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<< Movimento analisa viabilidade de novos protestos contra o governo Manifestação do último domingo (12) reuniu duas mil pessoas; organizadores agradeciam aos pais por terem levado seus filhos e mostrado a importância da conscientização política

Publicada em 14/04/2015 às 01:04
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Público protestou contra o governo Dilma e a corrupção (Foto: Bruno Cecim)
Com a fraca participação popular no protesto contra a presidente Dilma Rousseff (PT) em Sorocaba, o Movimento Brasil Livre (MBL) analisa se é viável novas mobilizações, adianta Robson Freitas, um dos dirigentes do MBL. No domingo (12), cerca de duas mil pessoas participaram do ato, segundo a Polícia Militar (PM). O número é inferior aos 35 mil que estiveram na primeira manifestação, no dia 15 de março. O ato começou pouco depois das 16 horas na Praça da Amizade, em frente ao Estádio Municipal “Walter Ribeiro” (CIC), e seguiu até o Parque das Águas, no Jardim Abaeté. 
 
Robson Freitas, um dos integrantes do MBL, disse que não há, no momento, novas datas para manifestações, já que acredita ser necessária uma reavaliação “do calor das discussões, após a fraca participação popular no protesto”. A manifestação pacífica foi composta em sua maioria por famílias, que vestiam verde e amarelo. Além de carregarem a Bandeira Nacional, os manifestantes traziam faixas e cartazes que pediam o “impeachment” da presidente e o fim da corrupção. 
 
Na frente dos manifestantes, um trio elétrico com os organizadores do MBL tocava músicas. O fato de as famílias levarem crianças ao protesto foi enfatizado, durante toda a manifestação, pelos organizadores, que agradeciam aos pais por terem levado seus filhos e mostrado a importância da conscientização política. Cerca de 60 policiais militares acompanharam a passeata. Nenhuma ocorrência foi registrada. A organização do evento chegou a anunciar cinco mil pessoas, mas, após a divulgação dos dados da PM, concordou com os números. De acordo com Freitas, o Movimento não tem métodos para calcular, com precisão, o número de pessoas participantes do ato. 
 
Um grupo de pessoas que levou uma faixa pedindo a intervenção militar foi criticado pelos organizadores e vaiado pelos demais participantes. O organizador que falava ao microfone pediu diversas vezes para que o grupo abaixasse a faixa, enfatizando que esse tipo de intervenção não era o propósito do protesto. Para evitar confusão, os manifestantes abaixaram a faixa por um determinado momento, mas, em seguida, levantaram-na de novo, reivindicando o direito de protestar.
 
A pouca adesão da população foi comentada pelos idealizadores da mobilização. O concurso público da Prefeitura de Sorocaba, que teve cerca de 49 mil candidatos, foi apontado como um dos motivos pela baixa participação popular. Ao fim do protesto, a organização do MBL acusou o PT de censurar os eventos no Facebook relacionados às mobilizações, dificultando o mecanismo de convites.
 
Apesar de a organização do protesto ter agradecido ao público a presença nas ruas, o clima após o manifesto foi de frustração para alguns dos organizadores. Um dos integrantes, Ítalo Moreira, 23 anos, diz que ficou desanimado com a pouca adesão, mas que o movimento não vai parar. “A gente fez a nossa parte, mas depende do coração do povo. Se o povo não fizer a sua, a tendência é de que o País continue assim”, lamenta o organizador.
 
O MBL previa que a participação popular de domingo superasse a do dia 15 de março. O governo federal, por sua vez, já esperava um público menor nas manifestações, após a monitoração das redes sociais ao longo da semana, quando constatou pouca movimentação nas discussões contra o governo. 
 
Moreira enfatiza que o MBL não busca só o “impeachment” da presidente. “A gente quer a investigação do BNDES, como aquele contrato secreto no porto de Cuba, do dinheiro que vai para os médicos cubanos e o fim do Foro de São Paulo.” O organizador completa afirmando que, em uma democracia, qualquer regime totalitário que viole a Constituição Federal deve ser investigado, e confirmou que o MBL seguirá fazendo protesto ainda que não haja datas. 
 
O médico Maurício Aguiar de Paula, 44 anos, não só defendeu o “impeachment” da presidente, mas também a anulação da eleição. “Foi uma eleição fraudada; não só por suspeita na urna eletrônica, mas também por causa do estelionato eleitoral.” O representante comercial, Ronaldo Aparecido Finotti, 55 anos, esteve nas duas manifestações com a família e culpou o governo federal pela situação econômica do País. “As indústrias fechando, impostos altíssimos, cada vez menos empregos e nós estamos vivendo esta situação sem nenhum político tomar alguma atitude.” Ele afirmou, ainda, que estará em todos os protestos contra o governo. 
 
Sobre a pouca participação, a aposentada Vera Alves, 57 anos, acredita que o movimento foi censurado. “Eu garanto que teria bem mais gente aqui”, completando que também irá em outras manifestações que possam ocorrer. 

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