Quarta-Feira, 8 de Julho de 2020

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< ECONOMIA Mais de R$ 120 milhões são aplicados na Saúde Desse montante, R$ 3,085 milhões vieram do Estado e R$ 46,5 milhões do Ministério da Saúde

Publicada em 31/05/2016 às 06:17
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Divulgação)
No primeiro quadrimestre deste ano, o total das receitas aplicadas pelo Município na Saúde foi de R$ 120,9 milhões, das quais as oriundas do Estado somaram R$ 3,085 milhões e do Ministério da Saúde, R$ 46,5 milhões. Os dados foram apresentados ontem pelo secretário da Saúde, Francisco Antônio Fernandes, na audiência pública para prestação de contas, na Câmara de Sorocaba. 
 
A aplicação na Secretaria de Saúde no período foi de 25,27% da receita do Município, já que o mínimo obrigatório é de 15%. Do total do orçamento da pasta gasto nesse espaço de tempo - R$ 173,2 milhões -, 86% ou R$ 147,1 são referentes à rede pública de saúde municipal e 14% ou R$ 26 milhões à Santa Casa de Misericórdia. 
 
Segundo dados apresentados, foram feitas no primeiro quadrimestre 141.256 consultas médicas na atenção básica, das quais 27.817 na área de pediatria, 56.227 de clínica médica, 17.445 atendimentos de ginecologia e obstetrícia e 39.767 na Saúde da Família. Na atenção especializada, foram 74.109 atendimentos e na urgência e emergência, 285.969 consultas. 
 
No período, contabilizou-se 155.222 consultas e procedimentos odontológicos, fora 234.178 de enfermagem. As consultas multiprofissionais, que incluem, entre outras especialidades, fisioterapia, fonoaudiologia, assistência social e psicologia, somaram 14.711. Com relação às internações nos hospitais conveniados, foram 711 no Gpaci, 3.257 na Santa Casa e 2.313 no Hospital Santa Lucinda. 
 
Na Saúde Mental, a taxa de ocupação de leitos em Hospital Geral foi de 73%. Trinta pacientes foram desinstitucionalizados no período. No Serviço de Atendimento Domiciliar foram 828 atendimentos. No período, foram feitas pelo Setor de Zoonoses 118.457 visitas domiciliares para controle da Dengue, apresentando 306 casos confirmados da doença, sem óbitos. A campanha de vacinação contra a gripe atingiu até abril 71,9% da população-alvo, já que a meta é de 80% e a campanha continuou neste mês, cujos dados ainda não foram computados.
 
 
Atendimentos
e falta de leitos 
 
O vereador Luís Santos quis saber se a dívida com o Hospital Santa Lucinda foi quitada; o secretário informou que o processo está em finalização e será paga em breve. Sobre a baixa ocupação dos leitos da saúde mental nos três Caps, criticada pelo parlamentar, Fernandes disse que a taxa é de 60 pessoas ao mês e admitiu que a ocupação é baixa, destacando que a rede está em discussão.
 
Com relação ao atendimento de acidentes de trabalho pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador, que contabilizou 1.032 casos e 168 atendimentos, disse que há falta de recursos para que o atendimento regional seja aplicado. Santos perguntou, ainda, sobre a falta de estrutura de alimentação nas Unidades de Pronto-Atendimento e o secretário afirmou que tem buscado a resolução do problema e está em andamento a conversa com o Banco de Olhos de Sorocaba e a Unidade do Éden para que seja tomada a mesma medida da UPA da Zona Norte, que montou uma estrutura de alimentação provisória.
 
Izídio de Brito também se referiu à falta de leitos e o tempo de permanência das UPAs, que tem levado a óbitos, como frisou. Fernandes destacou que esse é o grande nó que o município possui, destacando que faltam 160 leitos em emergência e a mesma quantidade para tratamento para solucionar o problema na cidade. Disse também que não há espaço físico para estes leitos.
 
