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<< Procura por ingredientes de repelente caseiro cresce 50% Médico alerta que produtos não têm comprovação científica

Publicada em 28/03/2015 às 00:03
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Cravos são procurados para repelentes caseiros (Foto: Fernando Rezende)
Com a dificuldade em encontrar repelentes nas farmácias e supermercados da cidade, consumidores procuram ervas para fazer a fórmula caseira. De acordo com Rodrigo Hassuike Antunes, sócio-proprietário de uma loja de produtos naturais, no Centro, cerca de 90% das pessoas que visitam o estabelecimento, desde o começo deste ano, compram cravos da Índia. A especiaria é um dos ingredientes citados em receitas de repelentes caseiros, assim como álcool de cereais e citronela. 
 
Antunes conta que clientes chegam ao local com a receita do repelente. “Muitas vezes, eles trazem as orientações marcadas no papel para não esquecer; tanto que nem é preciso a gente falar.” Desde o dia 29 de janeiro deste ano, quando Sorocaba decretou estado de emergência por conta da epidemia de dengue, a venda de cravos da Índia cresceu 50% na loja situada na região central. Ele salienta que o produto chegou a faltar, porém não houve dificuldades na reposição.
 
A direção de outra loja de alimentos e produtos naturais afirma que a procura por cravo da Índia e canela aumentou 30%, desde o começo deste ano. Adianta, ainda, que o estabelecimento deve começar a trabalhar com repelente natural à base de Neem – árvore indiana -, que inclui propriedades, como andiroba e citronela. 
 
O médico infectologista Carlos Alberto Emílio Lazar, professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC), alerta que não há comprovações científicas da eficácia de receitas caseiras e o recomendável é usar produtos industriais que têm registro. 
 
FUNCIONÁRIOS – Empresas também têm de lidar com casos de dengue entre funcionários. O gerente da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), em Sorocaba, Marco Antônio de Oliveira, explica que alguns de seus servidores tiveram de ficar em casa por causa da doença. Ele comenta que, de 17 trabalhadores, três foram infectados. 
 
De acordo com Oliveira, o tempo médio de uma licença médica pode chegar a cinco dias, porém adianta que a pessoa pode ficar em casa o tempo que for preciso. Para suprir a falta de pessoal, outros funcionários assumem o serviço. Ele diz ser pequeno número de afetados na Ceagesp e reforça que ações educativas são promovidas entre os permissionários, assim como fiscalizações para evitar focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue e da febre chikungunya. 
 
AUTOMEDICAÇÃO – O diretor técnico do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo (CFC-SP), José Vanilton de Almeida, comenta que, com os casos de dengue, muitas pessoas procuram remédios por conta própria, sem prescrição médica. Embora afirme que alguns medicamentos usados no tratamento dessa doença não precisam de orientação médica, ele reforça que o paciente não deve misturar fórmulas, porque muitas podem causar irritações gástricas e prejudicar o processo de coagulação. “A dengue apresenta vários quadros que devem ser avaliados nos tratamentos.” A indicação é que o doente hidrate-se bebendo bastante água.
 
SITUAÇÃO – Conforme último boletim divulgado pelo secretário da Saúde, Francisco Antônio Fernandes, Sorocaba registra 26.580 prováveis casos, dos quais 4.747 foram confirmados laboratorialmente. 
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