inclusive as que dependem de mudança na Constituição, como a reforma da Previdência. Apesar disso, ele já demonstrou maior simpatia por Rogério Rosso (PSD-DF), que representa o Centrão.
 
O entendimento do Planalto é que o PMDB não deveria postular o cargo porque continuará comandando a presidência do Senado no próximo ano. Um assessor palaciano avalia que o partido não pode repetir o erro do PT, "que não aceitou repartir forças". Outro auxiliar destacou que, nesta eleição, há uma peculiaridade que dificulta as negociações: o mandato-tampão.
 
Favoritos ainda não 
formalizaram inscrição 
 
No dia seguinte à renúncia de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à presidência da Câmara, estes cinco deputados registraram candidaturas na Mesa Diretora da Casa: Fausto Pinato (PP-SP), Marcelo Castro (PMDB-PI), Carlos Henrique Gaguim (PTN-TO), Carlos Manato (SD-ES) e Fábio Ramalho (PMDB-MG). O total de candidatos pode chegar a pelo menos 15. Os favoritos para a disputa ainda não formalizaram as candidaturas. Rogério Rosso (PSD-DF), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Fernando Giacobo (PR-PR) devem se inscrever apenas na véspera da votação para evitar desgaste e ganhar mais tempo nas negociações.
 
 
 
Cunha pede que PMDB avalie
se deve participar da disputa
 
Após oficializar a renúncia à presidência da Câmara, o deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) recorreu ao grupo de WhatsApp da bancada do PMDB para tratar de sua sucessão. Nas trocas de mensagens, segundo peemedebistas que fazem parte do grupo no aplicativo, Cunha ressalta que é necessário o partido avaliar se de fato deve participar da disputa pela presidência da Casa.
 
"Ele diz que é para verificar se o PMDB deve entrar, se tem de fato chance", afirmou um deputado que integra o grupo. Segundo integrantes da bancada, Cunha está "mais para o lado do Centrão do que do próprio PMDB". De acordo com outro deputado da bancada, nas mensagens Cunha diz que a eleição deve ser o mais breve possível. Destaca que o presidente interino, Waldir Maranhão (PP-MA), enfrenta um processo de cassação dentro do PP, e que isso poderia abrir uma nova disputa na Mesa para o cargo de primeiro-vice-presidente da Casa.
 
Apesar de sempre ter feito parte do grupo de mensagens, Cunha tinha uma participação esporádica. Segundo relatos, ele postava apenas notas, que distribuía à imprensa, para conhecimento prévio dos colegas.
 
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar