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<< Nobel da Paz Aung San Suu Kyi é libertada em Mianmar

Publicada em 13/11/2010 às 16:55
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Depois de quase duas décadas vivendo em prisão domiciliar, a líder da oposição em Mianmar Aung Suu Kyi, símbolo da dissidência à junta militar, foi libertada neste sábado (13). A condenação de 18 meses de prisão domiciliar, que a vencedora do Nobel da Paz em 1991 encerra hoje, é a última de uma longa série de punições.

Aung Suu Kyi apareceu com um vestido lilás na porta de sua casa, onde três mil seguidores a aguardavam para celebrar sua libertação. O comparecimento público da ativista, de 65 anos, ocorreu minutos depois de ter recebido a liberdade.

"Este é um tempo de calma e um tempo de diálogo. As pessoas devem trabalhar em harmonia. Só assim poderemos chegar ao nosso objetivo", afirmou Suu Kyi a uma multidão.

Suu Kyi ficou presa durante 15 dos últimos 21 anos e é vista pela população birmanesa como um símbolo da resistência democrática pacífica em Mianmar, país comandado por militares.

Durante os últimos dias, centenas de pessoas se reuniram em frente à residência da "Dama", como ela é chamada por seus partidários, na cidade de Yangun - a maior do país.

A sede do partido de Suu Kyi, a LND (Liga Nacional pela Democracia), também foi redecorada nesta sexta-feira (12) para recebê-la, e dezenas de pessoas já aguardavam desde sexta-feira (12) a visita da líder ao local.

O filho mais novo de Suu Kyi, Kim Aris, de 33 anos, que vive no Reino Unido e que não vê a mãe há 10 anos, obteve um visto das autoridades de Mianmar para revê-la.
O marido de Suu, o acadêmico britânico Michael Aris, faleceu em 1999, vítima de um câncer. Na ocasião, as autoridades de Mianmar autorizaram a visita da dissidente ao marido. Suu Kyi não aceitou por medo de ser impedida de voltar ao país.

O presidente americano Barack Obama comemorou a libertação da birmanesa neste sábado, a quem chamou de sua "heroína", ao mesmo tempo em que pediu ao regime militar no poder, em Yangun, a deixar livres todos os prisioneiros políticos.

MILITARES - O país é governado por generais desde 1962. Em 1990, a LND conseguiu uma esmagadora vitória nas urnas, mas o resultado não foi reconhecido e a repressão à oposição aumentou, com a prisão de Suu Kyi. Hoje, estima-se que o país tenha cerca de dois mil presos políticos.

No último domingo, o partido optou por não disputar as eleições. O Partido da Solidariedade e do Desenvolvimento da União (USDP, sigla em inglês), ligado à junta militar que governa o país, alegou ter recebido 80% dos votos para as futuras assembleias nacionais e regionais.

As autoridades impediram qualquer acompanhamento por parte da imprensa internacional das eleições no país. Para analistas, a intenção do governo era manter Suu Kyi afastada do processo eleitoral.

MUDANÇAS - Suu encontrará um país diferente daquele que viu quando podia andar livremente pelas ruas. Apesar dos conflitos políticos serem frequentes, em sete anos, o país mudou.

Os cibercafés se multiplicaram, os jovens birmaneses agora passeiam conversando ao celular e a paisagem de Yangu se enche de edifícios cada vez mais altos. A dissidente, sem telefone ou acesso à internet há sete anos, já deu a entender seu desejo de "twittar" quando for libertada.

HISTÓRIA  POLÍTICA - Aung San Suu Kyi nasceu em 19 de junho de 1945, na capital da então colônia britânica, Rangum (cujo nome foi trocado pelos militares para Yangun). É filha de um dos heróis da independência em Mianmar, o general Aung San, assassinado durante o período de transição em julho de 1947, apenas seis meses antes da independência. Suu Kyi tinha apenas dois anos de idade.

Em 1960 ela foi morar na Índia com a sua mãe, Daw Khin Kyi, que foi nomeada embaixadora em Nova Déli. Quatro anos depois Suu Kyi foi para a Universidade de Oxford, no Reino Unido, onde estudou filosofia, política e economia e conheceu o futuro marido, Michael Aris.

De volta a Mianmar, em 1988, para cuidar de sua mãe que estava doente, Suu Kyi encontrou o país em plena reviravolta política e acabou liderando a revolta contra o general Ne Win. As manifestações foram brutalmente reprimidas pelo exército, que assumiu o poder em um golpe no dia 18 de setembro de 1988.

O governo militar convocou eleições nacionais em maio de 1990. O partido de Suu Kyi – LDN - venceu as eleições com larga vantagem, apesar de ela estar em prisão domiciliar e não estar autorizada a concorrer. Mas a junta militar não reconheceu a vitória.

Durante os primeiros anos de detenção, Suu Kyi esteve constantemente em confinamento solitário e nunca foi autorizada a ver seus dois filhos ou seu marido, que morreu de câncer em março de 1999.

Quando seu marido estava no leito de morte, as autoridades militares permitiram que ela viajasse para a Grã-Bretanha para vê-lo, mas ela recusou por medo de ser proibida de retornar ao país.

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