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Diário de Sorocaba





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<< Integrante de facção criminosa é condenado a 14 anos de prisão

Publicada em 17/10/2013 às 22:27
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SEM ‘SINTONIA’ NAS RUAS

A Polícia Civil prendeu o entregador Everton Leandro Nilo, 28 anos, quando ele estava no Fórum, na tarde de quarta-feira, em audiência por um de seus antecedentes criminais. Os agentes da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) tinham em mãos a condenação do entregador por ataques cometidos em 2006 na cidade contra bases da Polícia Militar e delegacias da Polícia Civil. O rapaz é apontado como “sintonia” de uma facção criminosa que atua na Capital paulista e teria o poder de dar ordens nas ruas sorocabanas. Pelos ataques feitos naquela ocasião, Everton foi condenado a 14 anos de prisão.

De acordo com o delegado Jose Humberto Urban Filho, titular da DIG, Everton tinha sido preso em julho de 2006 junto a outras cinco pessoas reconhecidas como integrantes de uma quadrilha que tinha ainda outros dois indivíduos, que seguem foragidos. A prisão aconteceu em Sorocaba, na madrugada de 14 de julho, no Jardim Tupinambá, depois de investigações sobre ataques sofridos por bases policiais, delegacias e outros patrimônios públicos no mês de maio. Com o bando preso foram encontrados 14 coquetéis molotov confeccionadas em garrafas de vidro, mais de 50 porções de crack e cocaína, e dois tijolos de maconha. 

Ainda conforme o delegado, quando Everton foi preso, ele não sabia de sua condenação, que tinha saído no último dia 23. Como estava cumprindo a pena em regime aberto, o rapaz precisava comparecer ao Fórum para assinar documentos, então os investigadores, sabendo dessa obrigação, fizeram campana para esperar que ele aparecesse. Para Urban, a prisão desse integrante de uma organização criminosa diminui o poder que ela tem na cidade. “Assim vamos cortar, ainda que temporariamente, o elo dele (Everton) estando nas ruas com os que estão presos.”

A condenação do entregador aponta os crimes de formação de quadrilha, tráfico de drogas, e posse ou porte de arma e explosivo. Sobre o papel dele na facção, o delegado explicou que Everton tinha o poder nas ruas da cidade, pois ocupava a função de “sintonia” do bando. “Era ele quem dava as ordens nas ruas, era o responsável pelas ruas da cidade e também da região.” Ainda para o delegado, a prisão dele desfalca a criminalidade local. “A ‘sintonia’ está abalada, porém ainda não acabou”, avisa.

O sentenciado, que possui várias tatuagens pelo corpo representando sua ligação com a facção, será investigado ainda sobre sua possível participação em ataques contra caixas eletrônicos na cidade, conforme acredita a polícia. Até ontem ele estava detido na cadeia de São Roque, mas seria transferido para uma penitenciária, onde cumprirá sua pena. 

LIGAÇÃO POLÍTICA – Conforme o delegado, o ex-assessor de um vereador sorocabano teria falsificado a assinatura do parlamentar para fazer o requerimento da transferência de Everton, que estava na Penitenciária de Hortolândia, para uma penitenciária em Sorocaba, alegando ser por questões de saúde. Em depoimento, o vereador alegou não saber do fato e disse que depois que descobriu e decidiu denunciar ao Ministério Público, foi ameaçado por “pessoas perigosas” residentes da região do bairro Lopes de Oliveira, onde morava Everton. O vereador declarou ainda que não registrou boletim de ocorrência porque teve receio da segurança de sua família.

Quanto a isso Urban informou que o integrante da facção pode sim ter ligação política na cidade por conta do poder que almeja, e por isso faz esse tipo de ligação, direta ou indireta, que pode ter envolvido o vereador. “São financiamentos de campanhas, pagamentos de propinas e outros vários tipos de corrupção praticados por esses indivíduos.” O delegado, no entanto, não soube informar o que aconteceu ao ex-assessor do vereador nem se ele será investigado por ter contato com Everton.

