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<< Paralisação pode causar desgaste a caminhoneiros O motivo pode ser a falta de apoio das principais entidades sindicais deste setor

Publicada em 11/11/2015 às 01:11
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Foto: Agência Brasil
O presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, voltou a criticar a paralisação de caminhoneiros em rodovias brasileiras. Ele admitiu que o movimento, sem o apoio das principais entidades sindicais do setor, pode causar desgaste público à categoria. 
 
"Qualquer movimento de greve parte de pauta de reivindicação, de uma assembleia e de uma deliberação, mas muitos neste protesto sequer têm a ver com a categoria. O desgaste é grande para nós que conseguimos ganhar respeito da opinião pública, com postura transparente e livre de vinculação política", disse Bueno, citando as negociações permanentes abertas com o governo após os protestos de fevereiro deste ano.
 
FALTA DE VÍNCULO – Segundo o presidente da CNTA, os líderes do atual movimento não têm vínculo com o setor e muitos são orientados por empresas que possuem caminhões e pedem a renúncia ou o ‘impeachment’ da presidente da República, Dilma Rousseff. "Se você pede o ‘impeachment’ da presidente Dilma, com quem vai negociar? Não tem nexo e lógica esse movimento", avaliou. "Após a paralisação de fevereiro, esse pessoal não teve proposta alguma e agora ressurge com pedido de conotação política clara, que não apoiamos", completou.
 
Bueno avalia ainda que a facilidade de crédito para a aquisição de caminhões no passado recente trouxe um excedente de veículos para o setor de transportes sem que houvesse demanda suficiente. "Muita gente entrou iludida pelo ganho fácil e comprou caminhões em linhas com proposta de financiamento barato. Hoje, há um excedente de 300 mil caminhões no mercado e não há carga pra todo mundo. Não se trata de política de preço de frete, mas de excesso de oferta", afirmou. 
 
Líder do ato quer que 
o povo proteste na rua 
 
Por trás da manifestação de caminhoneiros, que começou na segunda-feira (9), em 15 Estados brasileiros, está um catarinense de 44 anos, nascido na cidade de Palmitos, que passou os últimos 16 anos em Mossoró, no Rio Grande do Norte. Ivar Luiz Schmidt é o líder do Comando Nacional do Transporte (CNT), que desafiou as principais centrais sindicais da categoria e conseguiu paralisar parte das estradas nacionais.
 
Por meio das mídias sociais, ele criou uma rede de comunicação de norte a sul do Brasil. Inicialmente foram montados três grupos em um aplicativo de celular com 300 pessoas, e cada uma delas criou as próprias ramificações. 
 
De acordo com o líder, o principal objetivo é derrubar a presidente Dilma Rousseff. "Entregamos uma pauta para o governo em 4 de março e, em oito meses, o que foi atendido é irrelevante. Por causa disso, e do clima em que se encontra o País, com inflação elevada e aumentos consecutivos dos combustíveis e da energia elétrica, achamos por bem pedir a renúncia da presidente. Não acreditamos mais que ela seja capaz de conduzir o País para fora do abismo no qual se encontra", disse.
 
Ele ainda nega qualquer filiação partidária, e afirma que as paralisações devem aumentar nos próximos dias. Schmidt diz que não é do interesse do grupo provocar escassez ou elevação dos preços de produtos no País, mas, sim, pressionar o governo e fazer com que o povo acorde.
 
"Queremos que o povo vá para a rua e nos apoie, protestem e não fiquem só nas redes sociais reclamando do governo. Se isso não ocorrer, ficará provado que o povo está gostando desse governo", avalia. Sobre os movimentos Brasil Livre e Vem pra Rua, ele destaca que a única coisa em comum é a pauta. 
 
Com chuva forte, manifestações  
perdem força no Rio Grande do Sul
 
A chuva forte que atingiu diversas cidades do Rio Grande do Sul ontem contribuiu para reduzir a intensidade das manifestações dos caminhoneiros autônomos no Estado. Segundo boletim divulgado pela Polícia Rodoviária Federal, o RS tem 11 pontos de protestos em seis rodovias federais - BR 285, BR 472, BR 116, BR 386, BR 392 e BR 293. Em nenhum deles, no entanto, há interdição da estrada. Os motoristas que decidem participar espontaneamente do ato deixam as carretas paradas nos postos de gasolina ou nos acostamentos. Com o mau tempo, diminuiu a abordagem aos colegas que passam pelos pontos de concentração.
 
Quanto às rodovias estaduais, o Comando Rodoviário da Brigada Militar reportava manifestações na RS 223, na altura da cidade de Ibirubá (noroeste), e na RS 287 em Santa Cruz do Sul (região central). Nos dois pontos, os motoristas que estão paralisados convidam pacificamente os caminhoneiros que passam pelo local a parar e se juntar ao grupo. O trânsito de ônibus, ambulâncias e carros de passeio está liberado. 
 

 

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