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Diário de Sorocaba

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<< BRASIL Delação cita propina de R$ 30 mi a peemedebistas Nelson Mello, ex-diretor do grupo Hypermarcas, diz que dois lobistas distribuíram dinheiro para alguns integrantes do PMDB

Publicada em 29/06/2016 às 06:02
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(Agência Brasil)
Uma nova delação premiada, firmada com a Procuradoria-Geral da República, aponta suposto repasse de propinas milionárias para senadores do PMDB, entre eles o presidente do Congresso, Renan Calheiros, Romero Jucá e Eduardo Braga.
 
Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais do Grupo Hypermarcas, afirmou em depoimento aos procuradores ter pagado R$ 30 milhões para dois lobistas com trânsito no Congresso para efetuar os repasses. 
 
Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra seriam os responsáveis por distribuir o dinheiro para os senadores. Mello depôs em fevereiro e, em seguida, deixou o cargo que ocupava no Hypermarcas. 
 
A Procuradoria vai pedir ao Supremo que as afirmações envolvendo os políticos sejam investigadas. O relato não é alvo de inquérito na “Lava-Jato”; as informações repassadas referem-se à atuação de parlamentares na defesa de interesses da empresa no Congresso. 
 
Segundo Mello, os lobistas diziam agir em nome de políticos, que poderiam tomar iniciativas de interesse da empresa e do setor no Congresso. Conforme o delator, Funaro dizia-se muito próximo do presidente da Casa, Eduardo Cunha, e de outros do PMDB. 
 
Já Milton Lyra afirmava agir em nome dos senadores da bancada do PMDB, que teriam sido destinatários da maior parte da propina. Mello disse ter conhecido os lobistas em Brasília. Ele afirmou ter-se ajustado com Funaro e Lyra para se aproximar do poder. 
 
Mello trabalhou por mais de 20 anos no Hypermarcas, grupo do qual se desligou depois de fechar a delação. Ele afirmou que tinha ressarcido o grupo daquele montante que disse ter repassado aos lobistas.
 
O executivo citou vários nomes em sua delação, incluindo Renan, Jucá, Braga e Cunha. Na “Lava-Jato”, Funaro já foi apontado como operador de Cunha e responsável por viabilizar o escoamento de propinas das empreiteiras às contas do deputado afastado fora do País. 
 
Os investigadores chegaram a mapear dois carros, um Hyundai Tucson e uma Land Rover Freelander, em nome da empresa C3 Produções, da mulher de Cunha, mas que foram pagos por firmas ligadas a Funaro. 
 
Também na “Lava-Jato”, os irmãos Milton e Salim Schahin, do grupo Schahin, disseram aos investigadores que foram ameaçados por Funaro por conta de problemas em obra de interesse dele e de Cunha.
 
Na apuração do cartel que atuou na Petrobras, Lyra foi apontado como operador de Calheiros, e seu nome apareceu em uma anotação apreendida no gabinete do senador cassado, Delcídio do Amaral. 
 
No documento, ele está relacionado a um suposto pagamento de R$ 45 milhões em propina para o PMDB. Em outra frente da “Lava-Jato”, Lyra é investigado por aparecer como operador de duas empresas que captaram R$ 570 milhões do Postalis. 
 
'ZELOTES' – Calheiros e Jucá também são investigados na “Operação Zelotes”, deflagrada inicialmente pela Polícia Federal em março de 2015 para investigar um esquema de corrupção no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 
 
As investigações desdobraram-se para a apuração de suposta compra de medidas provisórias no Congresso. Os senadores são suspeitos de terem recebido propina para aprovar medidas provisórias de interesse de empresas do setor automobilístico. 
 
Já Eduardo Braga, ex-ministro de Minas e Energia durante o governo Dilma, foi citado em delação premiada de ex-executivos ligados à empreiteira Andrade Gutierrez, como destinatário de propina em obras no Amazonas e em licitações relacionadas à Copa.
 
A Hypermarcas diz que não é alvo de investigações e que não se beneficiou de atos praticados pelo ex-executivo do grupo, Nelson Mello, segundo comunicado enviado na manhã desta terça-feira (28) à Comissão de Valores Mobiliários. 
 
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