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Diário de Sorocaba

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<< Estudante relata trotes violentos na Faculdade de Medicina Alunos seriam obrigados a comer fezes e vômitos

Publicada em 20/01/2015 às 01:01
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Corte de cabelo, pintura do corpo, agressão verbal e física, receber urina na cabeça, ingestão de vômito e fezes, seriam algumas das práticas realizadas durante trotes na Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) de Sorocaba. O relato de um ex-aluno foi registrado na quarta-feira (14) da semana passada, durante oitiva feita pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa de São Paulo, que investiga violações aos direitos humanos em trotes aplicados nas universidades paulistas. Na ocasião, o Grupo de Apoio ao Primeiranista (GAP), formado por alunos da Faculdade de Medicina, entregou um documento ao presidente da CPI, deputado estadual Adriano Diogo (PT).
 
O depoimento de um dos criados do GAP, Rodolfo Furlan, que atualmente reside nos Estados Unidos, foi colhido em conferência realizada pela internet, respondendo a perguntas do presidente da CPI, do professor Antônio Almeida, da Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz" da Universidade de São Paulo (Esalq), assessor Ricardo Kobayashi e advogado Marco Benetton. Furlan contou que alunos e médicos já formados participam dos trotes e são protegidos, sendo tratados por apelidos. Um dos mais violentos seria conhecido como “Pior”, teria agredido fisicamente uma aluna e será citado por um grupo de estudantes na próxima reunião da CPI. 
 
Conforme divulgado pela Assembleia, Furlan afirmou que “Pior” formou-se no ano passado e costumava intimidar os colegas pela internet, inclusive ele, afirmando que os integrantes do GAP deveriam sofrer bullying. "O Pior era o líder do trote na PUC Sorocaba", afirmou o estudante, que disse acreditar que os atos violentos permanecem impunes “por conta do espírito de corpo existente entre médicos”. O GAP produziu um relatório sobre os trotes e o encaminhou à reitoria, vice-reitoria e Centro Acadêmico da PUC-SP em 2013, mas até agora não obteve resposta. 
 
CASOS – O professor da Esalq, Antônio Almeida, contou que conheceu Furlan após ser convidado a participar de um simpósio sobre os trotes violentos e sugeriu que os professores também sejam chamados pela CPI. Ele relatou que uma foto anexada ao relatório do GAP mostra um aluno assistindo à aula com uma focinheira, sem interferência do professor. O assessor Ricardo Kobayashi disse que os alunos violentos integram associações atléticas. Há ainda relatos de estupros durante festas realizadas nos prédios das atléticas ou em sítios longe da faculdade. Furlan opinou que a CPI deve investigar o limite de intervenção das universidades nas atléticas. 
 
FACULDADE – Em nota, a PUC-SP afirma que repudia qualquer violência no trote e que seriam condutas inaceitáveis por membros da comunidade. A instituição afirma que nos dois últimos anos não recebeu qualquer denúncia da natureza, e que as acusações anteriores foram apuradas e tomadas providências, incluindo expulsão de envolvidos. A PUC-SP ressalta que os trotes são proibidos nos campus e desde 2014 é vedada a venda do “kit bixo” na faculdade, e que promoveu um fórum específico sobre o assunto em 2013. 
 
“O documento citado pelo aluno e encaminhado à Reitoria contém importantes informações sobre fatos passados, o que mostra que estamos no caminho correto ao intensificar a adoção de medidas preventivas.” A nota cita que o GAP tem o apoio da direção da Faculdade de Ciências Médicas e da Saúde e, por fim, que vai reportar eventuais abusos e ações programadas pela PUC-SP para a chegada dos novos alunos neste 2015.
 
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