Domingo, 18 de Agosto de 2019

Diário de Sorocaba





Leia a edição impressa na íntegra


Clique aqui para acessar a edição do dia
buscar

<< Marquesa de Santos ou dos Demônios?

Publicada em 26/05/2013 às 00:32
Compartilhe: IMPRIMIR INDICAR COMENTAR

LITERATURA

Historiador paulistano traz nova biografia da incomparável Domitila, uma das mulheres mais notáveis e influentes da América Latina no século XIX e também esposa do sorocabano Brigadeiro Tobias

Depois de quase um século sem que uma biografia dessa personagem tão polêmica da História do Brasil fosse publicada, a Editora Geração colocou nas livrarias nesta semana o aguardado segundo livro do historiador Paulo Rezzutti, "Domitila - A verdadeira história da Marquesa de Santos", oferecendo a todos - e também e principalmente aos sorocabanos - a oportunidade de conhecer a trajetória verdadeira, despida de mitos e deturpações, de Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867), amante de dom Pedro I e uma das mulheres mais notáveis e influentes da América Latina que, segundo o escritor Paulo Setúbal, "encheu um Império com o ruído do seu nome e o escândalo do seu amor", e que até hoje, duzentos anos após o seu nascimento, continua a dividir opiniões, provocando paixões, admiração e ódios. Principalmente sorocabanos, diga-se de passagem, porque depois de seu polêmico `affaire' com o Imperador a Marquesa de Santos teve sua vida entrelaçada a do célebre sorocabano Brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar (por duas vezes presidente da Província de São Paulo e fundador da Guarda que daria origem à atual Polícia Militar do Estado), com quem se casou em Sorocaba e aqui residiu, no casarão até hoje preservado junto ao Parque-Zoológico Municipal "Quinzinho de Barros" e que abriga desde 1968 o Museu Histórico Sorocabano, em meio à Revolução Liberal de 1842.

Este segundo livro do historiador Paulo Rezzutti, autor também do grande sucesso "Titília e o Demonão - Cartas inéditas de Dom Pedro I à Marquesa de Santos", aparece numa edição primorosa, repleta de ilustrações e fotos coloridas, escrita em um estilo agradável e direto, sem efeitos de retórica e que se lê, portanto, com curiosidade e emoção. Esta biografia definitiva, segundo o autor e resultado de quatro anos de pesquisa em arquivos diversos e centenas de documentos, remonta às origens da bela nascida na então pequena e provinciana São Paulo, narra o seu primeiro desastroso casamento, o início de seu romance com dom Pedro no mesmo ano em que nascia o Império do Brasil (1822), seu poder e fascínio na Corte do Rio de Janeiro e a sua queda, não pela morte, como Evita Perón na Argentina e Madame Pompadour na França, mas em consequência dos deveres imperiais de dom Pedro. 

Absolutamente inéditos são igualmente os capítulos de Rezzutti sobre o retorno de Domitila ao seu torrão natal, o seu reerguimento, matrimônio com o homem mais influente da Província, o sorocabano Brigadeiro Tobias, e sua metamorfose, aos olhos do povo, de amásia em mulher emancipada, de alpinista social em matrona protetora dos estudantes, de parasita venal em promotora de caridade, de destruidora de lares em matriarca de uma grande família, de prostituta em santa.

A MARQUESA DE SANTOS - Nascida pouco mais de vinte anos antes do `Grito da Independência' e morta vinte e poucos anos antes da queda do Império que viu nascer, Domitila de Castro resume uma época, sob a ótica feminina. "Seu semissorriso no célebre retrato pode ser comparável ao de Mona Lisa", observa o autor. "Que mistério nos esconde? Todos e, ao mesmo tempo, nenhum". De fato, segundo a historiadora Mary del Priore, que assina o prefácio desta obra divisora de águas, ninguém conhece Domitila de Castro melhor que Paulo Rezzutti, "portanto, ninguém melhor que ele para desconstruir o mito e nos apresentar a sua história, tendo como pano de fundo as transformações políticas, sociais e econômicas do Império do Brasil".

