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<< Apenas um bloco vai desfilar no carnaval 2014 Parte da verba municipal já chegou às escolas de samba

Publicada em 08/01/2014 às 20:33
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O carnaval deste ano contará com o desfile de apenas um bloco, do total de seis que chegaram a participar em anos anteriores. Com tradição de 27 anos, o único a sair será o bloco “Depois a Gente se Vira”, que tem como ponto de partida a avenida Eugênio Salerno, passando pelas ruas Moreira César, Cesário Mota e se dispersando na praça Frei Baraúna. A decisão dos demais grupos foi tomada após a comissão de segurança, formada por membros da Polícia Militar (PM), Guarda Civil Municipal (GCM), Polícia Civil, Urbes, Conselho Tutelar e Setor de Fiscalização, orientar para que saíssem em um circuito fechado ou na passarela do samba. A medida seria para garantir a segurança dos foliões e evitar as ocorrências registradas por excesso de bebida alcoólica e uso de entorpecentes. “Nenhum bloco concordou por perder as características de sair nos bairros”, diz o presidente da Liga Sorocabana de Blocos e Escolas de Samba (Lisobes), João Paulo Rolim Marques.

Foi apresentada a proposta de continuar com os desfiles pelas ruas da cidade, tendo o trajeto cercado, numa extensão menor. Porém, o coronel Rolim explica que a Prefeitura alegou ser inviável financeiramente, descartando a possibilidade. “Eles, então, ofereceram a passarela do samba, já que ficaria mais barato manter por mais alguns dias a estrutura que já vai ser montada.”

Apesar das mudanças, o presidente da Liga afirma que dois blocos estão interessados em integrar o carnaval da cidade, a partir de 2015, e que, após a prestação de contas, vai retomar as conversas para o retorno dos desfiles. O presidente do “Depois a Gente se Vira”, Paulo Henrique Soranz, afirma que o bloco é independente e, por isso, vai manter a agenda que conta com a tradicional feijoada no dia 23 de fevereiro e o desfile no dia 28 do mesmo mês. “O bloco surgiu para defender a promoção da cultura nas ruas, saindo do circuito, seria descaracterizado. Mesmo sabendo da falta de apoio, fomos comunicar à secretária de Cultura, na segunda-feira (6), que vamos sair e pedimos apoio quanto à disposição de banheiros químicos e desvio de trânsito.”  
 
Apesar de ainda não terem recebido uma resposta, Soranz diz que o bloco tem um público diferenciado e não acredita que os foliões de outros grupos vão migrar ao "Depois", já que será o único a sair pelas ruas. “Nossa tradição são as marchinhas de carnaval e o hino do bloco, por isso, alguns foliões não gostam das músicas. Por ser sexta-feira à noite, acredito que o público será o mesmo.” Até o final da semana, deve ser definido o homenageado ou a entidade que será estampada na camiseta do “Depois”.  

SEM DESFILE - Os blocos “Boca a Boca” e “Cocó” decidiram não desfilar em 2013 e optaram por permanecer em pontos fixos. Porém, apesar da mudança, foram registrados casos de embriaguez e uso de entorpecentes na região do Parque Campolim, no dia em que o “Boca a Boca” estacionou na praça Carlos Alberto de Souza, ao lado da pista de caminhada. As ocorrências fizeram com que o organizador do “Cocó”, Benedito Pereira Pascoal, o Beca, cancelasse a apresentação do bloco, criado em 1999. Neste ano, ele diz que o grupo está encerrando as atividades, mas não descarta a possibilidade de um dia voltar. “Era uma grande quantidade de pessoas e a minoria não se comportava, então, para evitar maiores riscos, decidimos não participar.” 

