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Diário de Sorocaba





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<< 'Diário' completa 56 anos

Publicada em 05/07/2014 às 21:45
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Há exatamente 56 anos, no dia 6 de julho de 1958, a primeira edição do DIÁRIO DE SOROCABA ganhava as ruas de Sorocaba. Fruto do idealismo do então jovem jornalista Vitor Cioffi de Luca, o seu sonhava se concretizava: ter um jornal desvinculado de qualquer grupo, seja econômico ou político. Praticar o verdadeiro jornalismo, imparcial, colocando, sempre, em primeiro lugar, os interesses da comunidade e dos cidadãos. A empreitada começou com dois grandes “braços direitos”: sua esposa, Thereza da Conceição Grosso de Luca e o publicitário Heitor José da Costa Nunes.

 

Mais tarde outros aliados surgiram: os filhos do fundador, Fernando, Walter e Maurício. Mais de meio século se passaram. E o jornal continua seguindo os mesmos princípios sólidos, agora sob a responsabilidade do jornalista e administrador de empresas Maurício de Luca. 

 

“A seriedade e a responsabilidade de um jornal é inerente à minha pessoa, afinal, quando nasci, o DIÁRIO já existia. E o princípio da ética sempre esteve presente em minha educação através do exemplo, pois desde criança minha vida se dividia entre a escola, o DIÁRIO e a casa onde morava. E vale lembrar que no mesmo local moravam cinco jornalistas, além da minha irmã. Leila, que escolheu a Medicina como carreira”, conta Maurício de Luca.

 

“No jornal muitos fizeram carreira, pessoas que vestiam a camisa da empresa por se identificar com seus princípios, tornando-se grandes profissionais. Gostarias de citar cada um nominalmente, mas não haveria espaço para tantos”, completa Maurício.

 

PRIMEIRO EDITORIAL - Em seu primeiro editorial (os editoriais são textos de um jornal em que o conteúdo expressa a opinião da empresa) Vitor Cioffi de Luca escreveu: “O DIÁRIO DE SOROCABA terá um norte pelo qual se guiará, não se arredando um centímetro dos nossos princípios e das nossas convicções... Faremos deste jornal uma sentinela avançada na defesa dos interesses de Sorocaba, de São Paulo, do Brasil, e que o povo, indistintamente, terá aqui uma tribuna da qual poderá valer-se, a qualquer momento, para salvaguardar seus direitos por ventura ameaçados, ou protestar contra atos públicos nefastos à coletividade. Independentes, absolutamente independentes, nossa norma de trabalho terá, sob o ponto moral, por base os postulados cristãos. Politicamente manteremos equidistância dos partidos. Não temos compromisso com ninguém, quer políticos, quer econômicos... Estamos inteiramente à vontade para advogar os interesses da coletividade e para batalhar pelas grandes causas de Sorocaba. Fazemos questão de frisar que o espaço de nossas colunas está à venda dentro do setor, mas nenhum preço existe para nossa consciência”.

 

EVOLUÇÃO E TRAGÉDIAS - Acompanhando o desenvolvimento do mundo em 1983 o DIÁRIO entrou na era do off set e passou a ter páginas coloridas. Já o ano de 1996 foi de luto para o jornal. Faleceu Fernando de Luca, que era à época diretor executivo do jornal, vítima de câncer. Mas mesmo com essa tragédia, o jornalista Maurício de Luca implantava o DIÁRIO ON LINE, a versão eletrônica do jornal, mostrando que o matutino sempre esteve à frente do seu tempo. Foi o primeiro jornal da região na internet e um dos primeiros do País.

   

Em outubro de 1998 uma outra tragédia se abateu sobre o jornal. Em um acidente de carro faleceram Vitor e Thereza de Luca. Maurício e Walter de Luca, que já estavam à frente do jornal, assumiram totalmente o matutino.

