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<< Mulheres sofrem por não estarem mais tão presentes no dia a dia dos filhos Algumas deixam a profissão de dona de casa em busca de um futuro melhor para as crianças

Publicada em 10/05/2015 às 03:05
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Conciliar a missão de ser mãe e trabalhar fora não é tarefa fácil (Foto: Fernando Rezende)
Está comprovado que, depois que se torna mãe, uma mulher nunca mais é a mesma. O corpo, a cabeça, tudo muda e a maternidade floresce instintos até então desconhecidos. Uma dessas novas aptidões é o da “mãe leoa”, aquela que é capaz de tudo para proteger sua "cria" e visa ao melhor para ela, mesmo que isso signifique não estar tão próximo quanto gostaria. Quem precisa conciliar a missão de ser mãe e trabalhar fora a tantos outros papéis ao mesmo tempo, sabe que essa não é das tarefas mais fáceis.
 
É preciso abrir mão do convívio 24 horas por dia com os filhos, deixá-los em creches, aos cuidados de outras pessoas, mesmo que, geralmente, a vontade seja totalmente contrária. Além de já sofrerem com esta decisão, muitas mães são julgadas por optarem por trabalhar ao invés de ficarem em casa. Segundo dados divulgados em outubro de 2014 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres estão se tornando chefes de família em mais domicílios do País. Em 2000, elas comandavam 24,9% dos 44,8 milhões de domicílios particulares; já em 2010, essa proporção cresceu para 38,7% dos 57,3 milhões de domicílios, um aumento de 13,7 pontos percentuais. A análise engloba uma década e compara dados dos censos de 2000 e 2010.
 
Mães que decidem entrar no mercado de trabalho sofrem no começo da separação com os filhos. Thamires Gomes, mãe do pequeno Luiz Gustavo, de 1 ano e 5 meses, diz não ter se acostumado com a situação ainda, mesmo tendo passado quase um ano desde que optou por colocá-lo na escolinha pela primeira vez. E diz que o começo é sempre o mais complicado. “Na primeira vez em que o Luiz foi para escolinha, ele tinha apenas 4 meses; foi difícil, pois era pequeno, e eu ainda o amamentava. Para mim foi uma fase complicada e eu, então, acabei saindo do trabalho pra cuidar dele”, afirmou.
 
Contudo foi pensando no bem do seu filho e no desenvolvimento e aprendizado dele que Thamires voltou a trabalhar. Segundo ela, esta decisão não foi benéfica apenas para a criança, como para ela também. “Eu sinto falta, mas sei que, para ele crescer bem, aprender a dividir com os amiguinhos, faz toda a diferença. Sinto saudades o tempo todo, fico lembrando do sorriso dele, mas, às vezes, nós mães precisamos de um tempo só para nós, trabalhar é uma boa distração porque, particularmente, ficar somente em casa cuidando só do Luiz me estressava um pouco porque eu não tinha o meu momento.”
 
Apesar de já ter passado a mesma situação, anos atrás, com seus dois filhos mais velhos, Patrícia Souza, mãe de três meninos, diz estar sofrendo com a distância do mais novo, de 1 ano, por conta do trabalho. “Ele tinha apenas 4 meses e eu já estava extremamente acostumada com a rotina dele, foi ‘tenso’, principalmente porque queria muito curtir cada segundo com ele”, revela.
 
Segundo Patrícia, a parte mais difícil é justamente não querer estar longe; querer dar o banho, a comida, pôr para dormir, trocar a fralda, querer cuidar e não poder. Mas ela acredita estar fazendo o melhor pelos seus filhos. “Não tem um segundo do dia que não penso no meu pequenininho. Ele chegou à minha vida em uma hora que eu precisava muito e preencheu tudo o que me faltava, então cada segundo sem ele vira uma eternidade.”
 
Para a psicóloga infantil, Helen Faulin, nos dias de hoje, as mulheres, além de serem mães, desenvolvem outros papéis. A profissional vê as escolinhas como algo comum, porque, na necessidade, é preciso de alguém capacitado para suprir a falta da mãe. “Mas é necessário um cuidado também emocional. A criança precisa do afeto, que o constituinte do seu desenvolvimento, de um olhar atento às necessidades dela, que não são só fisiológicas. Se estiver alguém que possa fazer isso, a criança não terá perdas”, explica.
 
Helen Faulin ainda comenta que pode não ser saudável para as mães exercer apenas a maternidade, pois elas ficam envolvidas com outras coisas, que não as dela, e a criança não é estimulada a se desenvolver. “Algumas crianças que ficam na escolinha ou com outras crianças conseguem lidar melhor com a frustração, manejar melhor os conflitos e ficar mais independentes. A grande sacada é o meio-termo.” 
 
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