AÇÕES DA POLÍCIA – Em sua explicação sobre a atuação da Polícia Civil contra o tráfico de drogas na cidade, o delegado Urban lembrou a prisão de outros integrantes de facções criminosas, como a de Geraldo César Matia, 42 anos, vulgo “Gera”, preso em agosto de 2012. Ele foi apontado como o responsável pela região da Vila Hortência, Parada do Alto e também Votorantim. E também a prisão de Andréia Duarte de Oliveira, de 37, que cuidava do abastecimento da zona norte da cidade, principalmente a avenida Ulysses Guimarães. Ela é mulher de Francisco da Silva, conhecido como “Jair Barriga”, traficante que já estava preso desde 2007, e que seria comparsa de “Gera”.

Conforme o delegado, as ações contra essa facção acontecem desde 2002 e desde então várias prisões já foram feitas retirando das ruas indivíduos que ocupavam cargos gerenciais na organização. “Não passamos seis meses sem grandes operações feitas pela DIG e pela Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes)”, frisou. Urban comentou ainda que os pequenos traficantes, como os adolescentes, detidos diariamente pela polícia sorocabana, são funcionários da organização criminosa. “É uma coisa chamativa para o adolescente, é atrativo para ele trabalhar para traficantes por conta do dinheiro fácil, mas por trás deles estão os grandes, os cabeças.” 


Traficantes são presos durante quitação de dívidas

Três indivíduos foram presos na tarde de quarta-feira, pela Polícia Federal em Sorocaba, com quase R$ 400 mil que seriam para pagamento de dívidas entre um brasileiro e dois paraguaios. A prisão aconteceu num shopping da cidade, depois que os agentes descobriram que no local aconteceria o pagamento de entorpecentes já entregues. A ação foi resultado do trabalho conjunto entre a Polícia Federal em Sorocaba e a Delegacia de Repressão a Entorpecente (DRE) de São Paulo, contra o tráfico internacional de drogas. 

As equipes tinham a finalidade de cumprir um mandado de prisão já expedido contra o brasileiro por tráfico de drogas, e durante as diligências - como havia a informação que ele iria se encontrar com dois paraguaios para saldar uma dívida de uma encomenda de drogas já entregue - os policiais federais se dirigiram, às 16 horas, para um shopping da cidade, localizado às margens da rodovia Raposo Tavares.

Como já vinham realizando um trabalho de vigilância sobre o traficante brasileiro desde o período da manhã, os policiais presenciaram o encontro dele com os dois estrangeiros. No momento da abordagem, além de cumprirem o mandado de prisão, os policiais também prenderam em flagrante os paraguaios que iriam receber o pagamento. 

Em revistas pessoais e nos veículos foram localizados, entre outros objetos, o valor de R$ 393.082,00 em poder do brasileiro. Os três foram autuados pelos crimes de associação ao tráfico internacional de drogas e encaminhados ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Sorocaba, onde permanecerão à disposição da Justiça Federal.


SSP divulga nota de esclarecimento sobre punição de policial militar

A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo divulgou ontem uma nota informando que o oficial da Polícia Militar envolvido em uma ocorrência de tentativa de assalto ao proprietário de uma moto, no último sábado, não foi afastado de suas funções. A nota teria sido veiculada para contradizer o que um deputado estadual havia discursado em plenário, afirmando que o capitão Antônio Bernardo foi punido devendo ficar afastado das ruas por, pelo menos, seis meses.

O roubo a uma moto Honda Hornet aconteceu no dia 12, por volta das 15 horas, no cruzamento das ruas Doutor Assis Ribeiro e Gabriela Mistral, no bairro da Penha, na Capital paulista. A vítima foi abordada por dois homens em uma moto Honda Twister, de cor vermelha, e por meio de uma câmera acoplada ao capacete, filmou toda a ação. Inclusive quando o PM, que passava pelo local e viu a ação dos bandidos, atirou contra aquele que levava a moto da vítima. O bandido atingido foi socorrido com vida e o seu comparsa fugiu.