 

Credibilidade em diferentes mídias

 

Os jornais não são mais apenas meros impressores de notícias, mas editores de informação para variadas mídias, é o que diz o jornalista Walter de Luca, doutor em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo e professor da Universidade de Sorocaba (Uniso). “A internet oferece muitas notícias e é preciso distinguir quais são as mais confiáveis. Com isso, os jornais tradicionais, que já produzem conteúdo há mais tempo, têm credibilidade e responsabilidade, possuem sites mais confiáveis para busca de notícias do que uma postagem no twitter, facebook ou blog qualquer”, explica.

 

 

Segundo ele, a Associação Mundial de Jornais inclusive alterou a nomenclatura e identifica os jornais como "editoras de notícias", já que produzem informações que podem ser distribuídas em diversas mídias, como internet, telefonia celular, conteúdo para tablets e, claro, o impresso. “Independente da mídia, a maneira como se faz o jornalismo é inspirada em princípios e modelos que foram desenvolvidos pelos meios impressos ao longo de quase dois séculos. O consumidor de informação quer debate, posições fundamentadas e compromisso com o leitor”, ressalta.

 

O professor diz que os jornais têm o conteúdo básico das notícias e conseguem, de maneira eficaz, formatá-las para várias plataformas de comunicação, preservando a cada uma delas suas características, como as leituras rápidas das redes sociais ou conteúdos mais complexos nos sites. “O DIÁRIO investe nisso há muito tempo. O DIÁRIO ON LINE entrou no ar em 1996 e foi o primeiro site de jornal da região, e um dos primeiros do Brasil. Passou por várias reformulações e ampliações. Estamos também nas redes sociais, além de termos projetos de ampliar essa participação em outras mídias em um futuro próximo. Estamos preparados para formatar a notícia da maneira que a demanda de público indicar", assegura.

 

Walter destaca a importância do profissionalismo no papel de editor de relevância da informação. “Somente profissionais preparados podem utilizar a tecnologia a favor da notícia, com desenvolvimento técnico para as informações, definindo a linguagem e os critérios de edição para cada mídia”.

 

 

Conforme a opinião de Walter, o consumidor é exigente ao buscar informação, mas nem sempre sabe distinguir notícia confiável e de qualidade. “Há muita gente que difunde informação na internet, mas não faz jornalismo. A contribuição dos usuários é importante, mas são colaboradores da notícia, e não jornalistas. Conforme as pessoas vão fazendo distinção das notícias transmitidas de forma séria e responsável, as empresas sólidas e experientes vão ter um salto de qualidade no seu trabalho”, prevê. 

 

Cláudio Grosso: de intercalador a diretor de redação

 

A história do diretor de redação do DIÁRIO DE SOROCABA, Cláudio Grosso, é muito rica. Irmão de Thereza de Luca, após seu pai se aposentar, veio com a família para Sorocaba e aqui fez história. É o funcionário mais antigo do jornal.

 

“Eu e meus pais viemos para Sorocaba mais ou menos no início do jornal, em 1958. Meu pai se aposentou. Éramos quatro irmãos, porém, na Capital só estávamos nós. Eu tinha 13, 14 anos e Tereza queria trabalhar no jornal. Minha mãe poderia tomar conta da casa e eu me encaminharia na vida, acreditava minha irmã. E assim Tereza trouxe a sua família para Sorocaba no início do DIÁRIO, principalmente porque tinha três crianças pequenas, Leila, 5 anos, Fernando, 3 anos, e Walter, com apenas 2 anos, Maurício, o filho mais novo do casal, não havia nascido.

 

ADMIRAÇÃO - Cláudio nunca escondeu a admiração por Vitor Cioffi de Luca, seu cunhado. “Admiro a coragem que o Vitor teve de lançar-se nesse empreendimento. Como ele foi se aventurar (vindo para Sorocaba) apesar de estar trabalhando em uma agência bancária, além de escrever para jornais da Capital, estando mais ou menos bem encaminhado? Como ele resolveu na época sair de São Paulo para vir para Sorocaba? Será que eu sairia de Sorocaba para ser sócio de um jornal, por exemplo, na cidade de Buri, ou na cidade de Sarapuí? Porque a diferença era mais ou menos essa”.

