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<< SOROCABA Rede de atendimento acolhe criança vítima de abuso sexual Vítima na adolescência, mãe de 30 anos volta a enfrentar mesmo tipo de violência com a filha, de 6 anos. Dois anos após o ocorrido com a garota, ambas ainda recebem atendimento especial

Publicada em 07/07/2016 às 06:10
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“Ao descobrir que minha filha era abusada sexualmente, num primeiro momento bati muito nela, mas hoje faço de tudo para protegê-la”.
 
 Este é o relato de uma mãe com 30 anos de idade, cuja filha, uma criança de 6 anos, foi vítima da violência sexual em Sorocaba. O Município, aliás, conta com uma rede de atendimento para esses casos, que se inicia pelo Conselho Tutelar, que por sua vez encaminha para o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), ligado à Secretaria de Desenvolvimento Social da Prefeitura.
 
De acordo com levantamento da Secretaria de Desenvolvimento Social, de janeiro a abril deste ano foram atendidas 128 famílias, cujas crianças ou adolescentes foram vítimas de abuso sexual. No mesmo período do ano passado, foram 148 casos neste perfil.
 
O Creas é quem referencia as vítimas para uma das três unidades do Centro de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (Caps-II), mantido pela Associação Pró-Reintegração Social da Criança, por meio de um convênio com a Prefeitura. Cerca de 150 crianças e adolescentes vítimas de violência sexual são atendidas nos Caps-II “Aquarela”, na Regional Norte; “Bem Querer”, na Regional Leste; e “Ser e conviver”, na Regional Sudoeste.
 
A diretora clínica da Associação, Suse Helena Pedroso Dias, explica que qualquer pessoa pode fazer a denúncia de abuso, seja para a Polícia, Conselho Tutelar, Creas ou até no próprio Caps-II. “A população tem que sensibilizar e ficar atenta para que situações de abuso de vulnerável não fiquem no anonimato”, ressalta Suse, destacando ainda que cada caso é atendido de forma específica e não há um tempo determinado de duração da assistência, o que depende da situação de cada vítima. 
 
75% das vítimas são do sexo feminino. 
 
VÍTIMAS - À época do ocorrido, a mãe responsável pelo relato do início - cujo nome é preservado para evitar a exposição da criança -, trabalhava à noite e, durante o dia, a filha, então com 6 anos de idade, ficava com parentes, tendo em vista que várias famílias residiam no mesmo imóvel. A mãe, que também foi vítima do mesmo tipo de violência quando tinha 15 anos de idade, conta que presenciou uma atitude não adequada da filha para com uma criança, até que a menina relatou o ocorrido. Num primeiro momento, a reação foi de revolta. “Depois disso comecei a refletir e percebi que estava errada. Tinha que ajudar minha filha, pois quando eu fui vítima não tive o apoio de ninguém”, disse. Ainda de acordo com a mãe, que é separada do marido, ela precisa trabalhar para cuidar dos três filhos. A época do ocorrido, eram dois filhos. 
 
Depois de conversar com o pai da criança e ouvir as pessoas a sua volta, seguiu para a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) e denunciou o caso. A criança foi, então, encaminhada para exames de comprovação da violência sexual, no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS).
 
Mãe e filha foram ainda encaminhadas ao Conselho Tutelar e, depois, para uma das unidades do Creas, porta de entrada para esse tipo de atendimento no Município. Por último, mãe e filha foram encaminhadas para o Caps-II. Na entidade, vítima e familiares recebem o apoio necessário e participam de projeto terapêutico, com o envolvimento de psicólogos e demais profissionais da área, entre assistente social e terapeuta ocupacional. 
 
Passados dois anos do acorrido, a mãe conta que hoje em dia a menina consegue se relacionar muito bem na escola em que estuda, bem como passou a conversar mais. “Tudo o que acontece ela vem e conta para mim. E sinto que está bem mais segura e sabe que pode confiar na mãe”, relata. As duas continuam recebendo atendimento mensal. “A marca vai ficar para sempre e todas as famílias devem agir como eu: não temer e fazer a denúncia. Do contrário, a situação poderia ter sido ainda pior”.
 
O Creas oferece serviços de proteção social especial de média complexidade do Sistema Único de Assistência Social (Suas). O serviço é voltado às famílias e indivíduos em situação de ameaça ou violação de direitos, como em caso de violência física, psicológica e/ou sexual, tráfico de pessoas e cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, entre outras. Atualmente, são três unidades em Sorocaba (regionais Norte, Sul/Leste e Oeste) e, assim, as famílias são referenciadas conforme seu endereço de moradia e acompanhadas por uma equipe técnica multidisciplinar de profissionais.
 
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