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Diário de Sorocaba

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<< Lama avança no mar e deve superar 9km de costa Área afetada faz parte de reserva biológica usada para desova de tartarugas-marinhas

Publicada em 24/11/2015 às 01:11
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Foto: Fred Loureiro /Secom ES
A onda de lama da mineradora Samarco chegou ao oceano no último domingo (22) formando uma enorme mancha marrom que se projetava quilômetros mar adentro desde a foz do Rio Doce, em Linhares, no norte do Espírito Santo. Uma pluma inicial de água barrenta já havia atingido a costa no fim da tarde de sábado, mas o que se formou ontem foi uma mancha muito mais escura e densa.
 
A área afetada faz parte da Reserva Biológica de Comboios, uma área de proteção costeira usada para desova de tartarugas-marinhas, incluindo a tartaruga-de-couro, uma espécie criticamente ameaçada de extinção. O coordenador nacional do Centro Tamar-ICMBio, Joca Thome, sobrevoou a mancha ontem à tarde e voltou para terra visivelmente emocionado. "Nem sei o que falar. É terrível; uma calamidade", disse, após sair do helicóptero. "Parece uma gelatina marrom se esparramando mar adentro."
 
A lama percorreu 650 km de rio desde o rompimento da barragem de Mariana (MG), no dia 5 passado. O desastre chegou à costa capixaba no pico da época de desova das tartarugas. Equipes do Tamar vinham retirando diariamente da praia de Regência, distrito de Linhares, os ovos colocados pelas tartarugas, numa média de 40 ninhos por noite. O local continuará a ser monitorado para ver como as tartarugas reagem à presença da lama.
 
A previsão do Ministério do Meio Ambiente, baseada em projeções feitas por uma equipe da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), era de que a lama se espalharia por 9 quilômetros da costa do Espírito Santo. Mas os técnicos que estão acompanhando a chegada da mancha em Regência acreditam que a área afetada será muito maior. "Só o que eu vi hoje parece ser mais do que isso", disse Thome.
 
Dezenas de quilômetros rio acima, passando por Linhares e até depois de Colatina, as águas do Rio Doce continuavam marrons ontem, mostrando que há muita lama para chegar ao mar. Pesquisadores alertam que os sedimentos, independentemente de serem tóxicos, vão afetar profundamente os ecossistemas fluviais terrestres e oceânicos da Bacia do Rio Doce. 
 
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