A obra traz ainda dados inéditos sobre dona Leopoldina, esposa de dom Pedro I, com os quais inocenta de uma vez o Imperador e a Marquesa de Santos da acusação de terem provocado a morte da primeira imperatriz do Brasil. Esses dados foram auferidos da exumação de dom Pedro I, dona Leopoldina e dona Amélia, a segunda Imperatriz, ocorrida em março de 2012, evento arqueológico da maior importância histórica, ao qual o autor foi convidado a assistir na qualidade de consultor por seus conhecimentos sobre o Brasil Império. "Domitila - A verdadeira história da Marquesa de Santos" é o primeiro livro a fazer uso dessas descobertas fundamentais para a melhor compreensão da época em que o País nasceu politicamente.

O AUTOR - Paulo Rezzutti é historiador, membro titular do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e colaborador do blog "São Paulo Antiga". Em 2010, fez a maior descoberta de documentos de nossa História: 94 cartas inéditas de dom Pedro I à Marquesa de Santos, publicadas pela Geração sob o título de "Titília e o Demonão...", em que essas preciosas missivas são colocadas em seu contexto histórico, proporcionando ao leitor um painel agradável e rico da vida cotidiana e dos costumes do Brasil no Primeiro Reinado.


SEMANA DO TROPEIRO

Orquestra de Viola Caipira de Itapetininga abre temporada 2013 do `Sorocaba em Cena' no Sesi

Também como parte da programação de encerramento da 46ª Semana do Tropeiro de Sorocaba, a programação de 2013 do "Sorocaba em Cena", do Sesi, começa neste domingo (26), às 20 horas, com a apresentação da Orquestra de Viola Caipira "Teddy Vieira", da cidade de Itapetinga. A apresentação gratuita acontece no Teatro do Sesi, à rua Gustavo Teixeira, no bairro do Mangal.

O "Sorocaba em Cena" realiza a contratação de grupos e artistas locais das áreas de Artes Cênicas, Dança e Música, com o objetivo de fomentar o circuito cultural local, valorizando os artistas da região. Realizado anualmente desde 2010, somente no último ano foram realizados 28 espetáculos, mesmo número de apresentações previstas para 2013. Nesta apresentação de abertura, a Orquestra de Viola Caipira de Itapetininga, formada por 13 músicos com idades que variam entre 16 e 74 anos, irá homenagear o ídolo Teddy Vieira, o compositor sertanejo mais renomado daquele Município, autor de sucessos sertanejos como "O Menino da Porteira", "Boiadeiro Errante", "Couro de Boi", "João-de-Barro" e "Pagode em Brasília", entre outras. No espetáculo, também serão apresentados trechos de poesias caipiras e causos do Interior paulista.

Os ingressos serão distribuídos no local uma hora antes do espetáculo. 


No Sesc, atração é a Orquestra Filarmônica de Violas hoje

Formada apenas por violas caipiras e idealizada pelo violeiro Ivan Vilela, no Sesc Sorocaba (rua Barão de Piratininga, esquina com a avenida Washington Luiz - Jardim Faculdade) a atração principal desde domingo (26), também ainda dentro da programação cultural da Semana do Tropeiro'2013, é a Orquestra Filarmônica de Violas, às 17 horas. O show gratuito, que servirá, inclusive, para apresentar o repertório do segundo CD do grupo, traz releituras de clássicos da autêntica música caipira, como "Chico Mineiro", de Tonico e Francisco Ribeiro; "Você Vai Gostar" (Casinha Branca), de Elpídio dos Santos; "Cana Verde", de Tonico e Tinoco, e "A Coisa Tá Feia", de Tião Carreiro e Lourival dos Santos, entre outros. Ao mesmo tempo, a Filarmônica inova ao passear por outras vertentes da música brasileira, com obras de Tom Jobim, Hermeto Paschoal e Elomar, além de composições inéditas de integrantes do grupo. A apresentação será no Anfiteatro.

