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<< História de Otelo, de Shakespeare, é abrasileirada no palco Espetáculo retrata assuntos como a desumanidade e o racismo

Publicada em 11/11/2015 às 01:11
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Foto: Divulgação
Otelo, personagem de Shakespeare, tem sua história retratada em uma adaptação abrasileirada na peça "Otelo e a loira de Veneza ou O pancadão da traição", da Cia Lona de Retalhos, que será encenada no anfiteatro do Sesc Sorocaba, no Jardim Faculdade, nesta quarta-feira (11), às 20 horas. A entrada é gratuita.
 
Na trama, um grupo de vendedores ambulantes conta como é o cotidiano de Otelo, que na peça é um herói brasileiro, seguindo a carreira política, que trai seus valores e seus pares. Numa atmosfera de intriga, manipulação, ciúme, paixão, traição, crítica e morte, a Companhia investiga o tema da desumanidade, tocando em assuntos bastante atuais, como a questão do racismo no País.
 
O personagem Otelo pincela um cenário no qual a sociedade brasileira lida com seus heróis e a representação de suas origens, com a inevitável figura do negro, que é negado de seu lugar. A criação do figurino caminha junto com a interpretação, valorizando na encenação os momentos em que a história está sendo narrada e `manipulada' pelos vendedores ambulantes, paralelamente aos acontecimentos da vida do protagonista. Na trilha sonora, o grupo usa músicas de Wilson Simonal e jingles de campanhas políticas das décadas de 1980 e 1990.
 
INSPIRAÇÃO - Os materiais de base usados pelo grupo Cia Lona de Retalhos para a concepção deste espetáculo são "Othelo, o mouro de Veneza", de William Shakespeare, e "Auto da Paixão", de Luís Alberto de Abreu, assim como a dissertação de mestrado de Carlos Tadeu Lira Vieira, denominada "Identidades brasileiras de Otelo: o mouro de Veneza entre nós" e apresentada no programa de Mestrado em Letras da Universidade Federal de São João Del'Rei, em agosto de 2011; o livro bibliográfico "Nem Vem que não tem - A vida e o veneno de Wilson Simonal", do autor Ricardo Alexandre, e o documentário "Olhos Azuis", da socióloga Jane Elliot, um experimento pedagógico sobre o preconceito, em especial o preconceito racial, além de filmes - documentários como "Zeitgeist", "Muito além do cidadão Kane", "Crise é o nosso negócio" e "Wilson Simonal ninguém sabe o duro que dei".
 
A Cia Lona de Retalhos nasceu em 2006 da parceria entre duas atrizes que trabalhavam como clowns em um projeto de humanização hospitalar em São Paulo, Carina Prestupa e Thaís Póvoa. "Esperando Gordô" foi o primeiro espetáculo da Companhia, livremente inspirado nos personagens da obra "Esperando Godot", de Samuel Beckett. O segundo espetáculo, inspirado em "Horácios e Curiácios", de Bertolt Brecht, chama-se "A incrível batalha pelo tesouro de Laduê", que já esteve em cartaz em São Paulo, Capital e Interior, e no Paraná. Recebeu os prêmios de melhor trilha sonora e autor revelação no Prêmio Femsa de Teatro Infantil e Jovem de 2009, com seus dois espetáculos, e foi indicada em outras cinco categorias, incluindo a de melhor espetáculo infantil, com "Esperando Gordô". O grupo também foi contemplado pelo Governo do Estado de São Paulo, por meio do Programa de Ação Cultural, e assistido por milhares de pessoas em cidades do Interior e da Baixada Santista em 2011.
 
O grupo desenvolve ainda um projeto de humanização hospitalar, palestras e campanhas hospitalares de diversos temas para colaboradores na área da saúde, workshops e cursos de formação teatral. 
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