Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< Capela do Santíssimo da Catedral Metropolitana é restaurada Trabalho meticuloso de restauradores sacros já renovou triptico do teto, reproduzindo `Cordeiro Imoladio', `Ostensório, Hóstia Sagrada e Anjos' e `O sacrifócio de Abraão'

Publicada em 10/11/2015 às 02:11
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

Foto: Fernando Rezende
Fechada desde o final de agosto, a Capela do Santíssimo Sacramento, da Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Ponte, de Sorocaba, passa por um minucioso trabalho de restauração, dentro das obras de revitalização que há anos vêm sendo desenvolvidas na igreja-mãe da cidade e um dos principais patrimônios históricos, arquitetônicos, artísticos e religiosos da região. Tais trabalhos tiveram início, aliás, ainda no final da década de 90, quando em maior de 1998 assumiu o paroquiato da Sé o padre Tadeu Rocha Moraes, com a morte repentina de monsenhor Mauro Vallini.
 
No final da semana passada, aliás, nova importante etapa desse restauro da Capela do Santíssimo, implantada na década de 40, numa das muitas adaptações litúrgicas de nossa igreja da Catedral, construida no século XVIII para ser a segunda Matriz de Sorocaba e transformada em Catedral com a chegada do primeiro bispo dom José Carlos de Aguirre a 31 de dezembro de 1924, foi concluido, com a restauração e clareamento do triptico que decora seu teto. Ontem pela manhã, por outro lado, foram transportadas para São Paulo, à sede de O Ateliê, Arte e Restauração, as duas enormes telas - "Multiplicação dos Pães" e "Ceia dos Discípulos de Emaús" -, como o triptico de autoria do artista plástico ítalo-brasileiro Bruno di Giusti, falecido em 2011, para os trabalhos de restauração final. Ambas igualmente decoram a Capela do Santíssimo, expostas em suas paredes laterais.
 
O trabalho de restauro das obras artísticas propriamente ditas da Capela do Santíssimo começaram a 12 de outubro exatamente por esse mural a óleo que se localiza no teto e que estava coberto de fuligem, principalmente em decorrência das velas que antigamente ali eram acendidas. Além disso, esse painel central apresentava rachaduras e consequentemente perda da camada pictória.
 
A ação meticuloso trabalho dos restauradores Hernando Freire de Almeida, Rejane Ferreto D'Azevedo e Marina Brunacci Serrano (auxiliar de reparo), do Ateliê, Arte e Restauração, da Capital, especializadíssimo em arte sacra. Bruno di Giusti começou seu trabalho na Catedral de Sorocaba pelas capelas laterais em 1948, recém-chegado de Treviso, Itália. As pinturas da Capela do Santíssimo datam de 1954. 
 
O triptico do teto agora restaurado abrange as pinturas reproduzindo respectivamente o "Cordeiro imolado", "Ostensório, Hóstia Sagrada e Anjos" e "O sacrifício de Abraão", constiuindo-se num mural a óleo de 2,20x8 metros aproximadamente. Os três quadros passaram, antes do restauro, por teste de solubilidade e limpeza. Depois desse teste de solubilidade e limpeza, receberam apurada técnica de restauro com verniz de isolamento, seguido de estucagem e do trabalho de reintegração pictória propriamente dito. Os procedimentos finais de restauro incluiram controles do PH da solução de limpeza, com aplicação de verniz de proteção final.
 
O Ateliê, Arte e Restauração foi idealizado por profissionais que, após alguns anos de experiência no mercado, trabalhando em grandes empresas de São Paulo, decidiram alçar voo solo. Com uma nova visão, optaram não somente pela conservação e restauração de bens materiais com dedicação e respeito ao patrimônio cultural e artístico, mas também buscando propagar a consciência e a valorização da memóra.
 
A RESTAURAÇÃO DA CAPELA DO SANTÍSSIMO - Falando ao DIÁRIO ontem à tarde, o pároco da Catedral Metropolitana, padre Tadeu Rocha Moraes, explicou que até chegar-se a esta fase de restauro das obras artísticas existentes no interior da Capela do Santíssimo outras etapas foram sendo vencidas desde o final de agosto, como a substituição de toda a fiação elétrica e pintura de suas paredes, nos locais desprovidos de ornamentação artística. Também ali a faixa aberta em suas paredes, assim como aconteceu em toda a estrutura da Catedral Metropolitana, para tratamento dessas paredes na tentativa de, ao menos, amenizar o insolúvel problema de infiltração d'água que atinge a construção bicentenária (a igreja estava pronta e foi inaugurada em 1783), já foi dotada neste período de uma espécie de `venezianas' constituidas de lâminas de alumínio. Posteriormente, aliás, toda a igreja receberá igualmente esse sistema, buscando amenizar justamente esse crônico problema das infiltrações a afetar a Sé.
 
Ainda nesse período, informou ainda padre Tadeu, os dois lampadários de prata, assim como a porta dourada do Sacrário receberam novo banho junto à empresa paulistana Luiz Carrara, metalúrgica igualmente especializada em arte sacra, conforme indicação da Irmã Laíde Sonda, aquiteta do Congregação das Discípulas do Divino Mestre, que desde o início vem assessorando o pároco nos trabalhos de restauro e revitalização de nossa Catedral Metropolitana. Paralelamente, estão também sendo adquiridos dois castiçais sem vela para a Capela do Santíssimo, acionados por lâmpadas de led. "Não permitiremos mais o acendimento ou uso de velas na Capela do Santíssimo", pontua padre Tadeu, lembrando serem as velas a causa do escurecimento em que se encontravam as telas decorativas da Capela do Santíssimo.
 
Capela será reaberta 2ª
 
O pároco da Catedral Metropolitana, padre Tadeu Rocha Moraes, prevê reabrir a Capela do Santíssimo Sacramento à visitação e oraçãos dos fieis já na próxima segunda-feira, 16 de novembro, mesmo se o trabalho de revitalização do local não está de todo concluido. Só a restauração da parte artística da Capela do Santíssimo está orçada em R$ 21 mil, divididos em seis parcelas de R$ 3.500,00. O Ateliê, Arte e Restauração tem assim seis meses para conclui-lo, iniciando agora, depois de esticadas e remendadas no local, o restauro das telas "Multiplicação dos Pães" e "Ceia dos Discípulos de Emaús" em seus próprios estúdios na Capital, para onde foram transportadas ontem; as molduras artísticas em madeira seguiram para restauro na Carpintaria Nacional, em Vila Angélica.
 
"Vamos trabalhando de acordo com as possibilidades das receitas mensais da Paróquia da Catedral em tempos de crise", reconheceu ontem ainda padre Tadeu, estimando que as obras na Capela do Santíssimo, apesar de sua reabertura já na próxima semana, só estejam totalmente prontas depois da Páscoa de 2016, entre abril e maio. Depois disso, os rumos econômicos do País apontarão os caminhos para a sequência dos trtabalhos de revitalização da Catedral Metropolitana.
 

 

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar