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Diário de Sorocaba

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<< Lobos guarás monitorados 24 horas para pesquisa Intenção é descobrir a interferência dos visitantes no comportamento dos animais

Publicada em 20/01/2015 às 01:01
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Oito câmeras fazem o monitoramento dos animais (Foto: Alexandre Lombardi/Secom)

Quatro lobos guarás que vivem no Parque Zoológico Municipal “Quinzinho de Barros”, dois adultos e dois filhotes machos, estão sendo monitorados 24 horas por dia. A iniciativa faz parte de uma pesquisa inédita no Brasil, na busca por informações do comportamento dos animais. Foram instaladas oito câmeras entre o ambiente em que os animais dormem, de 16 metros quadrados, e o de exposição, com um total de 250 metros quadrados.

O diretor do Zoológico, veterinário Rodrigo Teixeira, explica que o objetivo é coletar informações sobre a interferência da visitação no parque mais diretamente na vida dos animais. ”A proposta da pesquisa é um tanto quanto audaciosa. Tentar descobrir o grau de interferência do público sobre os animais cativos e, de repente, poder estipular um número máximo de pessoas que o Zoológico pode receber”, explica.
 
Para Teixeira, assim como os estádios de futebol ou teatros, que contam com capacidade máxima, o Zoológico também pode começar a discutir esse assunto. “Quantas pessoas cabem dentro de um Zoológico num domingo de Sol. De repente, teremos com essa pesquisa informações técnicas para poder balizar e chegar a um número que seja bom para os visitantes, bom para os animais e para a equipe técnica que cuida deles”, pondera.
 
O veterinário conta que a pesquisa científica, inédita no Brasil, foi uma proposta da pesquisadora Angélica Vasconcellos, professora da Pontifícia Universidade Católica (PUC-MG), financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig) e prontamente aceita por toda a equipe técnica do Zoológico. Além das oito câmeras instaladas no recinto, um equipamento adicional vai captar o número de pessoas que está em frente ao espaço onde os lobos ficam. 
 
O monitoramento deve se encerrar nesta quarta-feira (21). Segundo o diretor do Zoológico, o tempo será suficiente para conseguir fazer uma correlação direta do nível de ruído, através dos decibéis, o número de pessoas que estão presentes e o comportamento do animal em relação a isso.
 
A previsão é de que a pesquisa completa seja concluída em aproximadamente 10 meses, e, encerrada a captação de imagens, os vídeos serão analisados pelos pesquisadores e estes poderão observar, por exemplo, os movimentos, a biologia comportamental do lobo guará em relação ao barulho emitido pelos visitantes.
 
Paralelamente, há um trabalho mais científico que vai permitir aos pesquisadores dosar o cortisol das fezes dos lobos. “É um método moderno, pelo qual se obtém informações sem precisar sedar o animal, um método não invasivo. Com o exame das fezes, é possível medir o nível de cortisol, que vai indicar se ele está bem de saúde ou mal-adaptado, se está mais ou menos contente”, explica.
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