 

Muitos adolescentes tiveram o seu primeiro emprego entregando o DIÁRIO de porta em porta, com Cláudio não foi diferente. “Comecei a trabalhar no jornal logo que cheguei à cidade quando tinha uns 13, 14 anos. Mas na época era diferente. Tinha uma máquina que imprimia e a gente tinha que intercalar os jornais. Dobrar os jornais. Eu ajudava muito a fazer isso. Entregava jornal, fazia cobrança de assinante. A Thereza é que cuidava das pessoas que faziam a cobrança. Depois, com o tempo é que eu fui para a redação”, conta.

 

Sua primeira experiência na redação foi em razão do São Bento. “Eu me lembro de que a primeira notinha que eu fiz no jornal foi a respeito do resultado de um jogo do São Bento no Humberto Reale, que, se eu não me engano, foi contra a Ponte Preta. Na época o São Bento estava por cima e não tinha ninguém na redação para fazer a notícia do resultado. Naquele jogo apagaram-se as luzes do estádio e a partida terminou muito tarde. Eu acabei fazendo o texto”. 

 

José Benedito: o homem da redação

 

O jornalista José Benedito de Almeida Gomes praticamente cresceu dentro do jornal. Ele trabalhou pela primeira vez no DIÁRIO em 1970, quando tinha 15 anos, como colaborador. Grande parte dos jornalistas que atuam hoje na cidade passou pelas mãos de Zé Benedito, como é conhecido. Em outras palavras, ele faz parte da história do jornalismo sorocabano.

 

Almeida Gomes começou no DIÁRIO escrevendo uma coluna semanal sobre filatelia, uma de suas paixões. O jornalista estudava com o Fernando – filho de Vitor e Thereza - na Organização Sorocabana de Ensino (OSE), na mesma classe, e conhecia bem a família de Luca.

 

A história de José Benedito estava apenas começando no matutino. “Acabei me envolvendo com outras colunas. Nesse meio tempo seu Vitor criou uma coluna chamada ‘Vida Paroquial’, com notícias das paróquias e comecei a colaborar”.

 

Ele passou a atuar realmente na redação em fevereiro de 1976, escrevendo a coluna Últimas. Às 18 horas José Benedito entrava no DIÁRIO e pegava as informações da rádio Guaíba. “Das seis às sete horas eu pegava esse noticiário, mas não eram notícias amplas como hoje, eram tópicos. Eu tinha meia página para o noticiário nacional e internacional”. O jornalista ficou na rádio escuta até dezembro de 1976, quando passou a cobrir a região. Atualmente é secretário de Redação do jornal. 

 

Uma escola, degrau por degrau

 

O diretor do DIÁRIO, Maurício de Luca, conta que sua trajetória no jornal colaborou muito com o seu crescimento profissional. “Desde que me conheço por gente, todos os dias ‘perambulava’ pelo DIÁRIO. Aos 12 anos de idade, comecei a trabalhar no atendimento ao público, o “famoso balcão”, fazendo a captação de anúncios classificados, entre outras coisas. Aos 13 anos estava no Departamento de Artes, criando e produzindo artes finais para anúncios publicitários. Aos 15, comecei a trabalhar como repórter fotográfico. Foi uma grande experiência, pois tive a oportunidade de conhecer o mundo de perto. No mesmo dia podia estar numa favela, na delegacia de polícia, numa festa da alta sociedade...” Anos mais tarde começou a trabalhar como repórter, no início cobrindo a área policial. Mais tarde tornou-se editor do noticiário Nacional e Internacional, Polícia, Primeira Página. 

  
 
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