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Diário de Sorocaba

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<< Aldemir Bendine, do Banco do Brasil, é o novo presidente da Petrobras Família do executivo vive em Sorocaba

Publicada em 07/02/2015 às 00:02
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O novo presidente assume com a difícil missão de restabelecer a credibilidade na estatal (Foto: Agência Brasil)
A Petrobras já tem um novo presidente. Aldemir Bendine, que até então comandava o Banco do Brasil, vai assumir a presidência da estatal no lugar de Graça Foster, que renunciou ao cargo em meio ao desgaste provocado pelas denúncias de corrupção investigada pela “Operação Lava-Jato”. Em 2010, Bendini comprou um apartamento em Sorocaba, no Parque Campolim, onde residem hoje, a esposa e as duas filhas do executivo.
 
Como novo diretor financeiro e de Relacionamento com Investidores, foi anunciado Ivan de Souza Monteiro, que substitui Almir Guilherme Barbassa. Monteiro era vice-presidente de Gestão Financeira e de Relações com Investidores do BB. Os outros quatro diretores que renunciaram serão substituídos interinamente por Solange da Silva Guedes (Exploração e Produção), Jorge Celestino Ramos (abastecimento), Hugo Repsold Júnior (Gás e Energia) e Roberto Moro (Engenharia). Segundo fontes do governo, esta foi a solução encontrada para tentar estancar a crise da empresa. 
 
HISTÓRICO - Formado em Administração de Empresas, foi gerente do BB em Piracicaba (SP), assessor na Superintendência II de São Paulo, gerente-executivo da Diretoria de Varejo do BB, e secretário-executivo do Conselho Diretor, chegando a vice-presidente do setor de Varejo do banco em dezembro de 2006. Bendine estava na presidência do Banco do Brasil desde abril de 2009, antes mesmo do início do governo Dilma, e é nome de confiança do ex-presidente Lula. O executivo tem ligações com o PT, mas não é filiado a nenhum partido. 
 
No fim de outubro, reportagem do jornal “Folha de S. Paulo” revelou que o Banco do Brasil aprovou concessão de crédito no empréstimo de R$ 2,7 milhões feito para a apresentadora de TV e socialite, Val Marchiori. De acordo com a publicação, a empresária é amiga de Bendine. Por meio de nota, o banco informou não haver ilegalidade na operação. O Ministério Público Federal em São Paulo pediu, na tarde de ontem, abertura de inquérito policial para investigar o empréstimo, que considera irregular.
 
Em agosto do mesmo ano, um ex-motorista do executivo afirmou ao Ministério Público Federal que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do então presidente. O motorista afirmou que viu o próprio Bendine carregando sacolas de dinheiro para encontro com empresários. Na época, o MPF chegou a instaurar um procedimento investigatório.
 
'MAIS DO MESMO' – A escolha do executivo como sucessor de Graça Foster no comando da Petrobras frustrou o mercado, e as ações da Petrobras voltaram a registrar um novo dia de queda na manhã de ontem. Para muitos, a petroleira parece ter colocado "mais do mesmo", em um momento que tenta recuperar sua credibilidade. Analistas acreditam que a decisão de tirar Bendine, que é funcionário de carreira do Banco do Brasil, da presidência da instituição financeira para colocá-lo na Petrobras pode mostrar que nenhum dos outros profissionais cotados para o comando da estatal aceitaram o difícil desafio de reconstruir a companhia.
 
A Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante dos empregados da Petrobras, recebeu com resistência a indicação de Bendine para a presidência da estatal, por causa da sua fama de durão nas negociações com os funcionários do Banco do Brasil, quando presidia a instituição. José Maria Rangel, diretor da FUP e ex-conselheiro da Petrobras, diz que isso é preocupante. 
 
Mas o petroleiro vê como fator positivo na nomeação do novo presidente da estatal o fato de ser um homem de confiança do Planalto. Em sua visão, isso significa que a tendência é de que ele continue a defender os interesses do governo, como o controle dos preços dos combustíveis. 
 
A posição é exatamente contrária à do mercado financeiro, que interpreta a intervenção do Estado nas decisões empresariais um entrave à eficiência da Petrobras.
 
Antes de Bendine, os nomes cotados para a vaga de Graça Foster até ontem incluíam o atual presidente do BNDES, Luciano Coutinho; o presidente da resseguradora IRB Brasil Re, Leonardo Paixão; e o do presidente da Vale, Murilo Ferreira. Outros nomes já citados são o do ex-presidente da Ford, Antônio Maciel Neto; o do ex-presidente da BR Distribuidora, Rodolfo Landim, e do ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.
 
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