O novo álbum da Filarmônica de Violas representa um registro do seu atual momento, já que em seus dez anos de trajetória vem desenvolvendo e depurando uma sólida, inovadora e elaborada forma de criar e interpretar seus arranjos, utilizando somente a viola caipira e sua vasta gama de sonoridades, timbres, dinâmicas, toques e ritmos - qualidade idealizada de forma pioneira por Ivan Vilela e que representa o principal diferencial da Filarmônica em relação às outras orquestras de violas do País. Os arranjos são pensados de forma orquestral, divididos em várias vozes, as quais são interpretadas por diferentes naipes de violas, tal como das cordas, metais, madeiras e percussões de uma orquestra convencional.

O espetáculo musical contempla, por outro lado, um roteiro permeado de declamações, poemas e comentários históricos da viola que valorizam as obras interpretadas e contextualizadas ao fundo pelo cenário projetado em telão, com vídeo-animações de Caetano de Lima e Celso Norte, criadas especialmente para cada música. Atualmente, a Filarmônica tem a direção artística dos músicos e arranjadores João Paulo Amaral, Elias Kopcak e Rodrigo Nali e conta com um corpo diferenciado de violeiros, composto em sua maioria por músicos profissionais. Além de instrumentistas, alguns deles são pesquisadores em Música, alguns mestres e doutores da área. Essa qualidade técnica, somada à experiência e dedicação dos dez anos de estrada, confere ao grupo seu momento de maior maturidade até aqui.

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE VIOLAS - O grupo nasceu em agosto de 2001, em Campinas, através de um antigo projeto do músico Ivan Vilela, que encontrou respaldo no então prefeito campineiro Antônio da Costa Santos, o qual viabilizou o projeto com a criação da então Orquestra de Violas de Campinas.   Seus integrantes, cerca de 40 no início de 2002, fundaram, então, uma associação, o Núcleo de Cultura Caipira, e tomaram para si a continuidade do projeto. A partir daí, sob a direção de Ivan Vilela, inicia-se a trajetória independente da Orquestra, que hoje já acumula centenas de apresentações em cidades de todo o Estado de São Paulo e Minas Gerais.

Em 2004, adotou o nome de Orquestra Filarmônica de Violas, no intuito de diferenciar seu trabalho das demais orquestras de violas do País. No início de 2005, lançou o primeiro CD.


`Madrigal da Rainha' também leva sonoridades da viola caipira ao Sesc

O grupo sorocabano de viola caipira "Madrigal da Rainha" também apresenta-se hoje (26) na Convivência do Sesc com músicas do sertanejo raiz em homenagem aos tropeiros e a sua rica cultura, às 12 horas, gratuitamente.

Conhecidos como os reis do `pot-pourri', resgatando sempre as melodias tradicionais, o conjunto busca nessas fontes evidenciar ritmos como cateretê, cururu, moda de viola, pagode, canção, valseado, seresta e corrido, entre outros, focando as raízes das mais belas páginas do cancioneiro brasileiro. Tudo isso, com o acompanhamento de viola caipira, violão e percussão, além das vozes femininas e masculinas.


Coral Ars Mvsica Sacra apresenta-se no Vergueiro

Ás vésperas de comemorar seu décimo aniversário de existência, o Coral Ars Mvsica Sacra de Sorocaba prossegue suas costumeiras apresentações dominicais por paróquias da cidade e vai hoje (26) ao bairro do Vergueiro, para recital às 20 horas, logo após a missa vespertina das 19, na igreja matriz de São Lucas, no final da rua Cláudio Manoel da Costa (ao lado do Conjunto Hospitalar). Sob regência de seu fundador, o professor Lúcio Martini, constam do programa desta noite do Ars Mvsica Sacra a Missa Brevis nº 7, de Charles Gounod; Laudete Domunim, de W.A. Mozart; Ave Maria, de Franz Lachner; Dicete in gentibus, de A.C. Adlgasser, e Omnes de Saba Venient, de Joseph Eybler.

A apresentação do Coro neste domingo na igreja de São Lucas terá ao órgão a pianista Luciane Nagy Cação e, como solista, Maria Augusta Mont'Alvão.


 

Não há comentários nessa notícia.Seja o primeiro a comentar