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Diário de Sorocaba





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<< Palhaços levam brincadeiras para crianças internadas na Santa Casa Apaixonados pelo nariz vermelho, compartilhar felicidade é algo que os motiva a continuar o trabalho

Publicada em 05/07/2015 às 02:07
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Foto: Fernando Rezende
Milhares de gargalhadas, abraços, festa e muitas fotos. Assim são recebidos os “doutores palhaços”, da Cia. Anjos da Alegria, pelas crianças internadas na pediatria da Santa Casa de Misericórdia de Sorocaba.
 
“A alegria cura! É o remédio para qualquer doença. Eles são a melhor visita que poderíamos receber”, conta emocionada Maria Letícia Fidélis, avó e acompanhante da paciente Sarah Cristina Fidélis, de 4 anos. Internada há alguns dias com suspeita de apendicite, Sarah não hesitou em pular e cantar com a visita. A avó, de 42 anos, conta que a menina é esperta e fica feliz em ver a neta reagindo bem com a presença dos palhaços. “Um abraço, um 'eu te amo' ou qualquer coisa que traga alegria faz um bem enorme para a própria pessoa. Esse trabalho que eles realizam é maravilhoso. Estou muito feliz e surpresa”, afirma Maria.
 
Tentar tirar um pouco da dor e colocar no lugar um grande sorriso é a missão da Cia. Anjos da Alegria. 
 
Formada, atualmente, por um corpo de 25 voluntários que atuam em diversas áreas, o grupo traz, há sete anos, brincadeiras e músicas combinadas com prestígio e amor aos pacientes da Santa Casa, onde atuam uma vez por semana.
 
A mãe social, Márcia Melo, que acompanha a paciente Camille, de apenas 2 anos, e que está internada há 44 dias, diz que espera ansiosa pelas quartas-feiras. “As crianças ficam revoltadas aqui, é muita medicação e injeção. A visita nos leva para fora do hospital, tira aquele ar de tristeza e faz com que as crianças voltem para casa por algumas horas. É muito bom!”
 
TRANSFORMANDO SORRISOS - O que para muitos parece ser tarefa difícil, para o grupo de “doutores palhaços” os obstáculos e dificuldades não são grandes vilões. Apaixonados pelo nariz vermelho, compartilhar felicidade é algo que os motiva a continuar o trabalho.
 
Conhecida como "doutora Biriba", a estudante de Fisioterapia, Vanessa Carvalho, 23 anos, atua na Cia. há quase dois anos e afirma que o trabalho voluntário é algo gratificante. “É um sentimento que não conseguimos explicar. Geralmente, eles estão tristes, com dor e sem esperança. Quando escutam a gente chegando, sem ao menos nos ver, só ouvir, já começam a sorrir. As crianças saem correndo ao nosso encontro pelos corredores. É emocionante”, relata.
 
"Biriba" conta, ainda, que a roupa do tradicional palhaço de festa não faz parte do repertório do grupo. “Aquele palhaço de festa não é o nosso perfil. Nós usamos maquiagem simples, nariz vermelho e jaleco branco. A nossa intenção não é entrar no quarto totalmente vestidos de branco e passar a impressão do médico que veio curar com medicamento ou cutucar com agulha. Nós somos doutores palhaços que vamos curar com sorrisos, carinho e brincadeiras.”
 
Já Maria Vales, 59 anos, chamada na equipe de "doutora Ricota", enfatiza que, quando chegam ao hospital, todos os problemas desaparecem, inclusive os pessoais. “O mais gostoso é que, quando saímos das nossas casas tristes, com algum problema, tudo desaparece quando chegamos aqui; parece que estamos em outra dimensão. Nós tentamos trazer alegria, mas, muitas vezes, a alegria das próprias crianças, quando nos olham, também nos transforma.”
 
“Ricota” explica que, de todas as palhaçadas, fingir ser um médico engraçado é algo que deixa as crianças tranquilizadas. “A intenção é essa mesmo, não parecer ser um médico de verdade. Levamos fita métrica para medir a pressão.” Ela comenta também que, para curar com alegria, todos os voluntários são formados em “besterologias” - termo que criaram para as atividades e palhaçadas que fazem ao longo das visitas. “Somos médicos ‘besterologistas’. As crianças querem abraçar e tirar fotos como se nós fôssemos realmente artistas, e não pessoas normais. Isso tudo é muito bom.”
 
CIA. 'ANJOS DA ALEGRIA' - A fundadora e presidente da Cia., Maria José Macedo, 62 anos, ressalta que o objetivo da Cia. é levar amor e alegria com a missão de transformar a dor em grandes sorrisos. “Ser palhaça me realiza. O palhaço é algo muito sério. Ele é psicólogo, educador e transmite coisas positivas para as pessoas, inclusive para aqueles que se encontram em situação de abandono ou enfermos.”
 
Inspirados no trabalho da organização Doutores da Alegria, que atua nos hospitais da cidade de São Paulo, a Cia. foi criada devido à carência de atividades com esse intuito em Sorocaba. “Eu sempre trabalhei com eventos no Gpaci e já fazia parte de um grupo na minha cidade em Recife. Quando vim para Sorocaba, senti falta de atuar como palhaça e decidi criar o grupo”, explica Maria.
 
No começo das atividades, o grupo, que atuava apenas dentro de entidades necessitadas e asilos, a fim de participar dos treinamentos oferecidos pelos Doutores da Alegria, passou também a trabalhar nos hospitais da cidade, entre eles o Hospital Regional e Santa Casa de Misericórdia.
 
A presidente conta, ainda, que deixou muitas coisas para viver apenas do trabalho voluntário. “Quando não estou fazendo algo social, sinto muita falta porque isso me traz conforto e satisfação. É uma verdadeira paixão, tenho um amor incomparável pelo que eu faço”, reforça.
 
Com mais 35 voluntários, que estão em fase de treinamento, a Cia. contará, a partir de agosto, com um grupo de 60 pessoas, que passarão a atuar dentro de mais três hospitais da cidade.
 
Maria José diz que a Cia. Anjos da Alegria realiza quatro visitas semanais, além das atividades trabalhadas em outros municípios, como teatro e música. “Fora isso, na época de festas, as visitas aumentam. Nós nos fantasiamos a caráter e enfeitamos os locais. Agora com os novos voluntários, teremos outras novidades. A equipe cresceu”, conta entusiasmada. 
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