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<< 'SETEMBRO VERDE': Cidade toma medidas para inclusão de pessoas com deficiência 3° Fórum de Inclusão "Pessoas com Deficiência - Além da Lei de Cotas" teve como principal enfoque driblar o preconceito

Publicada em 24/09/2015 às 02:09
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Foto: Fernando Rezende
Durante o evento `Setembro Verde', que aconteceu ontem (23) na Floresta Convenções e Eventos, no Alto da Boa Vista, a secretária de Desenvolvimento Social do Município, a médica e vice-prefeita Edith Maria di Giorgi, destacou as medidas que a Prefeitura está tomando para maior acessibilidade e inclusão de pessoas com deficiência na cidade. Segundo ela, a reforma administrativa implantada em 2013 para levantar as principais demandas desse tema e que trabalha junto ao Conselho Municipal de Pessoas com Deficiência promove encontros na linha da empregabilidade para que sejam verificadas medidas a serem tomadas. "A empregabilidade é fundamental não só pelo aspecto financeiro, que também é importante, mas para que a pessoa se sinta parte da sociedade. O maior símbolo da inclusão é dar a possibilidade da participação efetiva através da empregabilidade", asseverou ela.
 
Por outro lado, dado como projeto inicial pela Prefeitura, por meio das secretarias de Mobilidade, Desenvolvimento Urbano e Obras e de Serviços Públicos, Edith ressalta a avaliação de algumas calçadas da cidade para maior acessibilidade. "Já começamos esse projeto nas ruas do Centro, Trabalhamos forte na lei de calçadas, o que é grande problema hoje, principalmente para cadeirantes. Estamos indo aos poucos com um cronograma de prioridades. Os trajetos mais usados são os primeiros a serem refeitos", ponderou, ressaltando a contratação de uma empresa para avaliação dos prédios públicos.
 
Dando enfoque à crise econômica que também afetou de certo modo a cidade, a secretária explicou ainda que talvez faltem recursos, porém o projeto deve estar em andamento, sendo visto como prioridade. "Talvez não tenhamos recursos financeiros, mas até o final desta Administração nós gostaríamos de estar com todos os prédios acessíveis. Caso não dê certo, pelo menos o diagnostico nós teremos", afirmou.
 
Sandra Mara de Moraes, da Coordenadoria de Pessoas com Deficiência, acrescentou no evento que, para uma melhor comunicação através de Libras, a linguagem de sinais, todos os funcionários públicos serão capacitados com curso. "Não é somente pensar na acessibilidade física; as pessoas com deficiência auditava, por exemplo, também precisam de uma boa comunicação. Com início previsto para o fim deste ano, os cursos serão priorizados para aqueles que atendem o público", explicou, ressaltando que o curso terá a duração de um ano, por meio da Escola de Gestão Púbica do Município, e será oferecido para dois funcionários de cada unidade.
 
Edith entende que é necessário mudar culturamente a sociedade - e principalmente Sorocaba. "Nós ainda não internalizamos como sociedade essa necessidade de estar pensando na acessibilidade para pessoas com deficiência, isso é problema do Brasil em geral".
 
SETEMBRO VERDE - Driblar o preconceito e provar a capacidade produtiva das pessoas com deficiência foi um dos assuntos abordados no 3° Fórum de Inclusão "Pessoas com Deficiência - Além da Lei de Cotas", realizado em Sorocaba nesta quarta-feira. Na linha da campanha "Setembro Verde", promovida pela Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência, em parceria com a Federação das Apaes/Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais do Estado de São Paulo, o diretor regional da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Américo Garbuio Júnior, apresentou, por outro lado, informações e casos reais sobre os benefícios que a inclusão traz, tanto para as organizações, quanto para a sociedade: "Os benefícios da inclusão olhando para dentro da empresa e dentro da sociedade são bem relevantes. Eu vivi durante muitos anos em empresas e desenvolvi projetos de inclusão de pessoas com deficiência. Dentro a gente percebe claramente que existe um efeito colateral no sentido positivo, porque ele melhora o ambiente de trabalho, traz para outras pessoas um olhar diferente em relação aos desafios e dificuldades e promove uma união maior do time". 
 
Garbuio Jr. ressaltou também que a região de Sorocaba está dentro do contexto debatido, justamente por possuir cases relevantes, de sucesso e com iniciativas locais. "É preciso saber que nós enquanto País - e cada um na sua responsabilidade - deve investir na educação, na formação e na inclusão. Sabemos que também existem grandes dificuldades. As organizações precisam fazer seu papel social dentro da comunidade que atua", reconheceu.
 
Com dados captados através de uma abrangência regional, o gerente regional do Ministério do Trabalho, Rodolfo Pimenta Casagrande, afirmou, por sua vez, que dos 37 municípios da abrangência de sua jurisdição, com cerca de 500 organizações, 4 mil pessoas com deficiência encontram-se empregadas. Ele explicou, que segundo a cota, é necessário que 7.900 pessoas estejam trabalhando, o que representa que o número apresentado é referente a 51% desse contingente.
 
Já segundo a diretora de Recursos Humanos da empresa Flextronics Brasil, Vânia Silva, dos 10 mil colaboradores, 500 são pessoas com deficiência. "A grande verdade é que a nossa organização abraçou isso não mais como cumprimento de lei, mas colocou o coração e acredita que a inclusão faz parte do nosso dia-a-dia. Nós não queremos olhar e pensar: `Olha, eu tenho tantos com deficiência nesta área e tantos nesta'. Nós queremos olhar todos como colaboradores, não importa se são deficientes ou não", registrou.
 
A gerente de RH da sede do Grupo em Sorocaba, Lucrécia Medeiros, foi mais longe, informando que na cidade 272 colaboradores da Flextronics possuem deficiência. "É uma oportunidade para todos. A empresa tem um grande investimento em treinamento de pessoas e profissionais. Tudo isso é aproveitado no recrutamento interno", afirmou.
 
OPORTUNIDADE - "Não existe satisfação maior de poder trabalhar em um lugar e não ver limitações, embora elas existam, como no meu caso que é ser cadeirante, mas a empresa está aberta a ser sem limitações, tanto para o crescimento profissional, como para o convívio diário", testemunhou durante o Fórum da Campanha `Setembro Verde' o operador de produção Fernando Vieira, 38 anos. E destacou que, mesmo com todos os problemas e dificuldades, conseguiu se aperfeiçoar e buscar experiências novas: "Sempre pensei comigo que, se eu faço parte da sociedade, vou viver dentro dela. Quero trabalhar, vou estudar e fazer o que eu quero fazer. Sempre tive resistência quando entrava em alguns lugares e minha luta sempre foi conseguir entrar no mercado de trabalho. A empresa eu posso dizer que me abraçou e que não estou sendo um lá dentro, mas sim o time... estou fazendo parte dele".
 
Para Vieira, as dificuldades que enfrentou atualmente não existem mais. "Hoje eu vejo que as dificuldades que tive anos atrás estão diminuindo. Quem nasce hoje não sentiria muito, porque as empresas estão abertas para contratação de deficientes", concluiu.
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