Sexta-Feira, 5 de Junho de 2020

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< Delator diz ter pagado propina de R$ 12 mi para Renato Duque

Publicada em 04/02/2015 às 10:02
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

No segundo dia de audiência, foram ouvidas testemunhas arroladas no processo que envolve executivos da Engevix (Foto: Conteúdo Estadão)
'GORJETAS' NA PETROBRAS
 
O executivo Júlio Gerin de Almeida Camargo, um dos delatores da “Operação Lava-Jato”, afirmou à Justiça Federal no Paraná na segunda-feira (2) ter pagado propina de R$ 12 milhões ao ex-diretor da área de Engenharia e Serviços da Petrobras, Renato Duque, e ao ex-gerente, Pedro Barusco, durante negociação de contrato da Refinaria de Araucária (PR). 
 
Camargo depôs como testemunha de acusação. Ele agia em nome do Grupo Toyo Setal, segundo a força-tarefa da "Lava-Jato". Como executivo do grupo intermediava pagamento de propinas a diretores da Petrobras. "Tinha como regra 1%, mas isso era muito flexível e muitas vezes isso era negociado. No meu caso, sempre negociei para menor e nunca para maior. Eu paguei em torno de R$ 12 milhões. A maioria dos pagamentos eram feitos em contas indicadas no exterior e outra parte em reais aqui no Brasil", afirmou.
 
Segundo ele, suas empresas foram utilizadas para o pagamento de propinas e havia uma regra do jogo que, se alguém não pagasse propina à área de Engenharia e de Abastecimento, não teria sucesso ou não obteria seus contratos na Petrobras. Camargo disse que os pedidos partiam dos diretores da Petrobras diretamente para ele. “Era uma confirmação daquilo que já existia. Pagava-se pela vontade de se obter sucesso", disse. "Eu nunca falei, não só à Camargo, como aos meus representados, que aquilo era propina. Eu disse que aquilo tinha um custo total, expunha aquele custo, a pessoa aceitava ou não aceitava. Dentro desse custo, havia a propina.”
 
CARTEL AUTÔNOMO - O executivo Augusto Mendonça, da Setal Construções, também delator da operação, declarou que as licitações na Petrobras eram burladas, na prática. Ele relatou que sua empresa tinha ganhado dois contratos na Repar e na Replan, em 2007, e que os pagamentos de propinas se prolongaram até 2011. Nas duas obras, houve pagamento de "gratificações" aos diretores, Paulo Roberto Costa e Renato Duque. Segundo Mendonça, Paulo Roberto Costa era pago por meio de empresas controladas pelo doleiro Alberto Youssef, personagem central da "Lava-Jato". Mendonça disse que essas empresas emitiam notas fiscais fictícias sobre prestação de serviços de consultoria ou de engenharia que não ocorriam. O procedimento servia para acobertar os pagamentos de propinas.
 
O executivo apresentou à Polícia Federal documentos que comprovariam o pagamento de propina ao ex-diretor Renato Duque. Entre os papéis, estão notas fiscais, cópias de contratos e comprovantes de transferências bancárias. Ao todo, as notas somam mais de R$ 5 milhões.
 
EMPREITEIROS CONTRA-ATACAM - O Ministério Público Federal rechaçou a tese da defesa dos empreiteiros presos de que as ações penais não deveriam ser julgadas pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelas ações da "Lava-Jato". O MPF acusou a defesa dos executivos de tentarem desconstruir as denúncias ao argumentar que as ações penais deveriam ser julgadas nos locais onde ocorreram os delitos, além de Curitiba (PR), onde estão todas as ações da operação que não envolvem autoridades com foro privilegiado.
 
RESPINGO DA 'LAVA-JATO' NO CONGRESSO - Os próximos passos da "Lava-Jato" devem incomodar muitos deputados e senadores. Um exemplo é o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que teve seu nome citado na operação. A lista de parlamentares envolvidos no esquema de desvio da Petrobras deve ser divulgada apenas após o carnaval, o que poderá trazer novas mudanças no Congresso. 
 
No Senado, a situação é um pouco mais complicada porque pelo menos 11 congressistas já foram citados. E as provas contra eles são mais consistentes. Entre os que já tiveram os nomes citados, estão o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e Fernando Collor de Mello (PTB-AL).
 
PARLAMENTARES CITADOS - Eduardo Cunha (PMDB-RJ); Vander Loubet (PT-MS); José Otávio Germano (PP-RS); Luiz Fernando Faria (PP-MG); Nelson Meurer (PP-PR); Simão Sessim (PP-RJ); Delcídio Amaral (PT-MS); Gleisi Hoffman (PT-PR); Humberto Costa (PT-PE); Lindbergh Farias (PT-RJ); Renan Calheiros (PMDB-AL); Romero Jucá (PMDB-RR); Valdir Raupp (PMDB-RO); Benedito de Lira (PP-AL); Ciro Nogueira (PP-PI); Antônio Anastasia (PSDB-MG); Fernando Collor (PTB-AL).
 
Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar