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Diário de Sorocaba





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<< SOROCABA Arcebispo completa 75 anos de idade à espera do sucessor

Publicada em 24/06/2016 às 06:58
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(Arquivo DS)
A celebração de uma missa de ação de graças às 11 horas deste sábado, 25 de junho, na capela do Seminário Arquidiocesano “São Carlos Borromeu”, no bairro histórico de Aparecidinha, com a participação dos padres da cidade e da região, assinala a passagem do 75º aniversário natalício do arcebispo metropolitano de Sorocaba, dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues. Uma data até certo ponto normal e habitual ou corriqueira dentro da vida cotidiana de cada pessoa, como reconhece o próprio dom Eduardo, não fosse a obrigação canônica de, como Arcebispo, terde entregar a função ao papa Francisco a função.
 
“Vivenciaria este dia como mais um aniversário normal em que, a cada ano, o desgaste físico se acentua, até agora para mim, porém, sem maiores prejuízos pera a mente”, destacou o Arcebispo esta semana em entrevista ao DIÁRIO, acrescentando: “O fato de entregar o pastoreio da Arquidiocese de Sorocaba ao Papa traz para os 75 anos um significado de passagem, de entrada em nova etapa da vida e da missão. De um lado, vive-se a experiência do alívio em relação ao peso da responsabilidade, com muitas implicações de pastorear uma Igreja Particular e, de outro, vive-se a consciência das limitações que a idade coloca para a aspiração de realizar tarefas maiores e socialmente mais significativas.  A experiência do `alívio´ libera o espírito para um exercício do ministério pela oração e pela disponibilidade de servir de acordo com as sugestões do Espírito de Deus, anunciando o Evangelho lá onde se fizer necessário. A missão continua de outra forma na `alegria do Evangelho´”. “As limitações progressivas do avanço dos anos, com o auxílio da graça, assim espero, se tornarão ocasião de colocar exclusivamente em Deus a esperança, aceitando pacientemente o desgaste biofísico, sempre lembrado da palavra do Apóstolo Paulo: `Por isto não nos deixamos abater. Pelo contrário, embora em nós o homem exterior vá caminhando para a dissolução, o homem interior se renova a cada dia` (1Cor 4,16-18)”.
 
MAIS DE 10 ANOS DE EPISCOPADO EM SOROCABA – Designado como quarto bispo titular e segundo arcebispo metropolitano de Sorocaba no início de maio de 2005, logo após a eleição do papa Bento XVI (foi, aliás, a primeira nomeação episcopal do sucessor do Papa São João Paulo II para o Brasil), dom Eduardo Benes tomou posse a 3 de julho seguinte e, assim, está à frente de nossa Igreja Arquidiocesana há quase 11 anos (terça-feira, dia 21, dom Eduardo comemorou o 18º aniversário de sua sagração episcopal, mas ante de vir a Sorocaba foi também bispo-auxiliar de Porto Alegre/RS e bispo diocesano de Lorena, no Vale do Paraíba). Instado pela reportagem a fazer um retrospecto rápido dessa década, assim se expressou: “Analisar o próprio desempenho, sobretudo quando se trata de uma missão espiritual, significa fazer um exame de consciência e a tendência é ver o que foi falho ou insuficiente no desempenho. Com certeza, houve esperanças que não se concretizaram ou por não se situarem no contexto ou por falha minha em sustentar ações que as fariam se tornar realidade. Prefiro recordar coisas boas que vivi e continuo a viver na Igreja de Sorocaba: a amizade dos padres e a dedicação de cada um ao ministério, vários dos quais receberam de Cristo, pela imposição de minhas mãos, a ordenação presbiteral; a colaboração incansável dos diáconos; a riqueza da vida dos religiosos e das religiosas; a participação de um incontável número de fieis leigos nas muitas pastorais, nos movimentos e nas associações eclesiais de nossa Arquidiocese; as celebrações nas paróquias com crismas; e a intensificação da Iniciação Cristã através de uma catequese renovada”.
 
Dom Eduardo cita também como gratificantes neste período “o funcionamento dos Seminários Menor, Filosófico e Teológico da Arquidiocese, os retiros de jovens, enfim, o espírito de fé de nosso povo, como sua devoção a Nossa Senhora, com a Romaria de Aparecidinha”. “Muitas, incontáveis, as recordações que haverei de conservar em meu coração desses anos aqui vividos”, acrescentou, pedindo para ser destacada ainda “a acolhida de toda a sociedade sorocabana, bem como dos municípios vizinhos sob o cuidado pastoral da Arquidiocese”.
 