Já o “Boca a Boca”, promove a tradicional feijoada no salão Monteiro Lobato no dia 23 de fevereiro, e os convites podem ser adquiridos a partir do dia 25 deste mês no Posto Abastece Brasil, na avenida Afonso Vergueiro, na loja M.Officer do Iguatemi/Esplanada e na agência ArtMaker, localizada na rua José Maria Hannickel, 398 no Parque Campolim. O valor ainda não foi definido, e o presidente do bloco, Marcos Baleeiro, afirma que o grupo só não encerrou as atividades devido à festa. “Vale a pena manter a chama acesa e tentar não morrer.” Ele vê a falta de apoio do município de forma negativa, visto que o desfile era uma opção à população que não viaja no feriado de carnaval. “Era tudo gratuito e a população fica carente de opções, mas, devido às condições impostas, como falta de estrutura e segurança, tornou-se inviável.” 

O Recreiol iria ao seu quinto ano de desfiles e o presidente, João Bertolucci, também lamenta a decisão de não sair às ruas. “Somos contrários à alternativa dada pela Prefeitura, mas talvez terá a feijoada e, então, vamos decidir se encerramos as atividades.” A presidente do grupo Quilombinho, Rosângela Alves, diz que os integrantes do bloco homônimo vão se apresentar na sede da fundação, localizada na rua Caramuru, 203, na Vila Leão. “Não é por falta de apoio que nosso trabalho vai ser diminuído, mas não sair às ruas nos entristeceu muito”, diz. O evento será gratuito e aberto ao público no sábado de carnaval, dia 1° de março, por volta das 16 horas. 

Antes da festa, deve ser realizado um “esquenta”, e os convites serão vendidos antecipadamente, mas ainda sem data e valor definidos. “Quero muito acreditar que ainda vamos sair às ruas. A polícia e a Prefeitura conhecem nosso trabalho, que é totalmente diferenciado, levamos cultura ao público.” Rosângela conta que, recentemente, integrantes do Quilombinho estiveram em visita à cidade de Salvador, na Bahia, conhecida por realizar uma das maiores festa do mundo durante o carnaval. Lá conheceram o trabalho desenvolvido pelos grupos Olodum, Filhos de Gandhi e projeto Axé. “Eles têm autonomia e voltamos cheios de ideia e vontade de fazer mais no Quilombinho.”  

ESCOLAS DE SAMBA – Em 2013, as oito escolas de samba que desfilaram receberam a verba municipal pouco tempo antes das apresentações, mas, neste ano, a primeira parcela já foi depositada e até o final do mês o restante deve chegar às agremiações. O total destinado à Lisobes foi de R$ 250 mil, R$ 25 mil a mais que em 2013, e parte será destinada ao pagamento de jurados. A escola “Show Brasil” não desfilará pelo segundo ano consecutivo, devido a problemas de saúde de sua fundadora, a carnavalesca Maria Socorro. Durante o concurso que elegeu a corte do carnaval no ano passado, integrantes das escolas “Império Parque das Águas” e “Furiosa Real”, desentenderam-se. Na época, o presidente da Liga afirmou que o episódio poderia resultar na punição de não desfilar por dois anos e até mesmo a expulsão do grupo. “Mas por problemas de formalização da penalidade, as escolas só foram multadas financeiramente. Do total da verba que vão receber será descontado 25%”.   

HISTÓRIA - Em 2013, o carnaval da cidade perdeu duas figuras importantes. Em maio o fundador da “Unidos do Cativeiro”, Luiz Gonzaga Rodrigues, 75 anos, conhecido como Luizão, faleceu após duas semanas internado em decorrência de um derrame cerebral. Dois meses depois, em julho, a fundadora do “Carinhosa Nova Esperança”, Maria Benedita Pereira Gonçalves, 68 anos, veio a óbito após uma parada cardíaca. “Em homenagem a eles, temos que buscar fazer um carnaval ainda melhor. Queremos um desfile com a presença de famílias”, diz o presidente da Lisobes. 

Os desfiles devem ocorrer no primeiro final de semana de março, dias 1º e 2, com abertura dos portões às 20 horas e início da programação às 21 horas. Assim como em anos anteriores, a passarela do samba deve ser montada na avenida Engenheiro Carlos Reinaldo Mendes, em frente ao Paço Municipal na pista no sentido do bairro ao Centro.    
 
 

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