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Diário de Sorocaba

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<< Copa do Mundo deixa legado de infraestrutura menor e mais caro Evento no País recebe nota 9,25 do presidente da Fifa

Publicada em 15/07/2014 às 00:08
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Governo insiste em que não haverá ‘elefantes brancos’

A Copa do Mundo deixa um legado de infraestrutura para o Brasil muito menor que o prometido quatro anos atrás - e a um custo mais alto. Em 2010, o governo anunciou que o evento atrairia investimentos de R$ 23,5 bilhões em 83 projetos de mobilidade urbana, estádios, aeroportos e portos. Parte das obras ficou no caminho e só 71 projetos foram mantidos na lista.

As obras entregues para a Copa e as inacabadas somam R$ 29,2 bilhões, mesmo tendo sido substituídos em várias cidades projetos mais ambiciosos, como trens e monotrilhos, por modestos corredores de ônibus. 

Em setembro de 2013, o Ministério dos Esportes apresentou sua última consolidação das obras da chamada Matriz de Responsabilidade da Copa, já com a exclusão dos projetos prometidos em 2010 e abandonados. Os 71 planos confirmados somavam, então, R$ 22,9 bilhões.

Esse resultado significa que os governos federal, estaduais e municipais e a iniciativa privada gastariam 3% a menos que o previsto em 2010 para fazer 15% a menos em número de obras. Os investimentos estavam distribuídos em 50,5% para o governo federal, 33,1% para os Estados e municípios e 16,4% para o setor privado. 

A construção dos estádios foi prioridade, seguida dos aeroportos, mas, na mobilidade urbana, o principal legado da Copa para os moradores das grandes cidades, o resultado foi sofrível. De 50 projetos, apenas 32 foram mantidos, o que quer dizer que um em cada dois foi abandonado. 

De acordo com a matriz consolidada em setembro pelo Ministério do Esporte, o País investiria R$ 7 bilhões em mobilidade urbana para receber a Copa, R$ 4,47 bilhões a menos que o previsto em 2010.

INACABADAS - Além disso, boa parte das obras não foi entregue a tempo para o Mundial. Assim, 74 obras de mobilidade urbana foram entregues e 46 permanecem inacabadas. O número de construções é maior que o da lista de projetos do ministério, porque as prefeituras e governos estaduais, que são as fontes dessa informação, costumam fatiar projetos em várias obras. 

O abandono e a não conclusão das obras só não tiveram um impacto maior porque a maioria das cidades decretou feriado ou ponto facultativo para o funcionalismo, além da antecipação das férias escolares de julho.

Em uma cidade como São Paulo, isso equivale a trocar o deslocamento de seus 10 milhões de moradores pelo de 64 mil torcedores indo para o Itaquerão e outras 30 mil ou 40 mil pessoas concentrando-se na Fun Fest e bares ao redor no centro da cidade, bem como na Vila Madalena, na zona oeste.

NOTA DA FIFA – O presidente da Fifa, Joseph  Blatter, deu nota 9,25 do total de dez pela organização da Copa do Mundo e apontou que a qualidade do jogo em campo foi “excepcional”. Na África do Sul, em 2010, o líder da entidade deu nota 9 para o evento. Segundo Blatter, a perfeição não existe. “Quem tira dez teve algum tipo de acordo com o professor.”

Ele admitiu que, para 2018, vai debater com a Rússia para reduzir o número de sedes de 12 para dez. O presidente da Fifa adiantou que é preciso garantir que investimentos sejam feitos de forma que deixem um legado, e não uma dívida. Já o governo brasileiro, insiste que não existirão “elefantes brancos” no País neste 2014. 


 

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