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Diário de Sorocaba

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<< Manifestantes cobram justiça e segurança no Parque São Bento Grupo bloqueia rua e protesta em homenagem à estudante morta em acidente

Publicada em 03/03/2015 às 08:03
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Orações e gritos por justiça marcaram o protesto (Foto:Fernando Rezende)
Centenas de pessoas protestaram na tarde desta segunda-feira (2) em frente à Escola Estadual “Dulce Esmeralda Basile”, no Parque São Bento, pedindo mais segurança nos arredores da unidade. A manifestação também serviu para homenagear a estudante Thaís Freitas dos Santos, 12 anos, morta no último sábado (28). Ela foi atropelada na calçada da escola, junto com outros dois alunos, na sexta-feira (27). O grupo bloqueou as ruas José Lourenço de Godoy e a Rua Amélia do Rosário Gaspar. 
 
De acordo com o idealizador do manifesto, César Freire Soares de Lima, muitos estudantes ficaram comovidos com a notícia da morte de Thaís. Ele conta que a ideia nasceu através de trocas de mensagens por aplicativos. “Precisávamos fazer alguma coisa. Uma homenagem ou uma passeata, tínhamos de fazer, porque a situação não poderia ficar assim”, justifica. Ele também lamentou a morte da colega. “A menina vem estudar e do nada acaba falecendo. Isso poderia ser com qualquer outro.” 
 
Enquanto Lima tentava reunir os manifestantes, motoqueiros não respeitaram a mobilização nem o cordão, formado por estudantes, para bloquear a Rua José Lourenço de Godoy. “Por mais que estamos com o protesto, sobe e desce moto aqui a todo o momento.” O estudante adianta que, com o movimento dos moradores, deverá reunir-se com direção da escola para pedir mais segurança naquela região. Fora a passagem de motos, o motorista de um carro também entrou na via, entre os manifestantes, e foi vaiado. 
 
Embora não seja familiar de uma das vítimas, a aposentada Solange Xavier segurou um dos cartazes pedindo justiça. Ela mora no bairro há quatro anos e afirma ser inaceitável a velocidade com que motoqueiros passam pela via onde fica o portão da escola. “Além de passarem aqui voando, eles ficam empinando para se mostrarem às meninas que estão entrando e saindo da escola.” Solange adianta ter prenunciado o acidente no ano passado e destaca que a secretaria da unidade tem uma carta, feita pela direção da escola, pedindo providência policial. “E não foi apenas um ofício, foram vários.” 
 
A aposentada diz que sua filha era para ser uma das vítimas, contudo ela reforça que a garota está viva porque ela implorou para que a estudante não fosse à aula. “Caso contrário, hoje seria eu uma das que estariam chorando aqui, já que não sabemos se nossos filhos voltarão para a casa sem segurança”, salienta. A balconista, Célia Regina dos Santos Câmara, tem um filho matriculado na unidade. Ela frisa que o menor estava próximo ao grupo atingido pelo veículo. “Quando recebi o telefonema e soube que não era ele, meu coração parou de tremer, mas a gente se coloca no lugar de outras mães e sabe que não fácil.” 
 
Uma mãe que preferiu não ser identificada, por conta dos motoqueiros, enfatiza que o entorno da escola é “infestado de usuários de drogas e o aluno não consegue atravessar de uma pista para a outra por causa do sobe e desce de motos”. Ela atribui à escola a responsabilidade de acompanhar a saída e entrada das crianças. Justifica que pais precisam trabalhar e lamenta a necessidade de uma tragédia para que moradores se mobilizem. Outra mãe, que também preferiu não ter a identidade revelada, destaca que o acidente estava premeditado. 
 
No portão da escola, flores e cartazes retratavam a indignação dos moradores. Uma placa com os dizeres “Estamos de luto” foi fixada na entrada da unidade, junto com outras faixas deixadas por populares, com as frases “Hoje o Sol não brilha” e “Thaís, vá com Deus, mas que a justiça seja feita”. Um círculo foi formado ao redor dos cartazes depositados no chão. Aplausos, orações, instrumentos musicais e canções religiosas e populares misturaram-se aos gritos por justiça. Aos poucos, o grupo juntou-se e saiu em caminhada pelas ruas do bairro. 
 
Com um cartaz pedindo mais policiamento naquela via, a estudante Nataly Dayane Cardoso dos Santos conta que, no momento do acidente, todos os que estavam próximos entraram em alvoroço. A colega Ana Beatriz Martins de Oliveira relata que, ao saber da tragédia, apenas conseguiu ver uma bolsa de sangue no carro batido no local. Ela enfatiza que Thaís era moradora nova no bairro e que ainda fazia amizades. A aluna Ana Paula Rodrigues Pereira afirma ser constante o movimento de motos naquela rua. “Já aconteceram outros acidentes aqui com motoqueiros. Mas foi preciso acontecer alguma coisa, como essa, para a polícia vir.” (Leia mais sobre o caso na página A-8)
 
EDUCAÇÃO – A Secretaria de Educação do Estado afirma que a entrada e saída dos estudantes é monitorada por funcionários da escola que, inclusive, teriam acionado o resgate. 
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