Por conta dessa ação, o deputado estadual Major Olímpio (PDT), discursou no plenário da Assembleia Legislativa paulista, que o PM tinha sido punido. Entretanto, a SSP divulgou em seu site uma nota de esclarecimento reafirmando que “a ação do policial foi legítima e correta, com a observância das técnicas policiais, não estando relacionada nos casos que determinem avaliação psicológica para inclusão no Programa de Acompanhamento e Apoio ao Policial Militar (PAAPM)”.


Dois rapazes e dois menores são detidos por tráfico de drogas

Equipes da Polícia Militar em patrulhamento pela cidade detiveram dois rapazes e apreenderam dois menores por tráfico de drogas em diferentes pontos de Sorocaba. As ocorrências tiveram início por volta das 20 horas de quarta-feira até às 9 horas de ontem. A mais recente foi a da detenção de Daniel Alves Batista, 22 anos, que aconteceu no bairro Ana Paula Eleutério, o Habiteto, junto a um adolescente de 14 anos.

Eles foram vistos pelos PMs caminhando pela rua Santo Dias da Silva e ao perceberem que uma viatura os acompanhava, jogaram ao chão uma sacola branca que tinha 125 pinos de cocaína. Ao serem abordados, Daniel relatou que saiu da cadeia há dois meses, onde cumpriu pena por furto e tráfico de drogas; e o adolescente assumiu que vende drogas no bairro há cerca de dois meses. Ambos foram levados à delegacia, onde permaneceram à disposição da Justiça.

Quando Fernando Francisco de Souza, 27 anos, foi abordado por volta das 20 horas de quarta-feira, na rua Chico Xavier, também no Habiteto, foi encontrado com ele um embrulho recheado com 100 pinos de cocaína, 36 de crack e R$ 430 em dinheiro. O rapaz acabou sendo conduzido à delegacia do plantão norte, onde o boletim de ocorrência foi registrado por tráfico de drogas e ele ficou detido.

Outro adolescente, de 15 anos, foi abordado por uma equipe da PM, por volta das 23h30 de quarta-feira, na rua Luiz Gonzaga Fleury, Jardim Capitão. Com ele havia um maço de cigarros que dentro tinha oito porções de crack, 10 de cocaína e R$ 73 em dinheiro. Próximo dele, numa moita, foram localizadas mais 10 porções de crack e uma moto que constou estar adulterada. O garoto foi levado à delegacia e depois liberado. A moto ficou apreendida.


Pesquisa aponta que a cada três assassinados dois são negros

No lançamento da 4ª edição do Boletim de Análise Político-Institucional (Bapi), o diretor do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Daniel Cerqueira, apresentou dados que mostram que, no Brasil, a probabilidade do negro ser vítima de homicídio é oito pontos percentuais maior, que as do branco, mesmo quando se compara indivíduos com escolaridade e características socioeconômicas semelhantes.

Para Almir de Oliveira Júnior, pesquisador do Ipea, e Verônica Couto de Araújo Lima, acadêmica da área de Direitos Humanos da Universidade de Brasília (UnB), se no Brasil a exposição da população como um todo à possibilidade de morte violenta já é grande, ser negro corresponde a pertencer a um grupo de risco, pois a cada três assassinatos, dois são de negros. 

Somando-se a população residente nos 226 municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, calcula-se que a possibilidade de um adolescente negro ser vítima de homicídio é 3,7 vezes maior em comparação com os brancos. Esses são os dados apontados no artigo que Almir e Verônica escrevem em parceria, “Segurança Pública e Racismo Institucional”, que compõe a 4ª edição do Bapi, lançada ontem, simultaneamente no Rio de Janeiro e em Brasília.

AGRESSÃO DE POLICIAIS – Analisando o racismo institucional dentro das polícias, os autores conceituam o termo como sendo “o fracasso coletivo das instituições em promover um serviço profissional e adequado às pessoas por causa da sua cor”. Conforme a pesquisa, negros são as maiores vítimas de agressão por parte de policiais que brancos. 

A Pesquisa Nacional de Vitimização mostra que 6,5% dos negros que sofreram uma agressão no ano anterior à coleta dos dados pelo IBGE, em 2010, tiveram como agressores policiais ou seguranças privados (que muitas vezes são policiais trabalhando nos horários de folga), contra 3,7% dos brancos.
 

 

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