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<< Moradores aguardam casas do Paço para desocupar estação de trem em Brigadeiro

Publicada em 12/01/2016 às 04:05
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(Fernando Rezende)
As nove famílias que ocupam a antiga estação ferroviária em Brigadeiro Tobias e aguardam casas prometidas pelo programa “Minha Casa, Minha Vida”, para deixarem o local finalmente, já se aproximam do fim do drama que os acompanha desde 2014. Os moradores devem ser realocados até abril. De acordo com uma moradora do prédio, não houve mais ameaças de despejo por parte da ação solicitada pela América Latina Logística (ALL), que teve pedido de suspensão feito pela Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária da Prefeitura. 
 
Uma das moradoras do local, Isabel Natalícia, 63 anos, disse estar aliviada e não ver a hora de se mudar para a casa prometida pela Prefeitura, em março. Ela contou que não houve mais ameaças de reintegração de posse, que, no passado, obrigou-a a vender boa parte dos móveis que tinha com medo do despejo. “É uma recompensa porque a gente não esperava uma casinha. Geralmente, isso não acontece porque a gente invadiu aqui. Eu mesmo invadi a estação e não esperava ganhar uma casinha. Fico muito contente de ganhar”, disse emocionada.
 
Morando há 12 anos ali e, mesmo não vendo a hora de se mudar com os dois netos, que cria sozinha, para a casa prometida, a dona de casa ressaltou ser muito grata pelos anos em que viveu na estação. “Não tenho queixa. Não tenho marido, mas tenho Deus, que cuida de mim. Já esqueci a porta aberta e ninguém nunca mexeu comigo”, disse Isabel, esperando que o prédio, após desocupado, seja utilizado em prol do desenvolvimento da cidade. 
 
A assessoria do vereador Muri de Brigadeiro (PRP) confirmou a informação de que as famílias serão realocadas em março, e ressaltou que a ALL aguardará a entrega das casas para fazer a reintegração de posse da estação.
 
Em nota, a Secretaria de Habitação e Regularização Fundiária da Prefeitura afirma que as famílias foram indicadas para casas do “Minha Casa, Minha Vida”. Entretanto a pasta enfatiza que a previsão para entrega das residências é de fevereiro a abril deste ano. 
 
Questionada pela reportagem, a ALL disse, por meio de nota, que a concessionária administra a linha férrea e tem obrigação legal e contratual de preservação da faixa de domínio da ferrovia, que é patrimônio da União sob responsabilidade da empresa. A concessionária destacou, ainda, que deve impedir ocupações irregulares para garantir a segurança da operação e das pessoas instaladas em área de risco, devido à proximidade com a linha férrea. A empresa não confirmou ou negou se tentará uma nova reintegração de posse do prédio, mas esclareceu que “os casos de invasão, não resolvidos amigavelmente, são tratados na esfera judicial.”
 
 
Famílias vivem desde 2014
sob ameaças de despejo 
 
Com ameaças de despejo desde 2014, quando a América Latina Logística (ALL) conseguiu na justiça um mandado de reintegração de posse, os moradores recorreram ao Legislativo de Sorocaba. Após isso, a assistente social Gilberta da Costa Santos passou a cuidar do caso e inscreveu as famílias no programa federal “Minha Casa, Minha Vida”, que sorteou 2.576 apartamentos em maio de 2015. 
 
Como apenas uma das famílias foi sorteada para o programa habitacional, a luta passou a focar em uma prorrogação do prazo para a desocupação da área até março de 2016, data em que os munícipes contemplados passam a ocupar os apartamentos sorteados. Gilberta ressaltou, na época, que as outras oito famílias também seriam presenteadas, segundo informações da Secretaria da Habitação e Regularização Fundiária. 
 
Ciente da situação enfrentada pelos moradores, a pasta solicitou à direção da ALL a suspensão temporária do processo de reintegração de posse. A concessionária informou que aguardava a realocação das pessoas pelo município para dar prosseguimento à ação de reintegração de posse.
 
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