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<< Comerciantes reclamam de faixa exclusiva na Av. General Carneiro

Publicada em 12/01/2016 às 03:56
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(Fernando Rezende)
Comerciantes que trabalham na Avenida General Carneiro, zona oeste de Sorocaba, dizem não estar contentes com a faixa exclusiva para transporte público e ciclistas, que foi implantada há quase dois meses. Muitos reclamam da falta de acesso para estacionar, o que diminui as vendas.
 
Segundo o proprietário de uma farmácia, Carlos Roberto Martinez, a faixa não trouxe melhoria para seu comércio e, de acordo com ele, o principal motivo é a falta de um local para estacionar. “Para mim, ficou ruim o estacionamento, não melhorou em nada; se uma pessoa encosta o carro, os guardas já multam. Muitos clientes já reclamaram, principalmente por causa dos amarelinhos.” Martinez disse, ainda, que, em relação 2014, as vendas diminuíram 20%, e foi preciso fazer um convênio com estacionamento particular para facilitar a vida do consumidor.
 
Revolta é o que retrata o proprietário de uma lanchonete, Fransoá Cardoso. Segundo ele, algumas lojas precisaram fechar por conta da nova faixa. “Tive uma queda de movimento depois da implantação da faixa; nas vendas, foram 45%. Se, depois das oito horas, liberasse para estacionar, tudo bem, porque não tem tanto afluxo de ônibus aqui, só em horário de pico. Agora, houve pontos na avenida que precisaram fechar por causa da faixa exclusiva, teve estabelecimento que funcionava há mais de 30 anos e fechou as portas.”
 
O comerciante também explicou que muitos clientes já reclamaram, e como não tem local onde estacionar, alguns deixam o veículo longe. “Antes, eles deixavam o carro estacionado para ir ao banco e passavam aqui comer. Agora, precisam deixar na rua de trás, onde já teve até roubo de carro. Além disso, percebi que as multas também aumentaram; parou um pouco, é certeza de multa.”
 
Para o vendedor em uma loja de ferramentas, José Antônio Diniz, o que prejudicou em seu comércio foi a descarga de mercadoria e, também, a queda de 15% nas vendas. “O que atrapalha é quando chega mercadoria para descarregar. Às vezes, só precisa abrir a porta e descarregar, e o guarda já multa, os motoristas ficam bravos porque precisam parar em outro lugar e trazer a mercadoria a pé. Aqui, as vendas também diminuíram, pelo menos 15%.” Diniz contou, ainda, que foi preciso fazer convênio com um estacionamento para não perder cliente, mas os que não sabem acabam passando reto. 
 
Em uma papelaria, a proprietária, Estela Paris, afirmou que não houve muita queda nas vendas, porque sua loja fica em frente a um ponto de ônibus, mas surgiu o problema com carga e descarga também. “Não mudou muita coisa para nós, já que o ponto está bem em frente à loja e aí não podia estacionar mesmo. O único problema está para carga e descarga.” Ela ressaltou que não houve reclamação de cliente, mas alguns ainda param rápido para tirar xerox e já correm o risco de multa. 
 
A Urbes informa que, após o período de orientação, não foram registradas infrações por desrespeito à faixa exclusiva da Avenida General Carneiro. 
 
 
Possível implantação nas avenidas 
Itavuvu e Ipanema gera desconforto 
 
Em dezembro, a Urbes - Trânsito e Transporte avaliou a possibilidade de implantar faixas exclusivas para uso do transporte coletivo nas avenidas Itavuvu e Ipanema, assim como noticiou o DIÁRIO, mas comerciantes não acreditam que seja um bom negócio para seus estabelecimentos.
 
Segundo a gerente de uma loja de roupas na Avenida Itavuvu, Cristiane Gabor, para o comércio, a introdução da faixa exclusiva não vai ser bom. “Eu nunca parei para pensar, mas acredito que para a loja não vai ser muito bacana, porque vai ficar mais complicado para a pessoa entrar e estacionar na loja. Acho interessante alguns lugares em que o ônibus ande só na direita, mas, para o comércio, não tenho certeza se vai ser a melhor coisa.”
 
O proprietário de uma loja de artigos em geral, também na Itavuvu, José Pereira da Silva Filho, enxerga a situação para os dois lados. “Acredito que a gente não pode olhar as coisas a partir da nossa necessidade, mas não tenho dúvidas de que vai ser um ponto negativo para a loja. Tem de ver a necessidade de quem utiliza o transporte público. Consigo ver os dois lados, acho que vai ser bom para um e ruim para outro.”
 
Em uma loja de antiguidades, situada na Avenida Ipanema, o vendedor Heleno Francisco da Silva acredita que naquela via não combina uma faixa de uso exclusivo. “Como usuário de ônibus, acho legal, mas aqui é uma área totalmente comercial; se colocar uma faixa na Avenida Ipanema, não vai ser legal para os comerciantes. Creio que nesta avenida não combina; se o comércio não vende, perde funcionário.”
 
IMPLANTAÇÃO – O total proposto na Avenida Itavuvu pela Urbes é de 7,24 quilômetros, já na Avenida Ipanema é de 6,46 quilômetros. A empresa ainda informou que não há data para a implantação. Na cidade, o sistema já opera em 1,50 km da Rua Comendador Hermelino Matarazzo, 1,40 km da Rua Comendador Oeterer e 4,40 km na Avenida General Carneiro. Com a implantação nas avenidas de estudo, a cidade somará 21 km de faixas exclusivas.
 
De acordo com a Urbes, as faixas melhoram a velocidade média dos coletivos nos principais corredores da cidade, diminuem o tempo de vigência nos horários de pico, melhoram a oferta de serviço, reduzem o custo do sistema, incentivam o aumento da demanda e inibem os acidentes.

 

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