A SUCESSÃO – Como da obrigação estabelecida pelo Código de Direito Canônico da Igreja de cada bispo do mundo todo de, ao completar 75 anos de idade, colocar seu cargo à disposição do Santo Padre, também dom Eduardo Benes confirma já ter enviado seu pedido a Roma, endereçado ao papa Francisco, colocando em suas mãos a função de arcebispo de Sorocaba. E, como é de praxe da Santa Sé ao aceitar esses pedidos, o Santo Padre pediua ele aguardar a nomeação do sucessor. 
 
Este sucessor, informou ainda dom Eduardo ao DIÁRIO, será escolhido dentre os bispos brasileiros atuais, a partir de uma longa consulta a bispos, sobretudo do Estado de São Paulo, e aos padres do Colégio de Consultores da Arquidiocese. A Nunciatura Apostólica, representação da Santa Sé no Brasil, com sede em Brasília, é quem realiza essa consulta e envia o resultado à Santa Sé, mais precisamente à Sagrada Congregação Pontifícia para os Bispos. Esta apresentará ao Santo Padre três nomes e, então, o papa Francisco escolherá o novo arcebispo de Sorocaba. “A nomeação demanda um pouco de tempo: seis meses, um ano...? Aguardemos na oração e na confiança o que a Divina Providência tem preparado para a Igreja de Sorocaba”, orienta nosso Arcebispo, adiantando ter um propósito para a partir da chegada de seu sucessor, quando se tornará, então, o arcebispo emérito de Sorocaba: “Continuar servindo a Igreja como bispo, orando e anunciando o Evangelho. Inicialmente volto a residir em Juiz de Fora, onde estudei - com 10 anos, entrei para o Seminário `Santo Antônio´ - e depois, exerci o ministério de presbítero, sobretudo como formador no Seminário, de 1965 a 1998”.
 
“Como tenho sempre afirmado, são incontáveis as recordações que conservarei como segundo arcebispo de Sorocaba. Muitos fatos e muitas outras entidades haveria eu de citar que entraram em minha vida e me marcaram profundamente. Sou grato a Deus e ao povo de Sorocaba por esse tempo precioso e cheio de graças que aqui tenho vivido”, conclui dom Eduardo.´- José Benedito de Almeida Gomes
 
 
O segundo arcebispo de Sorocaba
 
Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues é natural do pequeno município mineiro de Bias Fortes, entre as cidades de Barbacena e Juiz de Fora. Nasceu a 25 de junho de 1941, filho do casalJosé Justino Rodrigues/Aurora Sales Rodrigues. “Eu nasci a 18 quilômetros desse lugarejo (Bia Fortes), numa fazenda antiga, num casarão de muitas janelas, que teria sido construído pelo meu bisavô que veio de Portugal. Esse lugar fica próximo ao Parque Estadual da Serra de Ibitipoca. Ali eu vivi até os 5 anos de idade. Meu pai era filho de fazendeiro e tocava o sítio, que naquele tempo era uma propriedade bastante considerável, com a produção de 80 litros de leite por dia”, relembra o arcebispo.
 
Com 10 anos de idade, influenciado por um seminarista órfão e que ficava durante as férias ficava em sua minha casa e na casa dos primos, decidiu-se por ser padre e entrou no Seminário “Santo Antônio”, da cidade de Juiz de Fora. Em 1958, o seminarista Eduardo Benes foi para Seminário Maior “São José”, em Mariana, um dos mais antigos do Brasil, fundado em 1750. Ali estudou Filosofia por três anos. Já o curso de Teologia, veio concluir em São Paulo, no Seminário Central da Imaculada Conceição, no bairro do Ipiranga.
 
Foi ordenado presbítero no dia 13 de dezembro de 1964 na Catedral de Santo Antônio, em Juiz de Fora, por dom Geraldo Maria de Moraes Penido. Depois da ordenação, padre Eduardo foi nomeado vigário paroquial da Catedral, de 1964 a 1971. Assumiu ainda muitos outros encargos pastorais, como coordenador arquidiocesano da Catequese e formador no Seminário “Santo Antônio”, onde foi reitor e diretor espiritual. Também lecionou Filosofia da Religião na Universidade Federal de Juiz de Fora para cursos atendidos pelo Departamento de Ciência da Religião da UFJF. 
 
Elevado ao Episcopado por São Papa João Paulo II em 1998, escolheu como lema episcopal “Mitis et Humilis Corde” – “Manso e Humilde de coração”. 
 
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