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<< Secretário de Obras pede exoneração dias antes de ser ouvido em CPI

Publicada em 27/08/2013 às 22:17
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O secretário de Obras e Infraestrutura Urbana da cidade, José Carlos Comitre, pediu exoneração do cargo na manhã de ontem. Titular da pasta desde o início do mandato do prefeito Antônio Carlos Pannunzio, entregou uma carta onde alega que questões particulares e profissionais “iriam causar conflito com a atividade de secretário". Comitre fazia parte do secretariado desde 2009, quando foi chamado pelo ex-prefeito Vitor Lippi para assumir a Secretaria de Habitação e Urbanismo (Sehab). 

Em nota, a Prefeitura afirma que Pannunzio aceitou o pedido de demissão e o agradeceu a Comitre o empenho e dedicação durante o período em que ficou no cargo. O prefeito afirma que ainda não há um nome para o substituir, mas o anúncio deve ser feito ainda nesta quarta-feira. 

Comitre é engenheiro civil formado pela Faculdade de Engenharia de Sorocaba (Facens), empresário no ramo de construção civil; foi diretor de obras públicas e agora deve se dedicar à carreira fora da política. 

O engenheiro tinha sido convocado para prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga possíveis irregularidades nas obras do programa Sorocaba Total. Segundo o vereador Irineu Toledo (PRB), que preside a Comissão, Comitre será mantido nos depoimentos do dia 3 de setembro, quando também será ouvido o então coordenador do Programa Sorocaba Total, Valmir Almenara.

A CPI – Presidida pelo vereador Irineu Toledo (PRB), a CPI do Sorocaba Total, que investiga as obras desse programa, ouviu na tarde desta terça-feira (27) os ex-secretários municipais Maurício Biazotto e José Ferrari, que atuaram na elaboração e execução do programa. 
 
Logo no início dos trabalhos, o presidente da CPI, Irineu Toledo, leu ofício do presidente da Casa, José Francisco Martinez (PSDB), comunicando que a Câmara Municipal ainda não recebeu nenhum documento solicitado à Prefeitura pela CPI. 

José Crespo perguntou sobre um suposto prejuízo da Prefeitura com o Sorocaba Total depois da desvalorização do dólar, já que o financiamento foi feito em dólar, junto à Corporação Andina de Fomento (CAF), divulgado pelo jornalista Djalma Benetti. Também informou que a Prefeitura deveria ter feito um seguro (tecnicamente chamado de 'hedge') com o objetivo de cobrir possíveis prejuízos com base na desvalorização do real frente ao dólar. De acordo com especulações, o prejuízo da Prefeitura estaria na casa dos R$ 30 milhões.

O ex-secretário Maurício Biazotto contestou as informações e observou que, na época, não havia alternativa de financiamento em moeda nacional para as obras do programa, daí a decisão de recorrer a um empréstimo internacional, baseado no dólar. Segundo Biazotto, a Prefeitura fez consultas a professores da Uniso (Universidade de Sorocaba) e da Unicamp (Universidade de Campinas) e, de acordo com essas consultas, a contratação do 'hedge' (seguro) ficaria mais caro do que não o contratar, uma vez que o dólar se mostrava estável. De acordo com esses estudos, segundo Biazotto, só seria vantajoso contratar o seguro se o valor do dólar passasse de R$ 2,89.

OBRAS INACABADAS – O vereador Francisco França questionou a afirmação do ex-prefeito Vitor Lippi, de que as obras do Programa Sorocaba Total foram integralmente concluídas, citando os casos de três grandes intervenções que não foram feitas, entre elas, o viaduto da Avenida J. J. Lacerda. Já o vereador Anselmo Neto (PP) destacou que a Planserv Engenharia Ltda., que atuou no programa, teve o seu contrato condenado pelo TCE. E Marinho Marte (PPS) indagou sobre os auxiliares da administração passada que atuaram na execução do programa.

O vereador Izídio de Brito (PT) fez vários questionamentos, inclusive sobre o atraso nas obras. Biazotto disse não saber os motivos que levaram ao atraso de algumas obras; mas alegou que atrasos em obras costumam ser comuns, devido à sua complexidade, citando como exemplo os atrasos em obras do governo federal.

Por fim, o vereador Izídio de Brito sugeriu uma vistoria in loco em todas as ações do Sorocaba Total, em data que ainda será definida, para ver as que foram finalizadas e as que ficaram inacabadas. E o vereador Irineu Toledo (PRB) concluiu os trabalhos aprofundando uma série de questionamentos a Maurício Biazotto, inclusive sobre a questão das calçadas de particulares, construídas com recursos do programa. 

Ao fim das oitivas, José Crespo sugeriu a convocação do jornalista Djalma Benetti e do secretário de Finanças, Aurílio Caiado. Francisco França (PT) pediu a convocação do responsável pela empresa Paulo Oliveira Engenharia e dos responsáveis pela Corporação Andina de Fomento no Brasil, Vânia Paz Estensoro e José Rafael Neto. Também será convocado o ex-secretário de Finanças, Fernando Furukawa.


 

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