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<< Funcionários da Santa Casa entram em estado de greve por 72 horas Os profissionais reivindicam pagamento de salários, cesta básica e segurança

Publicada em 08/01/2014 às 20:31
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Após uma assembléia realizada no refeitório da Santa Casa, na manhã de ontem, cerca de 100 funcionários decidiram entrar em estado de greve por 72 horas. Um documento contendo as reivindicações dos trabalhadores foi protocolado na secretaria da provedoria. Entre os pedidos, está o depósito dos salários atrasados, cestas básicas a cerca de 30 funcionários que ficaram sem o benefício e a contratação de seguranças para a recepção do Pronto-Atendimento (P.A.) do convênio. Caso os pedidos não sejam atendidos dentro do prazo, a greve será deflagrada por tempo indeterminado. 

O presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores da Saúde de Sorocaba e Região (Sinsaúde), Milton Sanches, acredita que a maioria dos funcionários vai aderir ao movimento, visto que os problemas são generalizados em todos os setores do hospital. O prazo de 72 horas vence no sábado (11), por isso os trabalhadores decidiram entrar em greve na segunda-feira (13) e apenas 30% deve permanecer trabalhando. 

PROBLEMAS - Desde o começo do ano o P.A. do convênio está sem profissionais, que, por falta de pagamento, não comparecem ao trabalho. No último domingo (5), um homem chegou a quebrar itens da recepção ao saber que seu filho de 9 anos, com dores abdominais, não seria atendido. “Os funcionários que não têm nada a ver e estão com salários atrasados, são a linha de frente e, nesse caso, poderiam ter se machucado”, diz Sanches. 

Na reunião, os funcionários decidiram abandonar os postos de trabalho caso não haja médicos no setor do convênio, por segurança, a fim de evitar possíveis problemas com pacientes. Segundo relato de alguns deles, as cestas básicas de dezembro atrasaram e, com isso, alguns não conseguiram buscar, visto que o prazo para retirada foi menor. Cerca de 30 pessoas ficaram prejudicadas. “A maioria das pessoas faz plantão das 7 às 19 horas e o almoxarifado funciona das 7 às 16 horas”, explica o auxiliar de enfermagem Thiago Antunes Venâncio, que há cinco anos trabalha no hospital.

Faltam medicamentos, funcionários da limpeza estão sobrecarregados e, por dependerem exclusivamente do emprego no hospital, alguns trabalhadores devem ficar receosos em aderir à grave. Quanto aos salários, o presidente do Sinsaúde afirma que a folha de pagamento dos aproximadamente mil funcionários é de R$ 1,2 milhão, e a Santa Casa teria pagado apenas R$ 350 mil. Médicos que atendem no Pronto-Socorro Municipal (PSM) estão há três meses sem receber o salário e, assim como no setor do convênio, muitos abandonaram o emprego, e o serviço estaria funcionando com apenas um profissional. Um funcionário que atua há sete anos no convênio e está em férias, afirma que também não recebeu sua remuneração, e que no final de 2013 os problemas se agravaram. Trabalhadores que participaram da assembléia dizem que boatos dão conta de que a Santa Casa estaria negociando um empréstimo de R$ 25 milhões.  

HOSPITAL – Em nota, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia afirma que está empenhada na busca de recursos para fazer o depósito dos funcionários, mas que não é possível dizer se a questão será resolvida dentro de 72 horas, e que ontem mais uma parte teria sido saldada. Ao todo, cerca de 70% dos funcionários estão sem receber a remuneração, o hospital optou por pagar os salários de menor valor e negou que esteja recorrendo a algum tipo de empréstimo. A Santa Casa confirmou que a folha de pagamento dos funcionários é de R$ 1,2 milhão e apenas R$ 350 mil foram pagos. Já sobre o pagamento dos médicos que atendem no PSM e também no convênio, a entidade diz que ainda não receberam os honorários, mas espera resolver a questão até o final deste mês. 

Quanto à falta de médicos no P.A. do convênio, a irmandade afirma que, desde terça-feira (7), a operadora do plano Santa Casa assumiu a administração do setor, possibilitando a normalização do serviço. “Parte dos médicos que prestavam o atendimento deverão continuar realizando seus plantões e parte que optou por não retornar está sendo substituída por outros profissionais.” O hospital ressalta que os profissionais dão plantões em áreas específicas e no P.A. são dois clínicos - um pediatra e um ortopedista. Sobre a falta de medicamentos, a Santa Casa diz que pode ocorrer momentaneamente, mas que a substituição por outro similar não prejudica o atendimento aos pacientes. A nota finaliza informando que ocorrem ausências de funcionários em diversos setores “por motivos particulares do colaborador”, assim como no PSM, e sempre que possível os médicos são substituídos.  


 
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