Quinta-Feira, 27 de Junho de 2019

Diário de Sorocaba

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<< Servidores públicos reivindicam e conseguem audiência pública

Publicada em 05/07/2013 às 00:08
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Funcionários públicos dos setores de Educação, Saúde e Segurança da rede municipal se mobilizaram ontem por duas horas em frente ao Paço, reivindicando aumento salarial e melhores condições de trabalho. Segundo a Guarda Civil Municipal (GCM), eram cerca de 350 pessoas que portavam cartazes, apitos e nariz de palhaço. Organizado pelas associações que defendem as categorias, os grupos receberam apoio de um caminhão de som do Sindicato dos Metalúrgicos e conversaram com sete vereadores, que devem marcar uma audiência pública para discutir o assunto no mês de agosto. 

A concentração teve início às 11 horas, a maioria dos participantes vestia roupas pretas e em vários momentos fizeram críticas ao prefeito Antônio Carlos Pannunzio (PSDB). O horário de almoço foi escolhido porque, segundo os servidores, não prejudicaria o atendimento à população. De acordo com a presidente da Associação dos Professores da rede municipal de Sorocaba (Aspams), Selma Aparecida de Souza, os funcionários públicos estão sendo esquecidos pelo governo e a desvalorização ocasiona outros problemas que existem hoje no setor. “Os estudantes já não procuram mais a profissão e o movimento quer sensibilizar o prefeito para investir e criar uma lei como a de 1995, que dispõe sobre um reajuste.” 

SALÁRIO - Documentos e cópias de holerites levados por Selma comprovam que em 1999, quando o salário mínimo era de R$ 136, o valor recebido por um professor da rede municipal era de R$ 759, o que representava cinco salários mínimos e meio. Atualmente, o salário mínimo é de R$ 678 e um profissional da rede ganha em média R$ 2.390,40, o equivalente a três salários mínimos e meio. “Está diminuindo, e já protocolamos vários pedidos para conversar com o prefeito, mas não recebemos nenhuma resposta. Nos reunimos com a secretária de Educação, mas ela alega que não pode responder pela questão financeira, somente pela parte pedagógica.” 

Questionada se o Sindicato dos Servidores Públicos de Sorocaba estaria apoiando a ação, a presidente da Aspams apenas afirmou que não havia ninguém da entidade na manifestação. Entretanto, outros líderes que falaram no microfone disponível no carro de som, foram enfáticos ao dizer que a atual diretoria do sindicato não está cumprindo seu papel. 

O recente aumento de 31% no salário dos médicos da rede municipal também foi destacado pelos presidentes das Associações dos Profissionais de Enfermagem da Prefeitura de Sorocaba e dos Agentes de Vigilância Sanitária, Silvana Pimentel e Rogério Barbosa de Oliveira, respectivamente. “Como pode ter aumento para uma classe e os outros, que são a maioria, ser de apenas 1%? Queremos uma reestruturação com participação efetiva dos funcionários, que chegaram ao limite e esperam sua valorização”, conta Oliveira. Já Silvana, da associação que representa enfermeiros, auxiliares e técnicos de enfermagem, reivindica melhores condições de trabalho e também a oferta de vagas para todos os profissionais, não só aos que entram no setor. “Se as vagas fossem informadas a todos, haveria uma escolha justa com a participação dos que já trabalham na área. Além disso, as associações são representantes dos trabalhadores, já que o sindicato não nos apoia.” 

Outro déficit salarial apresentando na manifestação é o dos diretores, vice-diretores, orientadores pedagógicos e supervisores de ensino. Segundo a presidente da associação dos Trabalhadores do Suporte Pedagógico da rede municipal de ensino, Ana Cláudia Joaquim de Barros, em 2007 houve uma mudança na legislação, fazendo com que os profissionais que ingressaram após a data recebam hoje 38% a menos. A redução da carga horária também teria sido concedida a outras categorias e não atingiu os diretores. “Além de temos esses dois problemas, falta manutenção nas escolas, as salas estão superlotadas e não chegaram todos os itens do kit escolar. O que acontece é que antes a licitação era pelo conjunto e agora é por material. Temos a informação de que alguns estão atrasados e até teria de fazer uma nova licitação”, explica Ana.  

CÂMARA – Recentemente os carros usados pelos vereadores foram trocados por modelos novos com ar-condicionado e direção hidráulica. A frota antiga estaria sendo repassada para a Guarda Civil Municipal e o presidente da associação dos trabalhadores da categoria, Celso Ferraz de Oliveira, afirma que não há dinheiro para fazer a manutenção necessária, bem como a adesivamento das viaturas. Ele ainda defende a regulamentação da aposentaria especial, com direito à insalubridade. Para a presidente da Aspams, os professores e funcionários das escolas também precisam de mais segurança, pois, além do caso da profissional que foi baleada na cabeça, afirma que assaltos são frequentes. “Os ladrões ficam esperando a saída das reuniões à noite e os casos foram abafados”, alega. 

Por volta do meio-dia e meia, a manifestação seguiu para a Câmara Municipal, adentrando o plenário e chamando os vereadores. O presidente da comissão de educação, saúde pública e juventude, Izídio de Brito (PT) recebeu os servidores e junto aos vereadores Carlos Leite (PT), Marinho Marte (PPS), Saulo Afro Arts (PRP), Pastor Apolo (PSB), Anselmo Neto (PP) e Waldecir Morelly (PRP), protocolou pautas com as reivindicações das associações. Abrindo a conversa na tribuna, Anselmo afirmou que estavam colocando a “cara para bater” devido a questões internas, mas que, mesmo sem a presença do presidente da casa, foram receber os grupos. Por sua vez, Marinho Marte foi categórico ao dizer que, se a Prefeitura alegava falta de verba para atender às reivindicações, "estava mentindo", dando como exemplo os gastos com o Parque Tecnológico e a Nuplan.    


 
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