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<< Em novo manifesto, professores alegam atribuição de notas a alunos durante greve Educação afirma que não dá notas bimestrais de forma aleatória

Publicada em 20/05/2015 às 03:05
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Cerca de 20 professores da rede estadual de ensino fizeram novo protesto na manhã desta terça-feira (19), em frente à Diretoria de Ensino, na Rua Cesário Mota, no Centro. A movimentação começou por volta das 9 horas e os docentes permaneceram em concentração no local.
 
De acordo com o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o novo movimento, além de ser decorrente da contínua solicitação no atendimento das reivindicações passadas, que buscavam o aumento de 75% no salário dos professores da rede estadual, melhores condições de trabalho e a abertura de salas de aula fechadas em consequência da superlotação, desta vez, também denunciava a atribuição de notas aos alunos no primeiro bimestre, a utilização de professores eventuais nas aulas de docentes grevistas e a tentativa de intimidar professores contratados com ameaças no rompimento de contrato aos que aderem à greve. 
 
Professora do ensino público há oito anos, Luciana Leme dos Santos conta que agora o aumento do salário não tem tanta importância e que a luta é pelos alunos e por uma educação de qualidade. “Eu tenho oito turmas e, segundo a secretária da escola, com a ordem da direção, foi atribuído nota aos meus alunos sem que eles tivessem contato com o professor da disciplina. E os estudantes e os pais estão revoltados, alguns tiveram nota cinco. Isso é desumano”, comenta.
 
Luciana ressalta que teve o salário cortado e que recebeu em sua residência uma carta alegando que seu contrato havia sido rompido pelas faltas injustificadas. “Está protocolado assim que entrei em greve e, inclusive, está assinado pelo dirigente regional. É um direito meu.” O advogado dos professores entrou com um protocolo de mandado de segurança e, segundo ela, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tem até dez dias para entrar com algum recurso. Caso contrário, deverão ser pagos os 15 dias de salário atrasado. 
 
Professor da rede estadual desde 1996, Milton Pessoa Júnior comenta que a greve é um direito de mostrar a insatisfação. “A greve foi deflagrada pelo Sindicato e só eles podem acabar com a ela. Nós temos uma assembleia no próximo dia 22 (sexta-feira) e esperamos uma contraproposta do governo; ele que apresente índices e não uma proposta indecente.”
 
Nesta quinta-feira (21), segundo Pessoa, os professores devem fazer um novo manifesto. Desta vez em frente à Diretoria de Ensino da cidade de Votorantim. A Apeoesp afirma ter protocolado uma denúncia contra a Secretaria da Educação. No documento, também alega que o fechamento de 102 salas de aulas nesta diretoria de ensino ocasionou a superlotação de muitas outras. “O máximo de alunos no Ensino Fundamental é de 35 e no Ensino Médio, 40. Qualquer número superior é superlotação. Solicitamos o desmembramento de toda sala de aula que esteja superlotada.”
 
EDUCAÇÃO – A Secretaria da Educação do Estado, por meio de nota, diz lamentar que, mais uma vez, uma das seis entidades que representam o magistério tenha decidido manter uma greve isolada, que, segundo a pasta, objetiva promover seu calendário de mobilizações políticas e nitidamente contaminadas por interesses incompatíveis com o momento econômico atual. Afirma, ainda, que dados oficiais mostram que, na ponta, o índice de comparecimento dos professores está em 95%, endossando que a maioria segue comprometida com o direito inquestionável que os alunos têm de aprender.
 
“É uma inverdade afirmar que as escolas estaduais estão aplicando avaliações aos alunos e dando notas bimestrais de forma aleatória. O Sindicato sequer consegue apontar em quais escolas e turmas isso vem acontecendo. As ausências, como de praxe, têm sido supridas com os mais de 35 mil professores eventuais. Estes profissionais, abastecidos com os planos de aula e com materiais didáticos, são acionados de maneira rotineira para levar o conteúdo à sala de aula, assim como têm condições de verificar o desenvolvimento dos alunos, o que é fundamental para o progresso dos estudantes. Sobre a denúncia de que há contratos de docentes sendo rompidos pelo fato dos mesmos participarem da greve, não nos foi informado o nome desses professores para que pudéssemos apurar a situação”, diz trecho da nota.
 
NOVA MULTA - Uma decisão da juíza Laís Helena Bresser Lang Amaral, proferida no final da tarde de segunda-feira (18), sequestrou R$ 300 mil dos cofres da Apeoesp por conta do fechamento de rodovias no início do mês. No despacho, a juíza informa também que, caso o sindicato não tenha recursos para pagar a multa, a Justiça pode bloquear as contas dos dirigentes da entidade.
 
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