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<< GREVE NO SERVIÇO FEDERAL: Paralisação está de volta nas duas agências do INSS e prejudica segurados Luta dos previdenciários é por reajustes em seus salários, congelados desde 2010

Publicada em 07/08/2015 às 02:08
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Foto: Fernando Rezende
As duas agências do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) em Sorocaba continuam com atendimento parcial, diante do movimento grevista que mobiliza trabalhadores previdenciários dedd todo o País por reajustes salariais - os vencimentos da categoria, assim como de outras ligadas ao Serviço Público Federal estão congelados desde 2010. A sede localizada na rua Dr. Nogueira Martins, no Centro, está atendendo apenas perícia médica e alguns agendamentos. Já na agência do início da avenida Itavuvu, na Zona Norte, apenas perícias médicas são realizadas. 
 
O atendimento parcial em ambas as agências está prejudicando bastante segurados que procuram a Previdência, como é o caso do técnico em segurança do trabalho Carlos Rathsan. "Estava agendado para hoje meu acerto de vínculo. Cheguei com uma hora de antecedência e tenho que voltar para casa, ligar no número 135 e tentar reagendar por causa da paralisação. Eu sabia da greve, mas não sabia dessa restrição no atendimento. É muita burocracia", desabafava ontem. A esposa de Rathsan, Maria Cristina Toniolo Rathsan, também acabou prejudicada com a situação. "Eu pedi folga no trabalho hoje só para acompanhá-lo e está sendo um dia perdido", lamentava. 
 
Janaína Lopes Abade também precisou voltar para casa sem o atendimento necessário junto à agência local do INSS (Centro). "Vim aqui no dia 3 de julho dar entrada no auxílio reclusão. Tive que aguardar 30 dias para chegar o cartão. Dia 3 deste mês deu o prazo e eu estou voltando, porém a funcionária me disse que o cartão não chegou e também não tem previsão de chegar por conta da greve. É um absurdo, porque a gente precisa e eles entram em greve", lamentava-se igualmente revoltada.
 
De acordo com o diretor local da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps), José Rubens Decares, a greve nacional, que começou no dia 7 de julho, já conta com a adesão de 85% dos servidores do País. Na região de Sorocaba, segundo ele, o atendimento junto à Previdência Social é parcial. "A Comissão de Greve percorreu a região e outras cidades também acabaram aderindo o movimento", comemorou. 
 
Itapetininga, Salto, Itu, São Roque, Votorantim e Itapeva estão entre as cidades da região que, junto com Sorocaba, engrossam a paralisação dos previdenciários. "Todos esses municípios com atendimento parcial. A pericia médica, porém, é normal", reconhece Decares. 
 
MANIFESTAÇÕES EM DEFESA DE SALÁRIO MELHOR - Os servidores federais em greve, como voltou a esclarecer ontem Decares como representante sindical dos previdenciários, reivindicam reposição salarial da parcela acumulada desde 2010, que chega a um reajuste de 27,03%, parcelado em quatro anos, até 2018, melhores condições de trabalho para atendimento à população e também a incorporação das gratificações salariais, bem como a abertura de Concurso Público com um total de 15 mil vagas pelo INSS. Para o final da tarde desta quinta-feira, os servidores previdenciários paulistas programavam, inclusive, uma nova ruidosa manifestação na Capital, com início na praça da República e término em frente à Superintendência Estadual do INSS em São Paulo. 
 
Para esta sexta-feira (7), o Comando de Greve do INSS convoca os servidores para Assembleia Estadual na sede do Sinsprev, também em São Paulo, a partir das 15 horas. Para a próxima semana, Decares antecipa que, entre os dias 10 e 12, caravanas de previdenciários de todo o País também seguirão a Brasília, para pressionar a presidente Dilma Roussef a conceder o pleiteado reajuste salarial escalonado, já aprovado pelo Conhresso Nacional, à categoria.
 
TEMPO INDETERMINADO - De acordo com o diretor regional do Sinsprev, Marcelo Gomes de Santana, a greve continua até que algo seja negociado. "Nós vamos permanecer até que o mínimo, pelo menos, seja negociado", declara.
 
Decares, dev sua parte, acrescenta que nada faz os previdenciários recuarem. "Eles negociam com o Judiciário e com a gente nada. Queremos apenas a reposição do que perdemos e eles estão sendo arrogantes. Querem confronto", conjectura, lembrando que o próprio atual ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, já foi um sindicalista. "Ele começou com a gente, foi dirigente do nosso Sindicato e, agora, não ajuda os colegas. Pelo contrário, ele procura a Justiça para isso. Uma atitude grotesca da parte dele", protesta Decares. 
 
O último balanço realizado pela Previdência Social registrou nesta quarta-feira (5) que 6.412 servidores em todo o País, representando 19,7% da categoria, aderiram à greve. Contudo, num total de 1.605 agências, 880 (ou 54,8%) estão com atendimento parcial, enquanto 290 (18,1%) estão totalmente paralisadas. Em São Paulo, das 264 agências, 141 estão parcialmente funcionando e 36 encontram-se fechadas totalmente. 
 
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