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<< Famílias lutam para permanecer em estação de trem Prazo para desocupação venceu no começo deste mês

Publicada em 21/05/2015 às 02:05
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Prestes a ser despejadas, nove famílias que ocupam seis imóveis da União -  um deles a antiga estação ferroviária do bairro -, área pertencente à Estrada de Ferro Sorocabana, em Brigadeiro Tobias, ainda podem ter esperanças de obter a casa própria e a prorrogação do prazo para a desocupação até 2016.
 
Por ocuparem uma área de risco, a América Latina Logística (ALL) conseguiu na justiça um mandado de reintegração de posse. Portanto a data para a desocupação das moradias, primeiramente, foi para o dia 13 de dezembro de 2014. Contudo, sem ter para onde ir, as famílias recorreram ao vereador Muri de Brigadeiro (PRP). 
 
A pedido dele, a assistente social Gilberta da Costa Santos, que passou a cuidar do caso, conta que o prazo de reintegração foi estendido até o primeiro dia deste mês. Segundo ela, as nove famílias estão inscritas no programa "Minha Casa, Minha Vida", que sorteou 2.576 apartamentos no último dia 16. 
 
Com a data do prazo vencida e apenas uma das famílias sorteada para o programa habitacional, a luta agora é para que o prazo para a desocupação da área seja prorrogado até março de 2016, data em que os munícipes contemplados passam a ocupar os apartamentos sorteados. Gilberta ressalta que as outras oito famílias também serão presenteadas, segundo informações da Secretaria da Habitação e Regularização Fundiária. 
 
Ciente da situação enfrentada pelos moradores, a pasta solicitou à direção da ALL a suspensão temporária do processo de reintegração de posse. A concessionária informa, por meio de nota, que aguarda a realocação das pessoas pelo município para dar prosseguimento à ação de reintegração de posse.
 
MEDO E DESESPERO - Maria Aparecida Machado mora no local há 19 anos. Ela conta que foi tudo muito rápido e lamenta não ter para onde ir. “Eles chegaram aqui pedindo para sair e deram prazo de 15 dias. Para onde vamos em 15 dias?”, comenta inconformada.
 
Já Maria de Lourdes Bicudo é moradora da área há 20 anos. Ela explica que ficou doente quando soube da ordem de despejo. “Passei mal e meu filho, que já tem problemas, entrou em depressão. Ninguém pode chegar aqui e tirar a gente da nossa casinha”, lamenta.
 
Com 19 anos e mãe de dois filhos, um com problemas de saúde e outro recém-nascido, Elisângela Silva Rodrigues conta que, no final da sua gestação, ficou sabendo sobre a desocupação. Com gravidez de alto risco, ela alega que passou mal por conta do desespero. “Meu marido tinha acabado de arrumar emprego e eles disseram que era para a gente sair porque não teria outro prazo. Se ninguém saísse, eles não iam se responsabilizar mais.” 
 
Ela ainda comenta que nenhum morador da área tem condições de pagar um aluguel. “Eu perguntei para o oficial que veio aqui onde nós íamos morar, ele disse que não podia fazer nada." Com medo, Elisângela ressalta que todos ficaram desesperados. “Meu medo era parar na rua grávida e com um filho doente. Nem ponte tem aqui para morar debaixo”, exclamou. 
 
Procurada para explicar sobre a possibilidade de as famílias serem contempladas no programa "Minha Casa, Minha Vida", a Secretaria da Habitação e Regularização Fundiária não respondeu até o fechamento desta edição. 
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