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Diário de Sorocaba

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<< Noite de música no Sesc com homenagem a Gilberto Gil Apresentação do músico Lucas Santtana e da banda Bixiga 70 contempla o repertório do compositor na década de 70

Publicada em 08/09/2013 às 00:17
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Em homenagem à obra setentista de Gilberto Gil, dois grandes destaques da música nacional na atualidade, Lucas Santtana e Bixiga 70, sobem ao palco do Sesc Sorocaba na noite deste domingo (8), às 19 horas, para apresentar o show "Gil 70". Juntos, cantarão músicas do repertório de Gil gravadas ao longo dos anos 70, período no qual o festejado compositor e intérprete da Música Popular Brasileira se alimentou de várias referências, entre ritmos africanos, jamaicanos e latinos. Os ingressos podem ser adquiridos na bilheteria da unidade ou pelo portal www.sescsp.org.br, aos preços de R$ 2,40 (trabalhador do comércio de bens, serviços e turismo matriculados e dependentes), R$ 6,00 (usuário matriculado, deficientes físicos, aposentados, maiores de 60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino, com comprovante) e R$ 12,00 (inteira). Venda também online.

No show, as canções de Gilberto Gil ganham novas versões, impulsionadas pelo swing afro-pop dançante da banda Bixiga 70 e pelo vocal marcante de Lucas Santtana, que tocou flauta na banda de Gil por três anos e gravou o antológico disco "Gilberto Gil Acústico MTV", em 1994. O público se deliciará com músicas como "Pipoca Moderna", "Refazenda", "Realce", "Sítio do Pica-Pau Amarelo" e "Lugar comum", entre outras, além de composições dos repertórios do Bixiga 70 e de Lucas Santanna.

A importância da obra de Gilberto Gil para a cultura brasileira é incalculável. Nos anos 60, ele e seus colegas de Movimento Tropicalista criaram não somente um material artístico de alto nível e radicalmente inovador, como também conduziram grandes transformações em nossa sociedade, inspiradas pelos questionamentos da contra cultura. Incorporando a cultura pop aos gêneros nacionais e criando parentescos entre o folclore e a música erudita, o tropicalismo de Gilberto Gil encontrou perfeita correspondência ideológica com sua época. Profundamente crítica sobre os atrasos políticos e morais, a sua proposta artística acabou, porém, sendo reprimida pelo regime militar.

Obrigado a deixar o País, Gil foi exilado em Londres, onde gravou um disco ao vivo, em inglês, "Gilberto Gil - 1971". No ano seguinte, voltou ao Brasil e gravou, ao lado de Caetano Veloso, o disco "Barra 69". No mesmo ano, grava seu antológico "Expresso 2222". Ainda no início dos anos 70, o artista lança "Gil e Jorge" (com Jorge Bem Jor), "Os doces Bárbaros" (com Caetano Veloso, Gal Costa e Maria Bethânia) e a trilogia conceitual - "Refazenda", "Refavela" e "Realce" -, em que mostra sua abertura estética e sua atenciosa pesquisa de ritmos e ambientes.

LUCAS SANTTANA E A BANDA BIXIGA 70 - Lucas Santtana tem cinco discos gravados; o primeiro deles, "Eletro Ben Dodô", foi mixado no Real World, estúdio de Peter Gabriel, na Inglaterra, e entrou na lista dos 10 melhores discos de 2000 pelo jornal The New York Times. Em 2003, lançou o CD "Parada de Lucas" e, em 2006, o álbum "3 sessions in a greenhouse". Em 2009, foi a vez do disco "Sem Nostalgia", que entrou na lista dos 10 melhores discos do ano dos jornais "Folha de São Paulo", "O Estado de São Paulo" e "O Globo", além da Rolling Stone e de ser considerado pela revista Bravo! como os 10 discos mais importantes da primeira década do século 21 dentro do cenário da música brasileira. Em março agora, Lucas Santtana lançou seu quinto disco, "O Deus Que Devassa Mas Também Cura", eleito melhor disco independente pelo Prêmio Contigo-MPB FM de Música e indicado no VMB MTV como melhor Artista Masculino e melhor capa de disco de 2012. O disco será lançado na Europa ainda neste mês de setembro e, no final de outubro, Lucas fará a turnê de lançamento, passando pela França, Noruega, Eslováquia, Alemanha, Holanda e Dinamarca. Como compositor, ele teve suas músicas gravadas por Marisa Monte, Fernanda Abreu, Arto Lindsay e Adriana Calcanhoto, dentre outros.

Já a Banda Bixiga 70 nasceu da junção de dez músicos conhecidos da cena paulistana que possuem trabalhos desenvolvidos no estúdio Traquitana, localizado no número 70 da rua Treze de Maio, no coração boêmio do centro de São Paulo. Os integrantes do Bixiga70 colaboram com diversas bandas e artistas, como Júnior Barreto, Rockers Control, Anelis Assumpção, Projeto Coisa Fina, Projeto Nave, Leo Cavalcanti, Funk Como Le Gusta e Banda Black Rio. Reunidos, exploram elementos das músicas brasileira, latina e africana para criar temas dançantes e inspirados. 

Considerado por muitos o berço do samba paulistano, o bairro do Bixiga também hospeda e alimenta a imaginação desses dez músicos que buscam estreitar laços entre passado e futuro por meio de uma leitura da música cosmopolita de países como Gana e Nigéria, dos tambores dos terreiros e do samba, da música malinké e de uma atitude despretensiosa e sem limites para o improviso e a dança. Assim, a versatilidade do Bixiga 70 conta com os ritmos africanos da bateria de Décio 7 e dos percussistas Rômulo Nardes e Gustávo Cék, riffs suingados de Marcelo Dworecki (baixo) e Cris Scabello (guitarra) e teclados psicodélicos de Maurício Fleury (piano e guitarra), além do improviso do quarteto de metais, imerso no universo do jazz e do funk - Cuca Ferreira (sax barítono e flautim), Daniel Nogueira (sax tenor), Douglas Antunes (trombone) e Daniel Gralha (trompete).

No final de 2011, o grupo lançou seu primeiro disco, homônimo, com co-produção de Victor Rice, "Bixiga70". O disco está disponível na íntegra para download no site da banda e tem versões em vinil e CD. O álbum figurou nas listas de melhores do ano das publicações Rolling Stone Brasil,"Estado de São Paulo", Revista Brasileiros e "O Globo", além dos sites UOL, Vírgula, MTV, Território Eldorado e Mix TV e dos blogs URBe, Trabalho Sujo, Meio Desligado, Miojo Indie, Embrulhador e La Cumbuca, entre outros. No início deste ano, recebeu uma recomendação no jornal inglês The Guardian, além de ser considerado o grande destaque dos festivais Rec-Beat (Recife-PE), Nova Consciência (Campina Grande-PB) e Conexão Vivo (Belo Horizonte-MG). Considerado pela crítica "o show mais quente da cidade", o grupo acumula outras inúmeras apresentações de sucesso em casas de espetáculos de São Paulo, Osasco, Araraquara e São Carlos, com destaque para shows no Auditório Ibirapuera, no Festival Contato, no Cine Joia com Antibalas (EUA) e nos projetos `Prata da Casa', do Sesc Pompeia; São Paulistas e Instrumental Sesc Brasil. Em maio último, a banda se apresentou na Virada Cultural, dividindo palco com Ray Lema (Congo), Seun Kuti (Nigéria), Lazzo Matumbi e o próprio Gilberto Gil.


 

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