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<< ECONOMIA Pontos comerciais têm recuo de 20% Crise econômica tem sido motivo para fechamento de diversos estabelecimentos na cidade

Publicada em 14/05/2016 às 22:48
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No Centro, muitos comércios encontram-se de portas fechadas ou para alugar (Fernando Rezende)
Atualmente, a região central conta com menos de 900 pontos de comércio e prestadoras de serviços em funcionamento, o que representa um recuo de 20%, segundo o presidente da Associação do Centro de Sorocaba, Hudson Pessini.
 
“Fica difícil ter números oficiais reais, porque o fechamento de lojas não ocorre simultaneamente com o cancelamento do CNPJ, que só acontece anos depois. Hoje, monitoramos o número de lojas do Centro pelas visitas feitas por nossos diretores e pelo balanço visual atualizado a cada reunião”, diz Pessini. 
 
Há quatro anos, a região central contava com 1,2 mil estabelecimentos, porém muitos pontos que não aguentaram a crise tiveram de reabrir em outro comércio, amenizando a situação. “Estou no comércio desde 1988 e nunca vi uma Braguinha com vários salões fechados”, lamenta o presidente.
 
Ele reforça que situações mais graves ocorrem em corredores comerciais situados nas avenidas Coronel Nogueira Padilha e Barão de Tatuí e Rua Comendador Hermelino Matarazzo, onde se pode notar de forma mais explícita essa situação de recuo do comércio sorocabano. 
 
O presidente afirma, ainda, que essa situação não se concentra apenas no comércio de rua, já que, no último ano, dois shoppings e sete grandes redes fecharam as portas. “A dificuldade no crédito e o desemprego são fatores que não proporcionam mudança nessa espiral inversa.”
 
De acordo com o economista Marcos Canhada, a atual crise econômica vivida pelo País tem sido motivo preponderante responsável pelo fechamento de diversos pontos comerciais em Sorocaba e no Brasil de forma geral.
 
“As dificuldades enfrentadas pelos empresários, com relação à queda da receita, impõem efeitos sobre o lucro das empresas e, em muitos casos, inviabiliza a continuidade dos negócios. Essa incidência de fechamento de empresas comerciais tem aumentado em função do aprofundamento da crise”, explana. 
 
Canhada diz que a expectativa de melhoria neste cenário está associada ao restabelecimento de confiança no governo pelos agentes econômicos. Ele prevê que a definição de um cenário político estável e munido de confiança poderá resultar em melhorias para o próximo semestre.
 
“É preciso observar os próximos movimentos políticos para que uma visão mais realista possa ser formada para o futuro no curto, médio e longo prazo”, completa o economista, reafirmando que o atual cenário tem ligação com a crise econômica. 
 
O fotógrafo Teófilo Negrão, que tem uma loja na Rua da Penha, no Centro, há 48 anos, declara que o comércio está parado e fraco. “Aqui, mais fecha do que abre. O pessoal está entusiasmado em abrir, mas da mesma forma estão entusiasmados em fechar, porque está dando muitas despesas.”
 
Ele enfatiza que o custo de um comércio, hoje, é grande e faz com que comerciantes fiquem temerosos. “Muitos, inclusive, que se estabelecem, vêm de outra área de atividade, nunca tiveram acesso ao comércio”, comenta.
 
Negrão salienta que, muitas vezes, a pessoa que aposta em um ponto comercial vem sem esperança, porque ingressa nessa área pensando em uma meta e não consegue cumprir, gerando, assim, decepção. Segundo ele, o desânimo torna-se maior quando a pessoa vem da área da indústria. 
 
“A gente abre o comércio às 8 horas da manhã, e cadê o cliente? O cliente não chega, não aparece, não vem, e você tem seus compromissos. Às 6 horas da tarde, a pessoa fecha a porta e não tem dinheiro na gaveta nem para a despesa do dia. Esse é o problema, por isso fecha muito”, justifica. 
 
Segundo o fotógrafo, quem não tem prédio próprio deve pagar aluguel, que pode variar entre R$ 2 mil a R$ 8 mil por mês. “Nós, por exemplo, não temos mais salário pró-labore. Se um aluguel custa R$ 6 mil por mês, são R$ 20 por dia, e aqui tem aluguel de R$ 6 mil por mês.” 
 
Com isso, ele diz que, além de trabalhar, muitos têm de tirar R$ 200 para o aluguel. “Ninguém vai ter o pró-labore, está todo mundo tirando água de pedra, todo mundo está querendo procurar alternativa, querendo inovar com vitrine, trabalho e argumentos.”
 
Assim como afirma Negrão, hoje, a palavra não é mais persistir, porque a crise é grande e cada um deve tomar conta de seus principais interesses para ver o que se pode fazer. “O buraco é muito grande e estamos pertinho do abismo.”
 
Ele diz que a cada dia que passa o cenário está mais frustrante, em qualquer segmento, seja na área de prestação de serviço, como no caso dele, na do varejo ou alimentação. “Qualquer área está crítica”, lamenta.
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