 
Tomógrafo e
instrumentos
 
Com relação à apresentação, o vereador Marinho Marte afirmou que falta comprovação dos números e que os dados não convergem com a realidade da Saúde Municipal nem com as queixas da população que chegam aos vereadores. O parlamentar citou os 606 mil exames de investigação diagnóstica presentes na apresentação e também os resultados das auditorias, que foram apresentados de maneira resumida. “Ou os senhores estão certos, ou a população está mentindo”, disse. Marinho também questionou a compra do tomógrafo para o Gpaci, cuja verba foi repassada pelos vereadores através do orçamento impositivo, também o fechamento do Nais e a cobrança e próteses no Hospital Santa Lucinda.
 
Sobre o tomógrafo, o secretário afirmou ainda não ter recebido a destinação das verbas impositivas, destacando a importância do equipamento e que sua compra está em tramitação. Com relação à comprovação dos dados, disse que a única forma seria a análise dos laudos dos exames solicitados, o que representa um grande volume. Sobre o Nais, afirmou que é responsabilidade de outra pasta e sobre o resultado das auditorias, afirmou que a cópia de cada uma delas poderá ser encaminhada à Câmara ou poderia ser criada uma audiência apenas para esta finalidade.
 
Em seguida, Fernando Dini cobrou dados relativos ao mesmo período do ano anterior para comparação e disse que, da forma como é feita a apresentação, restam muitas dúvidas. O vereador disse que a Secretaria apenas cumpre a lei na prestação de contas. “Gostaria de que vocês não trouxessem apenas o mínimo, para que a população pudesse entender melhor o contexto que estamos vivendo, com a esperança de vivermos dias melhores”, concluiu.
 
O vereador Carlos Leite, entre diversos apontamentos, ressaltou que toda a verba para a oncologia (R$ 1.205.861) já foi empenhada, e questionou a quem devem recorrer as pessoas que necessitam de tratamento. Ele também pediu esclarecimentos sobre o número de visitas feitas pela Zoonoses para combate à dengue (aproximadamente 120 mil), que considerou elevadas demais.
 
Fernandes respondeu que, referente à oncologia, no ano passado, a pasta pleiteou mais recursos, que foram liberados (no montante de R$ 1,2 milhão) pelo governo do Estado. Segundo o secretário, essa verba de fato já foi utilizada. “Por isso voltamos a ter situação difícil não em oncologia, mas no que se trata de alta complexidade”, afirmou. Segundo ele, o município recebe repasses no mesmo valor desde 2008 e não há perspectiva de mudança. Por fim, afirmou que Sorocaba vem custeando 50% para atendimentos de oncologia “de seu próprio bolso”.
 
Sobre o trabalho do setor de Zoonoses, explicou que o número apresentado (118 mil) refere-se a número de visitas não de residências. O secretário detalhou que, desde fevereiro, fora os dias úteis, em todos os sábados são feitas visitas por agentes de endemia e que, além deles, 240 agentes comunitários de saúde têm apoiado a campanha de combate à dengue.
 
 
Secretário admite falha
e pedirá revisão do TAC
 
O secretário Fernandes acatou o pedido do vereador Rodrigo Manga de que seja solicitada a revisão do TAC da Desinstitucionalização, e admitiu o que o parlamentar vem afirmando desde que foi firmado, que o TAC foi malfeito. Manga sabatinou o secretário sobre a falta de tratamento de crianças e adolescentes dependentes químicos, a desinstitucionalização e a possibilidade de mutirões para acabar com as filas de espera para exames e cirurgias na cidade.
 
Mais uma vez, Fernandes afirmou que a Prefeitura está estudando a ideia dada pelo vereador dos CAPSs saírem oferecendo tratamento a dependentes químicos nas minicracolândias. Por fim, depois de defender por algumas vezes o TAC da Desinstitucionalização, o secretário admitiu que, em reunião agendada para meados de junho, fará o pedido oficial para revisão.
 
"Esse TAC foi muito malfeito, são vidas que estão em jogo, muitas famílias relataram que, quando um paciente é desinternado, não consegue continuar o tratamento adequado na residência, inclusive, foram relatadas dificuldades para ministrar medicamento e violência contra os familiares. A maneira como está sendo conduzida a desinstitucionalização a qualquer preço, está totalmente equivocada", disse Manga.

 

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar