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Diário de Sorocaba





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<< Sindicato acata ordem da Justiça e suspende greve das merendeiras Funcionárias protestam contra parcelamento de pagamento de multas

Publicada em 09/04/2015 às 09:04
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As merendeiras se concentraram em frente à sede do sindicato (Foto:Fernando Rezende)
O Sindicato dos Trabalhadores em Refeições de Sorocaba (Sindirefeições) suspendeu, nesta quarta-feira (8), até o próximo dia 14, a greve das merendeiras, firmada durante manifestação da categoria em frente ao Paço Municipal, na última terça-feira (7). A suspensão foi motivada pela determinação do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), que concedeu liminar à Prefeitura de Sorocaba, garantindo o atendimento na rede municipal de ensino com 70% do quadro de trabalhadoras. A ordem está valendo desde terça-feira e, em caso de descumprimento, o sindicato terá de arcar com multa de R$ 1 mil para cada funcionária. 
 
O fim da greve não agradou parte das 150 merendeiras, que se reuniram ontem na sede do Sindirefeições, no Centro, em uma assembleia. A categoria deveria se encontrar ontem na Praça Frei Baraúna, para uma manifestação, contudo, com a liminar do TRT, concentraram-se no prédio do sindicato e disseram que esperariam o vereador Carlos Leite (PT) manifestar-se. O petista faz parte da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Merenda.
 
O encontro não foi aberto à imprensa e durou cerca de uma hora e meia. Aos poucos, as servidoras começaram a deixar a conferência e se juntaram em frente ao prédio do sindicato. Uma merendeira deixou a reunião carregada por outras participantes da assembleia. De acordo com funcionários do Sindirefeições, ela passou mal devido à aglomeração de pessoas no auditório. 
 
A merendeira Neusa dos Santos afirmou ter sido demitida de um Centro de Educação Infantil (CEI) e, até o momento, tinha recebido as multas pelos atrasos nos depósitos do vale-transporte pela empresa ERJ Administração e Restaurantes, que presta serviço à Prefeitura. “Essa multa é de R$ 83 e ainda querem parcelar em três vezes.” A funcionária criticou o Sindirefeições dizendo que a categoria “não é representada”. Já a direção da entidade adiantou que nem todos que estavam na assembleia são filiados ao sindicato. 
 
A colaboradora Darci Souza Rodrigues disse já ter trabalhado no CEI 27 “Professora Christina dos Reis”. Ela contou que a cozinha da unidade tem superlotação de merendeiras. “O espaço é ideal para duas pessoas, mas concentra oito.” Afirmou, também, que o Sindirefeições determinou que todas as funcionárias voltassem ao trabalho porque não queria arcar com as multas. “O interessante é que o sindicato muda de ideia do nada. Isso é uma palhaçada.” 
 
SINDICATO - A secretária-geral do Sindirefeições, Alessandra Bércio, disse que, em relação à greve, o sindicato não tem opção a não ser suspendê-la, porque a decisão partiu de uma liminar da Justiça. De acordo com ela, outro motivo para a suspensão é que os pagamentos já foram efetuados pela ERJ Administração e Restaurante. “Embora ainda exista irregularidades no acerto de algumas pendências, todas as colaboradoras já estão com o salário na conta.” 
 
Alessandra reforçou que a greve deve ficar suspensa até o próximo dia 14, quando ocorrerá uma audiência, às 18 horas, na sede do Sindirefeições, para acertar possíveis pendências. Ela esclareceu que houve falhas no pagamento do vale-transporte, porém essa ocorrência não tem ligação com parcelamentos firmados com a ERJ. “Essas parcelas são referentes ao atraso no depósito do salário de março.” 
 
Ela frisou que houve um acordo com a empresa para o pagamento de R$ 83,50, que deveria ser parcelado em três vezes. Esse valor trata-se de uma multa aplicada à ERJ Administração e Restaurantes por não ter efetuado o pagamento de fevereiro. Ainda segundo Alessandra, a direção da firma alegou que não tinha dinheiro para liberar o montante de uma vez. Ela adiantou que o sindicato já tomou todas as medidas necessárias para cobrar da empresa a regularidade dos pagamentos. “Estamos cobrando, porque a empresa pagou de forma errada neste mês e cada merendeira recebeu um valor diferente.” 
 
Foi solicitado às funcionárias que trouxessem ao sindicato o extrato analítico dos depósitos para que os documentos fossem anexados às cobranças feitas pelo Sindirefeições. Alessandra comentou que muitas servidoras já entraram com processo individual contra a empresa porque são problemas pontuais que não podem ser tratados de forma coletiva. Ela disse que o depósito do vale-transporte, referente ao dia 1º de abril, foi feito na terça-feira (7). “Até o dia 15, as merendeiras têm vale-transporte.” Conforme a secretária, o município tem uma média de 1 mil funcionárias e o salário mínimo é de R$ 945, com carga horária de sete horas e 33 minutos. 
 
EMPRESA – Quanto à multa de R$ 83,50, informada pelo sindicato, referente ao atraso do pagamento de fevereiro, a ERJ explica que o aplicado na folha foi o percentual descrito na convenção coletiva, mas que a entidade solicita o repasse do valor descrito. Por isso, a empresa afirma que o setor jurídico acertou com o sindicato que fará o pagamento do valor pleiteado “para acabar de uma vez com esse problema.”
 
Já sobre a alegação de que a empresa informou ao sindicato que não teria dinheiro em caixa e, por isso, parcelou o valor da multa, a ERJ afirma que o pagamento entrou atrasado devido a problemas no fluxo de caixa, motivo pelo qual pediram o parcelamento. Por fim, a ERJ afirma que não há mais nenhuma pendência em relação aos pagamentos das pouco mais de 700 merendeiras que trabalham na rede municipal de ensino. 
 
ESCOLAS - Apesar de a Justiça ter determinado que 70% das merendeiras permanecessem nas escolas, em algumas unidades as trabalhadoras que compareceram não deram conta do volume de trabalho e tiveram de se ajustar aos alimentos disponíveis. No Centro de Educação Infantil (CEI) 3 “Dona Zizi de Almeida”, no Largo do Divino, duas das cinco merendeiras trabalharam no turno da manhã e a lactarista, que cuida do berçário, também não deu expediente. Os alunos almoçaram sopa.
 
Em Brigadeiro Tobias, no CEI 13 “Aluísio de Almeida”, pais e responsáveis pelos alunos foram orientados a buscá-los às 15 horas, duas horas antes do horário de saída. Isso porque, além de as merendeiras não terem ido ao trabalho, até o começo da tarde, a unidade havia recebido apenas pães para dar às crianças. 
 
Já no CEI 61 "Yolanda Rizzo", no Lopes de Oliveira, desde segunda-feira (6) a aula está prejudicada. Conforme o relato de pais, a unidade entrou em contato para que os responsáveis buscassem as crianças às 14 horas naquele dia, quando a greve foi decretada, pois não haveria janta, que normalmente é servida às 15 horas. Os pais foram orientados a ligar pela manhã na escola para saber se haveria aula. “Na terça-feira, disseram que a cozinha estava fechada e hoje (ontem) sem merendeiras”, disse um dos responsáveis, que preferiu não ter a identidade revelada. 

 

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