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Diário de Sorocaba

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<< Após ser indiciado, presidente da CPTM confirma saída do cargo Diretor de Operações da companhia, José Luiz Lavorente também foi indiciado

Publicada em 09/01/2015 às 00:01
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Bandeira foi indiciado em dezembro sob suspeita de fraude, em um dos inquéritos que apuram a atuação do cartel de trens - (Agência Brasil)
O presidente da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), Mário Bandeira confirmou ontem (8) que vai deixar o cargo, ocupado por ele desde 2011. Bandeira foi indiciado em dezembro sob suspeita de fraude, em um dos inquéritos que apuram a atuação do cartel de trens nos governos tucanos de Mário Covas, José Serra e Geraldo Alckmin.
 
Além dele, foi indiciado o diretor de Operações da companhia, José Luiz Lavorente. Eles foram os únicos servidores públicos que constam da lista dos 33 indiciados nesse inquérito, entre doleiros, empresários e executivos suspeitos de participar de um conluio para obtenção de contratos no Metrô e na CPTM. Bandeira nega a prática de irregularidades e envolvimento com as empresas investigadas pela Polícia Federal.
 
Em dezembro, dias após o indiciamento, o governador Geraldo Alckmin - que já comandou o Estado em outros dois mandatos, entre 2001 e 2006 - saiu em defesa de Bandeira e disse que era preciso analisar o caso com cuidado. Na época, porém, Alckmin já admitia que era provável que a presidência da CPTM passasse por mudança em razão das trocas do primeiro escalão para o segundo mandato. Ontem, foi empossado o novo secretário estadual dos Transportes Metropolitanos, o sorocabano Clodoaldo Pelissioni. Ele substituiu Jurandir Fernandes, que também estava havia quatro anos na direção da secretaria. A CPTM está submetida à Secretaria de Trens Metropolitanos. Segundo Pelissioni, Bandeira permanecerá no cargo até a escolha do sucessor.
 
O presidente do Metrô, Luiz Antônio Carvalho Pacheco, não quis falar com os repórteres após a cerimônia de posse de Pelissioni, realizada na sede da Secretaria de Transportes Metropolitanos, no centro de São Paulo. Ele afirmou que não tinha nada a dizer. Seus assessores chegaram a restringir a aproximação de repórteres do dirigente da empresa pública.
 
ABRANGÊNCIA - As primeiras suspeitas de que um cartel estaria atuando em contratos do governo paulista surgiram em 1998, relacionadas à área de energia do governo. Em 2013, a multinacional alemã Siemens admitiu ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão federal responsável por combater trustes, que, associada a outras empresas estrangeiras, combinava preços e repartia contratos de obras do Metrô e da CPTM em São Paulo. A multinacional alemã afirmou que o mesmo esquema de cartel funcionou no Distrito Federal.
 
POLÍTICOS - Um dos ex-executivo da Siemens que participaram do acordo de leniência com o Cade, Everton Rheinheimer, afirmou à Polícia Federal que as empresas também pagavam propinas para agentes públicos das empresas metroferroviárias e para políticos. Vários foram citados. Atualmente, o Supremo Tribunal Federal mantém uma investigação sobre dois deles, ambos ex-secretários do governo Geraldo Alckmin, os deputados federais José Aníbal (PSDB) e Rodrigo Garcia (DEM). Ainda há várias ações na Justiça apontando fraudes em contratos específicos na área de trens em São Paulo.
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