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Diário de Sorocaba

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<< Itens da lista de material escolar estão 8% mais caros Diferença entre preço de cadernos passa de 100% em papelaria da cidade

Publicada em 12/01/2015 às 23:01
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Segundo o Procon de Sorocaba, a pesquisa de preço é fundamental (Foto: Fernando Rezende)
 
‘Tudo está o olho da cara’, reclama Juliana Veríssimo 
 
Há menos de um mês para o retorno às aulas, crianças e pais perdem-se entre as variedades dos modelos e preços dos itens da lista de material escolar. Cadernos de 96 folhas, pertencentes à mesma empresa, variam de R$ 9,72 a 25,70. Entre as razões para a diferença de mais de 125% estão as personagens de desenhos animados estampadas na capa. De acordo com um levantamento da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares, houve uma alta média de 8% nos componentes pedidos pelas escolas em comparação com janeiro de 2014.
 
A gerente de uma papelaria, localizada no Centro de Sorocaba, Juliana Batista, explica que os clientes da loja em que trabalha não estão sofrendo com o aumento apontado pela associação, porque 80% dos produtos disponíveis nas prateleiras foram adquiridos na metade do ano passado. Ela enfatiza que o mês de janeiro é a época típica para a procura do material escolar – em comparação com os demais meses do ano, este período possibilita um faturamento de 50% a mais. 
 
Contudo ressalta que alguns pais começaram as compras em dezembro, devido à certeza do que iriam levar. “Algumas escolas liberam as listas em dezembro, mas agora o movimento é mais intenso.” A gerente reforça a ideia de que o brasileiro tem o costume de deixar para fazer as coisas na última hora. “Quando for a véspera do primeiro dia de aula, isso aqui (loja) ferve.” Juliana confessa que as capas tentadoras nem sempre combinam com o orçamento dos pais. 
 
Ela conta que, normalmente, as crianças acompanham os responsáveis no momento da escolha e os pais têm de entrar em consenso com os filhos para que todos fiquem satisfeitos. A gerente salienta que são poucas as pessoas que não adquirem tudo o que a lista pede. “Os pais de hoje em dia acabam levando a lista completa”, destaca. O investimento para quem quer levar tudo de uma vez pode ficar entre R$ 80 e R$ 300, dependendo da proposta pedagógica do material ou se pertencem a algum kit de personagens.
 
BENEFÍCIOS – Desde 2006, o governo do Estado de São Paulo distribui um conjunto de material escolar aos alunos da rede pública. Atualmente, o número de atendidos chega a mais de quatro milhões de estudantes. Juliana afirma que, apesar de ser um benefício para o estudante, a iniciativa afeta em uma queda de 10% nas vendas. No entanto ela diz que há casos em que a criança ganha um caderno de dez matérias no kit oferecido pelo governo, mas alguns pais sempre acabam comprando o mesmo item por causa da marca ou desenho que o material traz. Já sobre o vale-material escolar, criado pela Lei Municipal 11.051 e sancionada pelo prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB), a gerente adianta que nenhum convênio foi firmado até o momento entre a Prefeitura e a papelaria. “Neste ano, não sei se vai firmar algo, porque logo termina o tempo de procura por material.” 
 
Em nota, a Secretaria da Educação afirma que ainda não foi definida a data de liberação do cartão magnético, pois é preciso definir a empresa ou entidade conveniada para fornecimento. Somente após a pasta firmar o contrato, com base no plano de trabalho que lhe for apresentado, saberá se é possível implantar o sistema neste ano ou em 2016.
 
LIVROS EM ALTA – Os livros paradidáticos “Cinderela”, “A Bela e a Fera” e “Pinóquio” ainda ganham lugar nas cestas de compras dos estudantes. Seja das personagens mais clássicas ou às mais atuais, como a Porquinha Peppa, os livros infantis são encontrados nas listas. Juliana frisa que, mesmo com a tecnologia dos conteúdos digitais, a procura pelo exemplar de papel aumentou. Ela atribui o crescimento das vendas ao incentivo dado pelas instituições de ensino. 
 
CORTAR GASTOS – A cabeleireira Renata Ribeiro garante que neste ano sua economia com material escolar deve ser de 50%. Em janeiro de 2014, todos os itens da lista ficaram em R$ 400. “A mochila e algumas outras coisas já descartei, porque já havia comprado. Com isso, espero que tudo não passe de R$ 200.” Porém ela lamenta ter de desembolsar R$ 500 com as apostilas das filhas.
 
A dona de casa Juliana Veríssimo diz ter percebido o aumento no preço. “Tudo está o olho da cara.” Preocupada com o futuro da educação do filho Gabriel, 3 anos, ela afirma que sempre procura comprar o necessário depois de pesquisar em diferentes lojas. Adianta, ainda, que, quando o pequeno estiver no Ensino Fundamental, manterá o costume de ela escolher o que for preciso. “Assim, a gente aproveita e já vai ensinando a economizar e a reutilizar.” 
 
 

Procon alerta para compra de itens essenciais

 
O Procon (Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor) de Sorocaba ressalta que a pesquisa de preço é fundamental no maior número de estabelecimentos possível, incluindo as ofertas virtuais e depósitos. O órgão orienta que é importante verificar junto à escola a real necessidade de cada item e se são realmente necessários para o desempenho do estudante. Reaproveitar o material do ano anterior é uma maneira de economizar no início do ano. Os livros didáticos podem ser trocados entre alunos de idades diferentes. 
 
Outra ideia apontada pelo Procon é a reunião de pais para uma compra coletiva, assim, um número maior de materiais sai por um preço mais razoável. O órgão salienta que as escolas não podem solicitar a compra de materiais de uso coletivo, como itens de higiene e limpeza ou taxas para pagamento de água, telefone e luz. A instituição também não pode exigir material de determinada marca, indicar a loja em que a compra deve ser feita, bem como cobrar taxa sem apresentação de lista dos itens. 
 
ATENDIMENTO - O consumidor que tiver alguma dúvida ou problema pode entrar em contato com o Procon Sorocaba na rua Dr. Nogueira Martins, 513, Centro, de segunda a sexta-feira, das 8 às 15 horas, ou nas Casas do Cidadão (Ipanema e Nogueira Padilha), das 9 às 17 horas. Pelo telefone, o acesso pode ser feito pelo 0800.148.029 ou (15) 3233.7498. Na internet, o consumidor dispõe do site www.consumidor.gov.br
 
 
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