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Diário de Sorocaba





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<< Ex-paciente é acusado de matar o próprio psiquiatra Indivíduo cometeu o crime porque não queria tratamento médico

Publicada em 11/07/2014 às 01:12
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A morte do psiquiatra Eduardo Guenka, 76 anos, foi esclarecida pela Polícia Civil, que identificou o jornalista João Eduardo Marcone Madureira, 50 anos, como o responsável pelo crime. Os detalhes da investigação foram apresentados em coletiva de imprensa na manhã de ontem, na Delegacia Seccional de Sorocaba. O médico foi morto pelo ex-paciente na garagem da casa dele, na Rua Afonso Cavalini, no Jardim Santa Rosália, na noite de 8 de junho, mesma data do jogo-treino do Japão, que ocorreu no Estádio Walter Ribeiro (CIC), perto da residência do médico. O filho e a nora da vítima, Marcos Guenka e Aline Thaís Marchetti Guenka, também estavam no local e foram feridos pelos disparos. Os dois foram socorridos e sobreviveram. 

Segundo o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), José Humberto Urban Filho, a linha de apuração não foi realizada como a de outros homicídios comuns pela maneira que o acusado agiu. “Nossa linha de investigação fugiu da forma normal de outros homicídios. O autor introduziu o braço e o revólver no portão da casa da vítima, o que nos demonstra que o crime foi premeditado. Por isso, descartamos que tenha sido praticado por roubo. Logo após, ouvimos testemunhas que viram João Eduardo no dia dos fatos, como também seus familiares que confirmaram que existia um desacordo entre ele e o psiquiatra. Conseguimos obter imagens das residências e comércios das redondezas. Somente uma casa conseguiu registrar o dia e a hora em que o autor foi até a casa de Eduardo Guenka para assassiná-lo, o que auxiliou na sua identificação.” 

As imagens indicam que, às 17h34, João Eduardo caminhou pela Rua Capitão Luís Badini, portando um revólver embaixo da camiseta. Na sequência, ele seguiu para a Rua Afonso Cavalini, onde efetuou seis disparos contra o médico e fugiu, abandonando a arma contrabandeada nos arbustos em frente à residência da Rua João dos Santos. A vítima foi socorrida à 17h41, mas não resistiu aos ferimentos. O horário e local registrados pelas câmeras levantaram as suspeitas sobre João Eduardo. 

Alguns dias depois, a polícia descobriu que o jornalista foi usuário de drogas e possui problemas psicológicos. Conforme o apurado, ele teria matado o médico porque se sentiu forçado a passar por um tratamento mental. A mãe do acusado solicitou que o médico Eduardo Guenka atendesse ao rapaz em casa. Após ser atendido, João denunciou o psiquiatra ao Conselho Regional de Medicina (CRM). O processo foi arquivado, depois que a própria mãe do autor se dirigiu ao CRM e relatou que ela mesma tinha pedido ao médico que tratasse seu filho. 

Os familiares do autor do crime contaram que o rapaz sempre teve problemas psicológicos. A mãe dele procurou o médico novamente no final do ano passado para interditar o filho judicialmente, pois ele estava muito violento e a ameaçava. Porém o psiquiatra negou o atendimento, devido ao processo que fora impetrado contra ele no passado. “O autor não gostava do médico. Em todas as discussões entre família, os parentes ameaçavam interná-lo. Ele cometeu o crime como um ato de vingança, pois achava que tinha sido forçado a ser tratado pelo psiquiatra”, disse o delegado assistente da DIG, Acácio Aparecido Leite. 

O jornalista, que também foi professor universitário e tem cidadania italiana, negou que conhecia a vítima, porém, conforme as investigações, ele sempre falava com o médico Eduardo Guenka. Ele era conhecido no Fórum de Sorocaba, pois sempre abria processos contra pessoas e empresas pelas quais se sentia ameaçado. Sua acusação será por homicídio doloso qualificado e duas tentativas de homicídio. “Nós já pedidos a prisão temporária do indiciado por 30 dias até o final do inquérito. Depois, essa prisão será convertida em temporária”, relatou o delegado José Urban. João Eduardo segue detido na unidade transitória de São Roque e deverá ser transferido ao Centro de Detenção Provisória de Sorocaba. 

MÉDICO ATUAVA EM TRABALHOS SOCIAIS – Na noite do crime, Eduardo Guenka estava acompanhado de mais cinco pessoas da família, quando foi executado. Um de seus filhos, Marcos Guenka, e a nora, Aline Marchetti Guenka, também foram atingidos. Marcos, que foi ferido com duas balas no abdome, passou por uma cirurgia. Aline recebeu um tiro no ombro.

O médico era bastante atuante na comunidade do Jardim Santa Rosália, onde morava, e era muito conhecido e conceituado na cidade. Integrado na Igreja Católica e frequentador da Paróquia Santa Rosália, o psiquiatra ministrava palestras voltadas à família. Ele também participava do movimento Emaús, responsável pelo ensino de valores cristãos para jovens. 

Eduardo e a esposa, Maria Ângela Guenka, apresentavam um programa radiofônico chamado "Família, Santuário da Vida", transmitido pela rádio comunitária Cantate FM, onde tratavam de assuntos diários voltados a pais e filhos. A missão principal do casal era a evangelização, com a transmissão de valores das Sagradas Escrituras a todos. Além disso, ele foi diretor do Hospital Psiquiátrico de Itapetininga, onde auxiliou no tratamento de centenas de pacientes.


 
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