Quarta-Feira, 26 de Junho de 2019

Diário de Sorocaba

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<< INTERNACIONAL Visita de Obama a Hiroshima provoca admiração e dúvidas

Publicada em 29/05/2016 às 05:50
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Os sobreviventes do primeiro ataque com bomba atômica estão acostumados a ouvir grandes promessas de livrar o mundo das armas nucleares. Elas, porém, não costumam vir diretamente do líder do país que atirou a bomba sobre eles. Neste sábado (28), um dia depois da partida de Barack Obama a Hiroshima, o sentimento era de gratidão e até mesmo admiração, por ele ter se tornado o primeiro presidente norte-americano em exercício a visitar o lugar onde a era nuclear começou. Mas havia também um reconhecimento de que a realidade de um mundo perigoso e instável pode superar o apelo de Obama a ter a coragem de se livrar da lógica do medo do armazenamento de armas nucleares. 
 
"O mundo prestou atenção ao que aconteceu aqui, mesmo se apenas por um tempo, porque alguém tão importante, como Obama, veio a Hiroshima. Então, talvez isso possa tornar as coisas um pouco melhores", disse Kimie Miyamoto, 89 anos, uma sobrevivente da bomba. "Mas você nunca saberá se isso realmente vai fazer a diferença, porque muita coisa depende do que outros países estão pensando também." Perguntada se a visita de Obama pode inspirar esses países a abandonar as armas nucleares, ela balançou a cabeça. "Eu não acho, porque há muitas bombas no mundo."
 
Muito depois da partida de Obama para Washington, as pessoas em Hiroshima ainda relutavam em deixar a visita para trás. Noite adentro, uma fila no Parque Memorial da Paz estendia-se do monumento que homenageia os 140 mil que morreram no bombardeio de 6 de agosto de 1945, até o museu que conta a história de alguns dos mortos, cerca de 200 metros adiante. As pessoas esperavam pacientemente para tirar foto da coroa que Obama deixou. 
 
Pessoas ao redor de Hiroshima ainda comentavam suas experiências ao assistir à visita de Obama, uma perfórmance política cuidadosamente coreografada para fechar velhas feridas sem inflamar novas paixões. "Não devemos deixar que a visita do presidente Obama seja apenas uma cerimônia", disse o jornal “Mainichi”, de esquerda, em um editorial neste sábado. "Ele estará no escritório apenas mais oito meses. Esperamos que o presidente use seu tempo restante de forma eficaz para tomar medidas concretas para deixar um legado político que irá pavimentar o caminho para um mundo sem armas nucleares."
 
Alguns ativistas antinucleares temem que o discurso em Hiroshima de Obama possa se revelar como seu discurso de 2009 em Praga, que ajudou a lhe garantir um Prêmio Nobel da Paz: após o burburinho morrer, volta-se aos negócios de costume. "O mundo precisa de mais do que palavras", disse em um comunicado Derek Johnson, diretor-executivo da Global Zero, um grupo antinuclear. "O presidente Obama deve tomar medidas urgentes para reduzir a ameaça de armas nucleares ser utilizadas novamente."
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