Sábado, 22 de Fevereiro de 2020

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< POLÍCIA Ganância é o combustível para cair em todos os golpes da praça

Publicada em 07/05/2016 às 23:02
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

(Arquivo DS Fernando Rezende)
Os golpes em que criminosos enganam as mais variadas vítimas nas mais diversas ocasiões só encontram eco por causa da ganância das pessoas. A frase vem do pensamento, que serve também de alerta, do delegado assistente da Delegacia Seccional de Sorocaba, Alexandre Silva Cassola. "Se a pessoa receber alguma ligação estranha de instituição financeira, ela deve ignorar. Se ela receber uma ligação sobre facilidades em qualquer situação, ela deve ignorar. O estelionatário sempre vai jogar com a ganância das pessoas. As próprias vítimas acabam se lesando muitas vezes", explica.
 
Com a esfera virtual, o delegado Cassola, que tem mais de 20 anos de carreira na Polícia Civil, vê muito mais oportunidades para se perder em tentativas de se dar bem. "Com o uso de e-mails e redes sociais, os estelionatários conseguem mais informações sobre as pessoas em que querem dar golpe. Deve-se ficar atento nesses ambientes virtuais, é muito fácil cair em facilidades construídas por eles. O melhor a se fazer é ignorar solicitações de cartões de que não houve pedido, produtos com descontos irreais que pedem dados pessoais."
 
A rapidez da internet acabou diminuindo o uso de mensagens SMS de celulares. Para o analista de qualidade Tiago Ramos, 30 anos, as tentativas de golpe, chegam com frequência. "Não só eu, muita gente que conheço recebe. Vira e mexe recebo um SMS ou e-mail dizendo que ganhei prêmios ou cartões de crédito já com crédito inclusive. Não dá pra cair nessa conversa, mas pessoas mais velhas podem se confundir e achar que é verdade".
 
O delegado Cassola afirma que o mundo virtual não é uma terra sem lei, e que há meios de investigações para se chegar aos estelionatários. 
 
 
Envio de cartão bancário
 
Um dos casos de estelionato que ocorreu em Sorocaba no mês passado foi um tipo de golpe envolvendo cartões bancários. Ao menos 10 casos de tentativa de estelionato foram aplicados em clientes de uma agência do Banco do Brasil, instalada no Shopping Sorocaba.
 
O esquema consistia de alguém não identificado, que dizia ser do banco, ligando no número de telefone da pessoa e informando que uma conta no valor de R$ 1.189 estava sendo feita na cidade de Botucatu em seu nome. Em seguida, o golpista do telefone dizia que poderia bloquear o cartão e impedir a conta de ser feita. A vítima aceitava, enxergando nisso a melhor solução, e também já ficava sabendo que receberia um novo cartão dentro de dias em sua residência. Nisso a vítima já estava perdida: usando o novo cartão do bandido, dava a ele seus dados pessoais e acesso a sua conta bancária.
 
 
O velho 171
 
O Código Penal brasileiro define como estelionato crime contra o patrimônio: "obter, para si ou para outro, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento."
 
No ato tem de constar obtenção de vantagem, causando prejuízo a outrem; para tanto, deve ser utilizado um ardil, induzindo alguém a erro. Um dos golpes mais comuns registrados pela polícia são o golpe do bilhete premiado e o golpe do falso emprego. O termo 171, que é o número do estelionato nos artigos numerados do Código Penal, é usado como gíria no âmbito popular, principalmente quando se pretende designar alguém que consegue obter benefícios ou favores com uma simples conversa.
 
"Nosso Código é de 1940, com outra ambientação. Por isso a pena para estelionato é de um a quatro anos de reclusão", explica o delegado Alexandre Cassola.
 
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar