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<< Meta do 'novo PMDB' é conquistar Presidência Os líderes do partido traçaram um projeto para ter um candidato forte na disputa pelo Planalto

Publicada em 07/07/2015 às 01:07
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Com ou sem Dilma Rousseff, o PMDB decidiu que vai trabalhar para se manter no poder a partir de 2018, mas trocando o Palácio do Jabuti, sede da Vice-Presidência, pelo do Planalto. A despeito da crise que engole a atual gestão da presidente e dos rumores de encurtamento do mandato dela, os líderes peemedebistas traçaram um projeto para ter um candidato forte na disputa pela Presidência daqui a três anos e meio.
 
Se Dilma permanecer até o fim de seu mandato, o caminho do PMDB rumo ao Planalto passará pelas gestões de Renan Calheiros (AL) e de Eduardo Cunha (RJ) nos comandos das duas Casas do Congresso e pela administração do prefeito Eduardo Paes no Rio de Janeiro, sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Antes de falar em nomes, a cúpula peemedebista acha que precisa utilizar essas três frentes para imprimir uma imagem de partido pragmático, capaz de criar um terceira via entre a polarização tucano-petista das últimas décadas.
 
A intensa agenda imposta por Cunha e Renan no Legislativo, aliada ao sonhado sucesso dos Jogos, daria ao partido a oportunidade de construir um discurso realizador em 2018. Se isso der certo, o mais provável é que Paes e Cunha disputem a indicação para ser o candidato. Até lá, Cunha e Renan devem trabalhar para manter Dilma fragilizada, pois uma presidente fraca significa um Executivo fraco, o que abre espaço para um Legislativo forte, avaliam. A estratégia dos dois é desgastar Dilma mediante sucessivas derrotas no Congresso.
 
A pauta de Cunha e de Renan busca o apelo popular, setorial e federativo. Enquanto isso, Cunha cresce e se consolida como o "anti-PT". Segundo apuração, ele encomendou uma pesquisa de intenção de voto para presidente na qual aparece com 5%. Esse porcentual aumenta quando o nome do PSDB é Geraldo Alckmin (SP), e não Aécio Neves (MG). No caso de Cunha, porém, antes de qualquer pretensão eleitoral, ele tem de ser inocentado na investigação dos desvios e da corrupção na Petrobrás, em que é acusado de ter recebido dinheiro do esquema. Quanto a Renan, também implicado nesse caso, o próprio partido avalia que ele tem uma imagem desgastada.
 
SERRA E EMPRESÁRIOS - Outra alternativa discutida dentro do PMDB inclui uma aproximação com o senador José Serra (PSDB-SP). Veterano em disputas presidenciais (ficou em segundo em 2002 e em 2010), ele garantiria ao PMDB uma candidatura competitiva e agregaria ao partido, ao qual já foi, inclusive, filiado, o discurso da "experiência" para lidar com momentos de turbulência política e econômica - o PMDB ainda precisa conquistar a confiança do empresariado nacional.
 
PRÓXIMO ANO COMO LABORATÓRIO - O discurso separatista cada vez mais forte do PMDB já começa a apresentar reflexos no mapa eleitoral que se desenha nas capitais para 2016. Se em 2012 a legenda marchou ao lado do PT em oito capitais no 1º turno, esse número deve cair ao menos 50% no próximo ano. Levantamento em todas as 26 capitais brasileiras mostra que a tendência é de que haja aliança em quatro delas. Em 15, PT e PMDB devem ficar em lados opostos. A situação é indefinida em sete capitais. O vice-presidente, Michel Temer, presidente nacional do PMDB, defende cautela antes do rompimento e ainda analisa as reais condições de vitória.
 
CRISE POLÍTICA - Michel Temer negou ontem, em entrevista, que haja uma crise institucional no governo, rebateu as críticas de que deveria deixar a articulação política e as declarações da oposição de que o governo de Rousseff pode terminar antes do fim de seu mandato. Segundo Temer, não há crise política no País e a relação entre o governo e o Congresso Nacional é boa, comprovada pela aprovação da maioria das matérias do Executivo enviada ao parlamento, entre elas as medidas do ajuste fiscal. Temer diz que “impeachment” é algo impensável e que Dilma está tranqüila.
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