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Diário de Sorocaba

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<< INTERNACIONAL Presidente da Venezuela retira embaixador do País Nicolas Maduro entende o afastamento de Dilma Rousseff como golpe de Estado

Publicada em 14/05/2016 às 23:04
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(Agência Brasil)
O presidente da Venezuela, Nicolas Maduro, pediu na sexta-feira (13) ao embaixador do país no Brasil para regressar a Caracas, depois de o Senado brasileiro ter aprovado a abertura do processo de destituição da presidente Dilma Rousseff.
 
"Pedi ao nosso embaixador no Brasil, Alberto Castellar, que venha para Caracas", disse Nicolas Maduro, que considera ter havido um golpe de Estado no Brasil, em declarações transmitidas pela rádio e pela televisão.
 
"Estivemos a avaliar esta dolorosa página da história do Brasil. Quiseram apagar a história com uma jogada totalmente injusta com uma mulher que foi a primeira presidente que teve o Brasil", afirmou.
 
Maduro classificou o afastamento de Dilma Rousseff, na sequência da decisão do Senado, "uma canalhada contra ela, contra a sua honra, contra a democracia, contra o povo brasileiro".
 
Reafirmando que houve um golpe de Estado, apelou aos seus homólogos na região para que reflitam no que aconteceu com Dilma. Maduro advertiu para o perigo do "vírus do golpismo" voltar a tomar conta da América Latina.
 
Na sexta-feira (13), o Ministério das Relações Exteriores do Brasil rebateu às críticas dos governos da Venezuela, de Cuba, da Bolívia, do Equador e da Nicarágua, quanto à legalidade do processo de impeachment da presidente afastada Dilma Rousseff.
 
Em nota, o Itamaraty disse rejeitar com veemência o que classificou como propagação de falsidades por parte desses governos em relação ao impeachment. A assessoria do Ministério de Relações Exteriores informou que o afastamento de Dilma ocorreu em quadro de absoluto respeito às instituições democráticas e à Constituição federal.
 
RETALIAÇÃO - A Venezuela negou que tenha adotado qualquer medida contra o novo governo brasileiro, por ter chamado Castellar. Segundo o Itamaraty, o governo venezuelano explicou que Castellar deixou Brasília para participar de um compromisso.
 
ARGENTINA - A ministra das Relações Exteriores da Argentina, Susana Malcorra, disse que vê com profunda preocupação a situação política no Brasil, maior economia da América do Sul e principal parceiro comercial da Argentina.
 
Ao assumir a presidência da Argentina, em dezembro passado, Mauricio Macri visitou Dilma. Seu governo tem adotado posição cautelosa, ao comentar sobre o processo de impeachment, que a afastou do cargo por 180 dias até o fim do processo.
 
Susana participou da Cúpula Anticorrupção, convocada pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron. Segundo ela, a situação é complicada. “Apesar de se poder argumentar que a legalidade foi cumprida, muitos questionam a legitimidade do processo”, disse.
 
“Quando começamos a debater entre legalidade e legitimidade, a situação torna-se muito complexa. O que nós esperamos é que o processo conclua, para não acentuar as necessidades e ansiedades do povo brasileiro”, salienta.
 
A ministra, que participou do encontro entre Macri e Dilma, quando o presidente argentino esteve em Brasília, disse que sente uma profunda dor institucional e pessoal. Ela contou, ainda, que esteve com Dilma em Nova York neste ano. 
 
CUBA - O governo cubano considerou que o afastamento de Dilma constitui um "artifício" organizado por setores da oligarquia brasileira, apoiada pela grande imprensa reacionária e pelo imperialismo.
 
Numa nota enviada às redações, Cuba volta a denunciar o que considera ser um golpe de estado parlamentar e judicial, disfarçado de legalidade, que foi preparado há alguns meses contra a presidente legitimamente eleita.
 
"Trata-se, na realidade, de um artifício armado por setores da oligarquia desse país, apoiada pela grande imprensa reacionária e pelo imperialismo, com o propósito de reverter o projeto político do Partido dos Trabalhadores (PT)", lê-se no documento.
 
Para as autoridades de Havana, o que ocorreu no Brasil é parte de uma contraofensiva reacionária do imperialismo e da oligarquia contra os governos revolucionários e progressistas da América Latina e do Caribe, o que ameaça a paz.
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